Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa

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O Vocabulário Ortográfico de Língua Portuguesa (VOLP) é um levantamento das palavras da língua portuguesa com indicação da sua grafia, prosódia, ortoépia, classe gramatical e outras informações úteis, tais como formas irregulares do feminino de substantivos e adjectivos, plurais de nomes compostos, homónimos e parónimos das palavras averbadas, etc.[1]

Ao longo dos anos foram publicadas diversas edições do VOLP, da autoria de conceituados linguistas e filólogos, quer portugueses, quer brasileiros, e também pela Academia das Ciências de Lisboa e pela Academia Brasileira de Letras. De entre as edições publicadas encontram-se:

Foram também publicadas numerosas versões abreviadas, designadamente vocabulários ortográficos resumidos ou pequenos vocabulários ortográficos, para além de uma miríade de prontuários ortográficos.

Acordo Ortográfico de 1990[editar | editar código-fonte]

A entrada em vigor das novas normas resultantes da aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 obriga à elaboração de um novo vocabulário ortográfico. A este propósito o próprio texto do Acordo, no seu artigo 2.º refere:

Os Estados signatários tomarão, através das instituições e órgãos competentes, as providências necessárias com vista à elaboração, até 1 de Janeiro de 1993, de um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa, tão completo quanto desejável e tão normalizador quanto possível, no que se refere às terminologias científicas e técnicas.
 

Em 2005, em parecer enviado ao Instituto Camões, a Academia das Ciências de Lisboa, pela mão de João Malaca Casteleiro, confirmou a necessidade da elaboração de um vocabulário comum: «No Acordo Ortográfico de 1990 está prevista a publicação de um "Vocabulário Ortográfico Unificado da Língua Portuguesa" [sic], elaborado pela Academia das Ciências de Lisboa e pela Academia Brasileira de Letras, com a colaboração das competentes instituições dos países-parceiros do Acordo, o qual constituirá um instrumento de consulta e de resolução de dúvidas, que a aplicação de qualquer Acordo sempre levanta»[2]

No mesmo parecer, Malaca Casteleiro declarou que a ACL estava preparada e disponível para efectuar num prazo de seis meses (ou seja até meados de 2006) uma primeira versão do vocabulário com cerca de 400 mil entradas, a submeter à ABL. O afastamento de Malaca Casteleiro do cargo de presidente do Instituto de Lexicologia e Lexicografia da ACL, na sequência da controvérsia que envolveu a revisão do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea e a associação do académico a uma editora comercial para publicação de dois dicionários, viria a gorar este projecto de colaboração entre as duas academias.

Com a entrada em vigor do Acordo Ortográfico no Brasil no início de 2009, em 18 de março, o presidente da Academia Brasileira de Letras, Cícero Sandroni, entregou a três ministros do governo brasileiro os primeiros exemplares da 5.ª edição revista e atualizada do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, com 349.737 palavras, da responsabilidade do filólogo Evanildo Bechara. O académico brasileiro referiu que, para a elaboração do novo VOLP, não foram consultados especialistas portugueses porque «em nenhum momento o Acordo fala em vocabulário comum. O VOLP, portanto, é brasileiro, e os outros países de língua portuguesa poderão criar o seus»[3] .

Em Portugal, em janeiro de 2010[4] foi publicado, com acesso gratuito, no Portal da Língua Portuguesa[5] o Vocabulário Ortográfico do Português, com cerca de 150 mil entradas com informação flexional e derivacional, de forma a responder a dúvidas frequentes com a formação de plurais e conjugação de verbos. A obra foi apoiada e financiada pelo Fundo da Língua Portuguesa, sob a alçada de quatro ministérios portugueses, desenvolvido no Instituto de Linguística Teórica e Computacional, em Lisboa, sendo uma revisão, ampliação e adaptação da base de dados MorDebe. O projeto é coordenado por Margarita Correia, professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, contando com um número alargado de consultores de diversas instituições científicas portuguesas. O objetivo do projeto é disponibilizar até abril de 2010 200 mil entradas, incluindo dicionários de nomes próprios, topónimos e gentílicos, abreviaturas e símbolos. Dos projetos em curso naquela instituição fazem ainda parte ferramentas informáticas de adaptação ao Acordo Ortográfico, como um conversor de ficheiros e verificadores para programas de edição de texto, todos financiados publicamente e de distribuição gratuita.

Por seu lado, a Academia das Ciências de Lisboa anunciou[6] uma nova edição do Vocabulário da Língua Portuguesa, com os neologismos de uso corrente generalizado, incorporados no léxico comum em Portugal, ao longo dos últimos quarenta anos. Tal edição será feita observando as regras do Acordo Ortográfico de 1990 e contará com a supervisão científica dos professores catedráticos Maria Helena da Rocha Pereira e Aníbal Pinto de Castro, com a responsabilidade editorial entregue à Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Artur Anselmo, que substituiu Malaca Casteleiro à frente do Instituto de Lexicologia e Lexicografia da ACL, explicou que será um Vocabulário resumido, com cerca de 60 a 70 mil entradas, tendo por base o Vocabulário de Rebelo Gonçalves. O texto será entregue para impressão em princípio de Outubro de 2009 e a publicação estará nas bancas no fim do mesmo ano. Artur Anselmo explicou que, para a elaboração de um Vocabulário comum a toda a lusofonia, «os diversos países signatários terão depois de se entender»[7] .

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Versões do VOLP em linha[editar | editar código-fonte]