Egito

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جمهورية مصر العربية
(Gumhūriyyat Miṣr al-ʿArabiyyah)

República Árabe do Egito
Bandeira do Egito
Brasão de armas do Egito
Bandeira Brasão de armas
Hino nacional: Bilady, Bilady, Bilady
Gentílico: egípcio (a),
egipciano (a),
egipcíaco (a).[1]

Localização do República Árabe do Egito

Localização do Egito (em verde) no continente africano
Capital Cairo
26°2'N 29°13°E
Cidade mais populosa Cairo
Língua oficial árabe
Governo Governo provisório
 - Presidente interino Adly Mansour
 - Primeiro-ministro interino Ibrahim Mahlab
Formação  
 - Primeira dinastia c. 3150 a.C. 
 - Independência do Reino Unido 28 de Fevereiro de 1922 
 - Declaração da República 18 de Junho de 1953 
Área  
 - Total 1 002 450 km² (30.º)
 - Água (%) 0,632
 Fronteira Líbia, Sudão, Israel e Palestina (Faixa de Gaza)
População  
 - Estimativa de Julho de 2008 81 713 517 hab. (14.º)
 - Censo 2001 hab. 
 - Densidade 74 hab./km² (120.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2012
 - Total US$ 533 739 bilhões[2]  (26.º)
 - Per capita US$ 6 594[2]  (97.º)
IDH (2012) 0,662 (112.º) – médio[3]
Gini (2000) 34,4
Moeda Libra egípcia (EGP)
Fuso horário EET (UTC+2)
 - Verão (DST) EEST (UTC+3)
Org. internacionais ONU
Cód. ISO EGY
Cód. Internet .eg
Cód. telef. +20

Mapa do República Árabe do Egito

O Egito (AO 1945: Egipto)[nota 1] [1] [4] [5] (em egípcio: Kemet; em copta Ⲭⲏⲙⲓ, transl. Kīmi; em em árabe: مصر, transl. ‎Miṣr, nome oficial: República Árabe do Egito transl. Jumhuriyah Misr al-'Arabiyah[6] ) é um país do norte da África que inclui também a península do Sinai, na Ásia, o que o torna um Estado transcontinental.

Com uma área de cerca de 1 001 450 km², o Egito limita-se a oeste com a Líbia, a sul com o Sudão e a leste com a Faixa de Gaza e Israel. O litoral norte é banhado pelo mar Mediterrâneo e o litoral oriental pelo Mar Vermelho. A península do Sinai é banhada pelos golfos de Suez e de Acaba. A sua capital é a cidade do Cairo, a maior e mais populosa cidade do país e do continente africano. Os gentílicos para o país são "egípcio", "egipciano" e "egipcíaco" [1] , embora as últimas formas raramente sejam usadas.

Com mais de 85 milhões de habitantes, o Egito é um dos países mais populosos da África e do Oriente Médio, sendo o 15º mais populoso do mundo. A população está concentrada, sobretudo, às margens do rio Nilo, praticamente a única área não desértica do país, com cerca de 40 000 kmª; O da Líbia, a oeste, o Arábico ou Oriental, a leste, ambos parte do Saara, e o do Sinai, são pouco povoados. Cerca de metade da população egípcia vive nos centros urbanos, em especial no Cairo, em Alexandria e nas outras grandes cidades do Delta do Nilo, de maior densidade demográfica.

O país possui uma das histórias mais longas entre todos os estados modernos, tendo sido continuamente habitado desde o 10º milênio a.C.,ref>Midant-Reynes, Béatrix. A Pré-História do Egito: desde o primeiro egípcios ao primeiro Reis. Oxford: Blackwell Publishers.</ref> Sua antiga civilização foi responsável pela construção de alguns dos monumentos mais famosos da humanidade, como as pirâmides de Gizé e a Grande Esfinge, tendo sido também uma das mais poderosas de seu tempo e uma das primeiras seis civilizações a surgir de forma independente no mundo. Suas ruínas antigas, como as de Mênfis, Tebas, e o templo de Karnak e Vale dos Reis, abigados na cidade de Luxor, são um foco importante de estudo arqueológico e interesse popular de todo o mundo. O rico legado cultural do Egito, bem como suas atrações, como o Mar Vermelho e os sítios arqueológicos, fizeram do turismo a parte vital da economia, empregando cerca de 12% da força de trabalho no país.

A economia egípcia é uma das mais diversificadas no Oriente Médio, com setores como o turismo, a agricultura, indústria e serviços em níveis de produção quase iguais. O Egito é considerado uma região e potência média, com influência cultural, política e militar significativa no Norte da África, no Oriente Médio e no mundo muçulmano.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

km.t (Kemet) em hieroglifos é
km m t
niwt

Um dos antigos nomes egípcios para o país, Kemet (kṃt), ou "terra negra" (de kem, "negro"), advém do solo fértil negro depositado pelas cheias do Nilo, distinto da "terra vermelha" (dechret, dšṛt) do deserto. O nome passou às formas kīmi e kīmə na fase copta da língua egípcia e aparece no grego primitivo como Χημία (Khēmía). Outro nome era t3-mry ("terra da ribeira"). Os nomes do Alto e do Baixo Egito eram Ta-Sheme'aw (t3-šmˁw), "terra da junça", e Ta-Mehew (t3 mḥw) "terra do norte", respectivamente.

Miṣr, o nome árabe moderno e oficial para o país, é de origem semita, diretamente relacionado com outros termos semíticos para o Egito, como o hebraico מִצְרַיִם (Mizraim), literalmente "os dois estreitos" (referência ao Alto e Baixo Egitos).[7] A palavra possuía originalmente a conotação de "metrópole" ou "civilização" e também significa "país" ou "terra de fronteira".

O termo português "Egito" deriva do grego antigo Αίγυπτος (Aígyptos), por meio do latim Aegyptus, e já era registado no vernáculo no século XIII.[8] [necessário verificar] A forma grega, por sua vez, advém do egípcio Ha-K-Phtah, "morada de Ptá", denominação de Mênfis, capital do Antigo Império.[9]

História[editar | editar código-fonte]

Pré-história[editar | editar código-fonte]

Os vestígios de ocupação humana no vale do Nilo desde o paleolítico assumem a forma de artefatos e petróglifos em formações rochosas ao longo do rio e nos oásis. No décimo milénio a.C., uma cultura de caçadores-recoletores e de pescadores substituiu outra, de moagem de grãos. Em torno de 8 000 a.C., mudanças climáticas ou o abuso de pastagens começou a ressequir as terras pastoris do Egito, de modo a formar o Saara. Povos tribais migraram para o Vale do Nilo, onde desenvolveram uma economia agrícola sedentária e uma sociedade mais centralizada.[10]

Por volta de 6 000 a.C., a agricultura organizada e a construção de grandes edifícios havia surgido no Vale do Nilo. Durante o neolítico, diversas culturas pré-dinásticas desenvolveram-se de maneira independente no Alto e no Baixo Egito. A cultura Badariana e a sua sucessora, a Naqada, são consideradas as precursoras da civilização egípcia dinástica. O sítio mais antigo conhecido no Baixo Egito, Merimda, antecede os badarienses em cerca de setecentos anos. As comunidades do Baixo e do Alto Egito coexistiram por mais de dois mil anos, mantendo-se como culturas separadas, mas com contatos comerciais frequentes. Os primeiros exemplos de inscrições hieroglíficas egípcias apareceram no período pré-dinástico, em artefatos de cerâmica de Naqada III datados de cerca de 3 200 a.C.[11]

Egito antigo[editar | editar código-fonte]

Pirâmides de Guiza (ou Gizé),[12] um dos monumentos mais emblemáticos do Antigo Egito.

Cerca de 3 150 a.C., o rei Menés (ou Narmer) fundou um reino unificado e estabeleceu a primeira de uma sequência de dinastias que governaria o Egito pelos três milênios seguintes. Posteriormente, os egípcios passaram a referir-se a seu país unificado com o termo tawy, "duas terras" e, em seguida, kemet (kīmi, em copta), "terra negra". A cultura egípcia floresceu durante este longo período e manteve traços distintos na religião, arte, língua e costumes. Às duas primeiras dinastias do Egito unificado seguiram-se o período do Antigo Império (c. 2 700-2 200 a.C.), famoso pelas pirâmides, em especial a pirâmide de Djoser (III Dinastia) e as pirâmides de Gizé (IV Dinastia).

O Primeiro Período Intermédio foi uma época de distúrbios que durou cerca de 150 anos. Mas as cheias mais vigorosas do Nilo e a estabilização do governo trouxeram prosperidade ao país no Médio Império (c. 2 040 a.C.), que atingiu o zénite durante o reinado do faraó Amenemés III. Um segundo período de desunião prenunciou a chegada da primeira dinastia estrangeira a governar o Egito, a dos hicsos. Estes invasores tomaram grande parte do Baixo Egito por volta de 1 650 a.C. e fundaram uma nova capital, em Aváris. Foram expulsos por uma força do Alto Egito chefiada por Amósis, quem fundou a XVIII Dinastia e transferiu a capital de Mênfis para Tebas.

O Novo Império (c. 1 550-1 070 a.C.) teve início com a XVIII Dinastia e marcou a ascensão do Egito como potência internacional que, no seu auge, se expandiu para o sul até Jebel Barkal, na Núbia, e incluía partes do Levante, no leste. Alguns dos faraós mais conhecidos pertencem a este período, como Ramsés I, Ramsés II, Aquenáton e sua mulher Nefertiti, Tutankhamon e Ramsés III. A primeira expressão do monoteísmo é desta época, com o atonismo. O país foi posteriormente invadido por líbios, núbios e assírios, mas terminou por expulsá-los a todos.

Egito ptolomaico e romano[editar | editar código-fonte]

Construída pela primeira vez no século III ou IV, a Igreja Suspensa é a mais famosa igreja ortodoxa copta do Cairo.

A XXX Dinastia foi a última de origem nativa a governar o país durante a era dos faraós. O último faraó nativo, Nectanebo II, foi derrotado pelos persas aqueménidas em 343 a.C.. Posteriormente, o Egito foi conquistado pelos gregos e, em seguida, pelos romanos, num total de mais de dois mil anos de controlo estrangeiro.

O cristianismo foi trazido ao Egito por São Marcos no primeiro século da era cristã. O reinado de Diocleciano marcou a transição entre os Impérios Romano e Bizantino no país, quando um grande número de cristãos foi perseguido. Naquela altura, o Novo Testamento foi traduzido para a língua egípcia. Após o Concílio de Calcedónia, em 451, uma Igreja Copta Egípcia foi firmemente estabelecida.[13]

Egito árabe e otomano[editar | editar código-fonte]

Os bizantinos recuperaram o controlo do país após uma breve invasão persa no início do século VII, mantendo-o até 639, quando o Egito foi tomado pelos árabes muçulmanos sunitas. Os egípcios começaram então a misturar a sua nova fé com crenças e práticas locais que sobreviveram através do cristianismo copta, o que deu origem a diversas ordens sufistas que existem até hoje.[14] Os governantes muçulmanos eram nomeados pelo Califado islâmico e mantiveram o controlo do país pelos seis séculos seguintes, inclusive durante o período em que o Egito foi a sede do Califado Fatímida. Com o fim da dinastia aiúbida, a casta militar turco-circassiana dos mamelucos tomou o poder em 1250 e continuou a governar até mesmo após a conquista do Egito pelos turcos otomanos em 1517.

A breve invasão francesa do Egito em 1798, chefiada por Napoleão Bonaparte, resultou num grande impacto no país e em sua cultura. Os egípcios foram expostos aos princípios da Revolução Francesa e tiveram a oportunidade de exercitar o auto-governo.[15] À retirada francesa seguiu-se uma série de guerras civis entre os turcos otomanos, os mamelucos e mercenários albaneses, até que Mehmet Ali, de origem albanesa, tomou o controlo do país e foi nomeado vice-rei do Egito pelos otomanos em 1805. Ali promoveu uma campanha de obras públicas modernizadoras, como projetos de irrigação e reformas agrícolas, bem como uma maior industrialização do país, tarefa continuada e ampliada por seu neto e sucessor, Ismail Paxá.

A Assembleia dos Delegados foi fundada em 1866 com funções consultivas e veio a influenciar de maneira importante as decisões do governo.[16]

Dominação britânica[editar | editar código-fonte]

Gravura de 1869 mostrando os primeiros barcos que usaram o canal de Suez entre Kantara and El-Fedane.

Embora vivenciasse um período de modernização, a má administração financeira do quediva Ismail Paxá e os enormes empréstimos contraídos com credores europeus - especialmente para a construção Canal de Suez - deixaram o Egito à beira da falência e o pretexto ideal para constantes ingerências dos governos do Reino Unido e da França no quedivato.[17] Em 1879, pressionado interna e externamente Ismael renunciou e seu filho, Tewfik Paxá, assumiu o poder local. Em 1880, foi declarada a moratória nacional e, no ano seguinte, credores europeus assumiram a tutela do fisco e das finanças egípcias.[18] A situação humilhante ampliou o descontentamento e a oposição ao regime Tawfik, e o desejo de se livrar da dominação estrangeira culminou na Revolucão Urabista, liderada pelo coronel nacionalista Ahmed Urabi.[17] A revolta foi esmagada em 1882 pelas forças britânicas, que intervieram a pedido do próprio quediva colaboracionista. Embora o Império Britânico tivesse prometido uma evacuação rápida das suas tropas, elas permaneceriam por 72 anos no Egito. Ainda que formalmente continuasse sob domínio do Império Otomano, quem mandava no quedivato eram os Altos Comissários Gerais britânicos, que por igual acumulavam a função protocolar de cônsules gerais do Império Britânico no Egito.[19] A ocupação colonial britânica semeou o incipiente sentimento nacionalista egípcio, que viu no Incidente de Dinshaway, em maio de 1906, seu episódio mais emblemático.[17] Embora surgissem os primeiros partidos políticos locais, a colonização se consolidaria oficialmente em 1914, quando os britânicos derrubaram o quediva Abbas II e declararam o Egito um protetorado militar.[17] [18] Hussein Kamil, tio de Abbas II, foi então nomeado sultão do Egito.[20] Após a Primeira Guerra Mundial, Saad Zaghlul e o Partido Wafd lideraram o movimento nacionalista egípcio. Quando o Reino Unido ordenou o exílio de Zaghlul e seus correligionários para Malta em 1919, houve uma grande revolta popular, e as constantes rebeliões por todo o sultanato levaram Londres a conceder independência nominal ao Egito.[21] Um sistema parlamentarista monárquico foi estabelecido e reconhecido pelos britânicos, na pessoa de Fuad I e promulgada uma nova constituição, embora o Reino Unido mantivesse a ocupação militar e controlasse as relações exteriores e as comunicações do país. De volta ao Egito, Saad Zaghlul foi eleito para o cargo de primeiro-ministro pelo voto popular, em 1924, mas renunciou no final desse ano. Novas eleições confirmaram outra vitória ao Wafd, mas o rei Fuad determinou o encerramento do parlamento e, em 1930, outorgou uma nova constituição ao Egito, que reforçava o poder da monarquia.[22] . Em 1936, foi assinado o tratado anglo-egípcio, pelo qual o Reino Unido se comprometia a defender o Egito e recebia o direito de manter tropas no canal de Suez. A continuidade da ingerência britânica no país e o aumento do envolvimento do rei do Egito na política desencadeou a Revolução de 1952, quando o Movimento dos Oficiais Livres derrubou militarmente o reinado de Rei Faruk, que abdicou em favor do seu filho Fuad.

República do Egito[editar | editar código-fonte]

Era Nagib[editar | editar código-fonte]

Após a a deposição de Faruk I, a monarquia egípcia continuou existindo formalmente, com Fuad II no trono, embora a Junta Militar tenha esvaziado de todos os poderes.[23] O monarca ficou no trono por 18 meses até a república ser proclamada em 18 de Junho de 1953, com o general Muhammad Nagib - número 1 do Conselho do Comando Revolucionário - tornando-se o primeiro presidente do Egito moderno. Os oficiais tentaram iniciar os trabalhos em conjunto com os políticos do país, mas surgiram os primeiros conflitos entre os militares no poder. Nagib era contrário ao afastamento dos civis do governo, era contrário que os militares assumissem todos os negócios do governo e alertava para o perigo de uma nova ditadura, uma vez que muitos dos responsáveis pela corrupção do governo anterior continuavam em seus postos.[23] Então com 51 anos, o general era mais velho que Nasser e gozava de boa reputação entre os oficiais mais novos, principalmente por ter sido um crítico feroz no período pré-revolucionário, conseguiu afastar o rival do centro de decisões.[23] Em fevereiro de 1954, as tensões entre as correntes de Nagib e Nasser eclodiram um enfrentamento. Apoiado por oficiais revolucionários mais radicais, Gamal Nasser assumiu o controle do Estado. O presidente deposto tentou resistir, mas fracassou e foi condenado à prisão domiciliar perpétua.[23] [24] Comandado por Nasser, o Conselho de Comando da Revolução liderou o Egito entre novembro de 1954 e junho de 1956.

Era Nasser[editar | editar código-fonte]

Nasser foi o primeiro líder egípcio a receber uma delegação da Fatah, em 1969.

Em 23 de junho de 1956, Gamal Abdel Nasser assumiu oficialmente o poder como presidente do Egito, após um referendo sobre uma nova constituição e sobre a sua eleição presidencial. Com sua personalidade carismática que, junto às suas reformas sociais e econômicas bem-sucedidades, lhe proporcionaram grande apoio popular, seu governo aboliu os partidos políticos, procedeu à reforma das estruturas agrárias, combateu o fundamentalismo islâmico e pôs em prática um processo de industrialização, do qual a construção a grande represa de Assuã era um dos projetos mais significativos.[24] Para isso, nacionalizou o Canal de Suez, o que provocou uma grave crise internacional.[23] Apesar de se aproximar da União Soviética, Nasser incentivou uma política de solidariedade com outras nações africanas e asiáticas do Terceiro Mundo, afirmando-se como um dos principais líderes de movimentos não-alinhados, pan-arabista e anti-imperialista.[24] Objetivando um socialismo adaptado à especificidade árabe e um primeiro passo em direção à unificação do mundo árabe, apostou em uma associação com a Síria, entre 1958 e 1961, que deu origem à República Árabe Unida. Em 1967, liderou o Egito na Guerra dos Seis Dias contra Israel, no qual os israelitas tomaram dos egípcios a Península do Sinai e a Faixa de Gaza. Em setembro de 1970, o general faleceu e foi sucedido por Anwar el Sadat.[23]

Era Sadat[editar | editar código-fonte]

Begin, Carter e Sadat em Camp David.

Sucedeu-o Anwar Al Sadat, que distanciou seu país da União Soviética e o aproximou dos Estados Unidos. Promoveu uma reforma económica chamada "Infitá" e suprimiu de maneira violenta tanto a oposição política quanto a religiosa. Em 1973, aproveitando de um feriado religioso judaico, força do Egito e da Síria atacaram de surpresa Israel, na chamada Guerra de Outubro (ou do Yom Kippur). Embora os israelenses conservam em seu poder os territórios ocupados desde 1967, tanto o Egito quanto Israel consideravam-se vencedores do conflito de 19 dias.[25] Em negociações secretas, Sadat buscava selar a paz com o governo israelense.[25] Pressionado, o então premiê israelense Menachem Begin convidou o dirigente egípcio para uma visita surpresa a Jerusalém em novembro de 1977, um gesto que abriu definitivamente o caminho para os acordos de paz de Camp David, mediado pelo então presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter.[26] O tratado gerou a saída israelita da península do Sinai, em troca do Egito reconhecer o Estado de Israel. A iniciativa provocou enorme controvérsia no mundo árabe e provocou a expulsão do Egito da Liga Árabe.[25] Sadat sequer chegou a ver completada a retirada das tropas israelenses do Sinai, pois foi assassinado em outubro de 1981 por fundamentalistas muçulmanos que o acusavam de "trair o mundo árabe com o acordo de paz". Israel devolveu o Sinai aos egípcios em 1982 e os dois estados estabeleceram relações diplomáticas.[26]

Era Mubarak[editar | editar código-fonte]

Centenas de milhares de pessoas celebram na Praça Tahrir, no Cairo, quando a renúncia de Hosni Mubarak é anunciada.

Com o assassinato de Anwar Sadat, assumiu o comando do Egito o vice-presidente Hosni Mubarak em 14 de novembro de 1981. Mubarak havia se destacado na Força Áerea egípcia pelo seu desempenho na guerra de Yom Kippur. Em 1995, ele sobreviveu a uma tentativa de assassinato durante uma visita à Etiópia. Por quase 24 anos, sempre se reelegeu por via de referendo popular como candidato único. Essa situação perdurou até 2005, quando houve a primeira eleição sob seu regime disputada por diversos candidatos. Mesmo assim, o ditador saiu vitorioso.[27] Inspirados nas manifestações insurrecionais ocorridas na Tunísia, milhares de egípcios foram as ruas em diversas cidades no país no dia 25 de janeiro de 2011 e iniciaram uma onda de protestos pedindo a saída do ditador do poder. A Praça Tahrir, no Cairo, transformou-se em um dos principais palco dos protestos, com milhares de pessoas desafiando o toque de recolher imposto pelo regime. Em 11 de fevereiro, Mubarak renunciou à presidência e passou o poder ao Exército, encerrando três décadas de governo autocrático.[28]

Depois da Revolução[editar | editar código-fonte]

Em 23 de junho de 2012, Mohamed Morsi, candidato da Irmandade Muçulmana, venceu o primeiro pleito presidencial pós-Mubarak, derrotando o opositor vinculado ao antigo ditador e se tornando o primeiro presidente civil eleito democraticamente no Egito. Mas seu governo foi marcado por muitas polêmicas com a oposição, que o acusou de impor uma nova Constituição sectária e forçar a "islamização" do Egito.[29] Depois de novas manifestações pró e anti-Morsi, no começo de julho, a oposição deu um ultimato de 24 horas a Morsi para que renunciasse, e o movimento Tamarod (rebelião, em árabe) pedia que o Exército tomasse uma posição clara "ao lado da vontade popular". Os militares estipularam 48h para a classe política entrar em acordo e, em 03 de julho, depuseram Mohamed Morsi e suspenderam a Constituição.[29] Violentos protestos contra o golpe se seguiram e tomaram conta das principais cidades do país, incluindo a capital Cairo.[30]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Com uma área de 1 001 450 km²,[31] o Egito é o 29º maior do mundo, um pouco maior do que o estado brasileiro do Mato Grosso e duas vezes o território da França. Entretanto, devido à aridez do clima do país, os centros urbanos estão concentrados ao longo do estreito vale do rio Nilo e no Delta do Nilo, razão pela qual 99% da população egípcia usam apenas 5,5% da área total.[32]

As inundações do rio Nilo foram o fundamento da economia do país durante milênios. Tal fenômeno foi alterado pela construção da represa de Assuã, que apesar de controverso, e ter causado deslocamento massivo, trouxe benefícios para a agricultura, pois permitiu o cultivo de novas culturas como algodão e cana-de-açúcar, além de beneficiar as culturas tradicionais como trigo, arroz e milho, além disso a geração da energia hidrelétrica permitiu algum desenvolvimento industrial[33] .

O Egito faz fronteira com a Líbia a oeste, o Sudão a sul e Israel e a Faixa de Gaza a nordeste. O país controla o canal de Suez, que liga o Mediterrâneo ao Mar Vermelho e, por conseguinte, ao oceano Índico.

Também pertence ao Egito a península do Sinai, na Ásia, a qual, ligada ao restante do país pelo istmo de Suez, caracteriza-o como um estado transcontinental.

Fora do vale do Nilo, a maior parte do território egípcio é composto por desertos sobretudo rochosos. Nas áreas de areia, os ventos criam dunas que podem ultrapassar 30 m de altura. O país inclui uma parte considerável do Deserto da Líbia, o qual faz parte do Saara, a "terra vermelha", como os chamavam os antigos egípcios, que protegia o reino dos faraós de ameaças a oeste. Os outros desertos são o Oriental ou Arábico, que ocupa a faixa entre a margem direita do Nilo e o Mar Vermelho, e o do Sinai, na península da Arábia.

Além da capital, Cairo, as outras cidades importantes do Egito são Alexandria, Almançora, Assuão, Assiut, El-Mahalla El-Kubra, Gizé, Hurghada, Luxor, Kom Ombo, Safaga, Porto Said, Sharm el Sheikh, Shubra El-Kheima, Suez e Zagazig. Os principais oásis são Bahariya, Dakhla (ou Dakhleh), Farafra, Kharga e Siuá (ou Siwa).

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

A grande bacia hidrográfica do país é a do Nilo, cujo curso total, com 6 696 km de extensão, é único a atravessar os desertos do NE africano até atingir o Mediterrâneo. A região do vale do Nilo, situada ao sul de Assuão, é quase desértica. A partir de Assuão, onde se localizam a primeira catarata e a grande represa do mesmo nome, o rio corre num leito estreito (2 a 10 km de largura), atingido sua largura máxima em Kom-Ombo (15Km). Nessa região, o vale é ladeado por uma cadeia de colinas rochosas com altitude média de 300 m. A 5 km ao norte do Cairo, o rio divide-se em dois braços principais, formando um dos delta mais férteis do mundo.

Clima[editar | editar código-fonte]

A precipitação é baixa no Egito, excepto nos meses de inverno nas regiões mais a norte.[34] Ao sul do Cairo, a precipitação média é de apenas cerca de 2 a 5 mm ao ano, em intervalos de muitos anos. Numa faixa estreita do litoral norte, chega a 410 mm,[35] concentrada principalmente entre Outubro e Março. As montanhas do Sinai e algumas cidades litorâneas ao norte, como Damieta, Baltim, Sidi Barrany e, mais raramente, Alexandria, vêem neve.

As temperaturas médias situam-se entre 27 e 32 °C no verão, chegando a 43 °C no litoral do mar Vermelho, e entre 13 e 21 °C no inverno. Um vento constante de noroeste ajuda a baixar a temperatura no litoral mediterrâneo. Outro vento, o Khamsin, sopra do sul na primavera, trazendo areia e poeira, e pode elevar a temperatura no deserto para mais de 38 °C.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Densidade populacional no Egito (pessoas por km²).

A população egípcia é estimada em 81 milhões de habitantes (2008), e está quase toda (98%) concentrada no vale e no delta do Rio Nilo (Nahr-an-Nil), que representa 30% do total do território daquele país[6] , havendo entretanto um importante núcleo populacional na cidade de Suez, situada junto ao Canal de Suez. É o segundo país mais populoso de África.

A esperança média de vida ao nascer é de 74,15 anos (estimativa de 2013), distribuída em 72,2 anos para os homens e 76,10 anos para as mulheres.[carece de fontes?]

O árabe é a língua oficial; inglês e francês são utilizados por uma elite culta; o copta é utilizado pela minoria cristã em práticas religiosas; há minorias que falam idiomas bérberes, núbio[6] ou oromo[33] .

Cerca de 42% dos egípcios vivem em cidades. As mais populosas são o Cairo (a cidade mais populosa do continente africano com 6 789 000 habitantes, segundo dados de 1998) e Alexandria (3 328 000 habitantes). Ao longo do século XX verificou-se uma migração das populações rurais para as cidades, o que se traduziu no surgimento nestas de problemas de saneamento básico, poluição e falta de habitações condignas.[carece de fontes?]

Religião[editar | editar código-fonte]

Mesquita Muhammad Ali, no Cairo.

A religião maioritária do Egito é o islã sunita, aproximadamente 90% da população[37] [38] [39] . A maior minoria religiosa são os coptas (9% da população). Outras minorias religiosas são os ortodoxos gregos e armênios, tanto católicos quanto protestantes.

Nesta zona viviam os judeus, ainda que em pequeno número, de importância econômica. Eles abandonaram o país em 1956, quando forças armadas de Israel, França e Grã-Bretanha atacaram o Egito.

Em 1992 começou uma campanha de violência armada, concentrado em Cairo e no Alto Egito, cujo principal objetivo era estabelecer um governo baseado em uma lei islâmica escrita. As principais vítimas da violência foram funcionários governamentais e turistas. A Organização de Direitos Humanos determinou que o governo egípcio parasse a discriminação contra as vítimas. As leis relativas à construção das igrejas e a prática aberta da religião têm recentemente diminuído, mas o importante trabalho de construção nas igrejas ainda requerem a permissão do governo.

Etnias[editar | editar código-fonte]

A população egípcia é composta por diversas etnias, a maioria tem suas origens em um povo semítico-camítico; há uma minoria de beduínos, que mantém uma organização e práticas tribais e nômades na área desértica do país; o terceiro maior grupo étnico são os núbios, um povo africano estabelecido há milhares de anos no Alto Nilo. Há uma considerável herança étnica dos povos que passaram pelo território: romanos, gregos, turcos, circassianos, ingleses e franceses.

Os núbios são um grupo minoritário do país, oriundo de uma região corresponde ao sul do Egito e ao norte do Sudão. Quando as suas terras foram submergidas pelo Lago Nasser, tiveram que mudar-se para Kom Ombo.[carece de fontes?] No século XIX fixaram-se no Egito comunidades estrangeiras compostas por gregos, italianos, britânicos e franceses; desde que se deu a independência do país, estas populações têm diminuído. A outrora ativa e influente comunidade judaica egípcia praticamente desapareceu; alguns judeus visitam o país em ocasiões religiosas.

Política[editar | editar código-fonte]

Mohamed Morsi, membro da Irmandade Muçulmana e primeiro presidente do país eleito democraticamente.

O Egito tem a mais antiga tradição parlamentar contínua no mundo árabe. [40] Sua primeira assembleia popular foi criada em 1866. Foi licenciado pela ocupação britânica de 1882 - a potência ocupante permitiu apenas a existência de órgão consultivo. O nacionalismo egípcio antecedeu o seu homólogo árabe em muitas décadas, tendo raízes no século 19, tornando-se o modo dominante de expressão de ativistas e intelectuais anti-coloniais egípcios até o início do século 20.[41] Em 1923, no entanto, após a libertação colonial do país, uma nova constituição previa uma monarquia parlamentar.[40]

O Egito é uma república desde 18 de junho de 1953. Atualmente, seu parlamento é bicameral, formado pela Assembleia do Povo (câmara baixa, com representantes eleitos para um mandato de 5 anos) e Conselho Shura (câmara alta, com representantes eleitos para um mandato de 6 anos).[42] – e as eleições acontecem em três etapas, divididas pelos "governorates" (Estados). Em cada etapa, nove Estados são convocados às urnas. O resultado de cada consulta é divulgado exatamente uma semana depois de cada sufrágio.[42] A Assembleia é composta por 454 membros, dos quais 444 eleitos a cada cinco anos (desde 1986, 400 deputados por listas de partidos e 44 como candidatos diretos sem partido) e dez são nomeados pelo chefe de Estado. O Conselho é o órgão legislativo formado por 210 membros, dos quais dois terços são eleitos e o terço restante nomeado pelo chefe de Estado.

Política externa[editar | editar código-fonte]

Missões diplomáticas do Egito.

O Egito exerce uma grande influência política na África e no Médio Oriente[carece de fontes?] e as suas instituições intelectuais e islâmicas estão no centro do desenvolvimento social e cultural da região. A sede da Liga Árabe encontra-se no Cairo; tradicionalmente, o secretário-geral da organização é egípcio.

O Egito foi o primeiro país árabe a estabelecer relações diplomáticas com Israel depois da assinatura dos acordos de Camp David, em 1978. O ex-vice-primeiro-ministro Boutros Boutros-Ghali foi secretário-geral das Nações Unidas entre 1991 e 1996.

Símbolos nacionais[editar | editar código-fonte]

A bandeira nacional é composta por 3 faixas horizontais de mesmo tamanho. As faixas são vermelha, branca e preta. A origem dos elementos desta bandeira está no Império Turco-Otomano.

O brasão de armas (em árabe: شعار مصر) é composto por uma águia dourada a olhar para a esquerda (dexter). A "águia de Saladino" ostenta uma inscrição nas suas garras em que o nome do estado aparece escrito em árabe, Jumhuriyat Misr al-Arabiya ("República Árabe do Egito"). A águia carrega no seu peito um escudo com as cores da bandeira - mas com uma vertical, em vez de uma configuração horizontal.

"Bilady, Bilady, Bilady" (Minha Pátria, Minha Pátria, Minha Pátria) é o hino nacional do Egito, composto por Sayed Darwish.

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

O Egito divide-se administrativamente em 27 províncias (mohafazat, em árabe); administradas por governadores nomeados pelo presidente:

Províncias do Egito.
No. Nome Área (km²) População (2006) Capital
1 Dakahlia 3 471 4 985 187 Almançora[43]
2 Mar Vermelho[44] 203 685 288 233 Hurghada
3 Al-Buhaira[45] 10 130 4 737 129 Damanhur
4 Faium[46] 1 827 2 512 792 Faium
5 Garbia[47] 1 942 4 010 298 Tanta
6 Alexandria 2 679 4 110 015 Alexandria
7 Ismaília[48] 1 442 942 832 Ismaília
8 Guizé[49] 85 153 6 272 571 Guizé
9 Monufia 1 532 3 270 404 Xibin El Kom
10 Minya 32 279 4 179 309 Minya
11 Cairo 214 7 786 640 Cairo
12 Qaliubia 1 001 4 237 003 Banha
13 Luxor 55 451 318 Luxor
14 Vale Novo[50] 376 505 187 256 Kharga
15 Xarqia[51] 4 180 5 340 058 Zagazig
16 Suez 17 840 510 935 Suez
17 Assuão[52] 679 1 184 432 Assuão
18 Assiut[53] 25 926 3 441 597 Assiut
19 Beni Suef 1 322 2 290 527 Beni Suef
20 Porto Said[54] 72 570 768 Porto Said
21 Damieta 589 1 092 316 Damieta
22 Sinai do Sul 33 140 149 335 El-Tor
23 Kafr el-Sheikh 3 437 2 618 111 Kafr el-Sheikh
24 Matruh 212 112 322 341 Marsa Matruh
25 Qina 1 851 3 001 494 Qina
26 Sinai do Norte 27 574 339 752 Alarixe[55]
27 Sohag 1 547 3 746 377 Sohag

Economia[editar | editar código-fonte]

Vista do Cairo, a maior cidade da África e do Oriente Médio. O turismo é uma grande fonte de renda para o Egito.
Ponte do Canal de Suez.

A economia do Egito baseia-se principalmente na agricultura, media, exportações de petróleo[carece de fontes?] e turismo. Mais de três milhões de egípcios trabalham no exterior, em especial na Arábia Saudita, no golfo Pérsico e na Europa. A construção da barragem de Assuão e do lago Nasser, em 1971, alterou a influência histórica do rio Nilo sobre a agricultura e a ecologia do país. O rápido crescimento populacional, a quantidade limitada de terra cultivável e a dependência do rio Nilo continuam a sobrecarregar os recursos e a economia.

O governo tem lutado para preparar a economia para o novo milênio, por meio de reformas económicas e investimentos maciços em comunicações e infra-estrutura física. Desde 1979, o Egito recebe em média 2,2 mil milhões de dólares em ajuda dos Estados Unidos. Sua principal fonte de renda, porém, é o turismo, bem como o tráfego do canal de Suez.

O país dispõe de um mercado de energia desenvolvido e que se baseia no carvão, petróleo, gás natural e hidroelétricas. O nordeste do Sinai possui depósitos de carvão consideráveis, que são explorados à taxa de cerca de 600 000 toneladas ao ano. Produzem-se petróleo e gás na Península do Sinai[6] [33] , nas regiões desérticas a oeste, no golfo de Suez e no delta do Nilo. As reservas egípcias de gás são enormes, estimadas em mais de 1 100 000 metros cúbicos nos anos 1990, e o país exporta GLP.

Após um período de estagnação, a economia começou a melhorar, com a adopção de políticas económicas mais liberais, que se juntaram ao aumento das receitas turísticas e a um mercado de acções em alta. No seu relatório anual, o FMI avaliou o Egito como um dos principais países do mundo a empreender reformas económicas, que incluem um corte dramático das tarifas de importação. Um novo código tributário, promulgado em 2005, reduziu de 40% para 20% o imposto de renda das pessoas jurídicas e permitiu aumentar a arrecadação em 100% em 2006.

A captação de investimento estrangeiro direto (IED) aumentou consideravelmente nos últimos anos, chegando a mais de 6 mil milhões de dólares em 2006, devido às medidas de liberalização económica. Espera-se que o Egito ultrapasse a África do Sul como maior captador africano de IED em 2007.

Um dos principais obstáculos com que se defronta a economia é a distribuição de renda. Muitos egípcios criticam o governo pelos altos preços de produtos básicos, já que seu padrão de vida e poder aquisitivo permanecem relativamente estagnados.

O PIB do Egito alcançou 107 484 mil milhões de dólares em 2006.[56] Os principais parceiros comerciais do Egipto são os Estados Unidos, a Itália, o Reino Unido e a Alemanha. O Egito está listado entre as economias dos "Próximos Onze".

Cultura[editar | editar código-fonte]

A Bibliotheca Alexandrina é uma homenagem a antiga Biblioteca de Alexandria, na segunda maior cidade do país.

A cultura egípcia tem seis mil anos de história registrada. O Antigo Egito esteve entre as primeiras civilizações complexas a surgirem no planeta e por milênios manteve uma cultura impressionante intrincada e estável que influenciou as culturas posteriores da Europa, Oriente Médio e outros países africanos. Depois da era faraônica, o próprio Egito ficou sob a influência do helenismo, do cristianismo e da cultura islâmica. Atualmente, muitos aspectos da cultura antiga do Egito existem na interação com os elementos mais recentes, incluindo a influência da cultura ocidental moderna, em si, com as raízes do Egito antigo.

A capital do país, a cidade do Cairo, é a maior cidade da África e é conhecida há séculos como um centro de cultura, aprendizado e comércio. O Egito tem o maior número de prêmios Nobel na África e no mundo árabe. Alguns políticos egípcios nascidos estiveram ou estão no comando de grandes organizações internacionais como Boutros Boutros-Ghali das Nações Unidas e Mohamed ElBaradei da AIEA.

O Egito é reconhecido por ser um criador de tendências culturais no mundo da língua e da cultura árabe contemporânea, influenciados fortemente pela literatura, música, cinema e televisão egípcia. O país ganhou um papel de liderança regional durante os anos de 1950 e 1960, o que deu um novo impulso duradouro para o estatuto da cultura egípcia no mundo árabe.[57]

Feriados nacionais[editar | editar código-fonte]

Data Nome em português Nome local
13 de abril Festa da Águia Aguy Misr Pap

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Apesar de haver dúvidas quanto à eventual existência de dupla grafia

Referências

  1. a b c ILTEC. Dicionário de Gentílicos e Topónimos (Egito). Portal da Língua Portuguesa. Página visitada em 11 de fevereiro de 2011.
  2. a b Egypt: Report for Selected Countries and Subjects. FMI. Página visitada em 28 de maio de 2013.
  3. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD): Relatório de Desenvolvimento Humano 2013 – Ascensão do Sul: progresso humano num mundo diversificado (14 de março de 2013). Página visitada em 15 de março de 2013.
  4. Pedro Mendes (1 de Fevereiro de 2011). Dúvida Línguística — Egipto / Egito. FLiPPriberam Informática, S.A.. Página visitada em 11 de Fevereiro de 2011.
  5. Rocha, Carlos (23 de fevereiro de 2012). A pronúncia e a grafia. Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. Página visitada em 26 de fevereiro de 2012.
  6. a b c d Guia del Mundo 2007, acessado em 07 de fevereiro de 2011
  7. Biblical Hebrew E-Magazine. Janeiro de 2005
  8. Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa.
  9. Enciclopédia Mirador Internacional, verbete "Egito".
  10. Midant-Reynes, Béatrix. The Prehistory of Egypt: From the First Egyptians to the First Kings. Oxford: Blackwell Publishers.
  11. Bard, Kathryn A. Ian Shaw, ed. The Oxford Illustrated History of Ancient Egypt. Oxford: Oxford University Press, 2000. p. 69.
  12. Este artigo tem como referência, em relação aos nomes de lugares e de pessoas, a grafia adoptada na obra Dicionário do Antigo Egito, dir. Luís Manuel de Araújo. Lisboa: Editorial Caminho, 1999. ISBN 972-21-1447-6.
  13. Kamil, Jill. Coptic Egypt: History and Guide. Cairo: Universidade Americana do Cairo, 1997. p. 39
  14. El-Daly, Okasha. Egyptology: The Missing Millennium. London: UCL Press, 2005. p. 140
  15. Vatikiotis, P.J. The History of Modern Egypt. 4a. edição. Baltimore: Johns Hopkins University, 1992, p. 39
  16. Jankowski, James. Egypt: A Short History. Oxford: Oneworld Publications, 2000. p. 83
  17. a b c d Boahen, Albert Adu. História Geral da África – Vol. VII – África sob dominação colonial, 1880-1935. [S.l.]: Unesco, 2010. ISBN 978-85-7652-129-7
  18. a b José Luís Fiori: O Brasil no Império Americano - Revista Educação Pública, Rio de Janeiro
  19. Britânicos dominaram Egito por sete décadas - Terra, 11 de Fevereiro de 2011
  20. Jankowski, op cit., p. 111
  21. Jankowski, op cit., p. 112
  22. Jeferson Perez: O Egito de Faruk até Mubarak - Colégio Cenecista, 3 de março de 2011
  23. a b c d e f Hoje na História: 1952 - No Egito, militares depõem rei Faruk e abrem espaço para Gamal Nasser - Opera Mundi, 18 de junho de 2012
  24. a b c Gamal Abd el-Nasser - UOL Educação, sem data
  25. a b c 1979: Egito e Israel assinam o Acordo de Camp David - DW, 26 março de 2009
  26. a b Veja histórico de acordos de paz para o Oriente Médio - BBC, 02 de setembro de 2010
  27. Mubarak assumiu após assassinato de presidente; veja cronologia - Folha de S.Paulo, 10 de fevereiro de 2011
  28. Veja cronologia da queda do ditador egípcio Hosni Mubarak - Folha de S.Paulo, 11 de fevereiro de 2011
  29. a b Entenda a crise política no Egito- G1, 02 de julho de 2012
  30. "Comunidade internacional condena violência no Egito". Página acessada em 14 de agosto de 2013.
  31. Lista ordenada de países, CIA (em inglês)
  32. Hamza, Waleed. Land use and Coastal Management in the third Countries; Egypt as a case (pdf) (em inglês). www.oceandocs.org. Departamento de Biologia da Universidade dos Emirados Árabes Unidos. Arquivado do original em 2010-07-03. Página visitada em 2010-07-03.
  33. a b c Enciclopédia do Mundo Contemporâneo, 3ª Ed. rev e atualizada - São Paulo Publifolha, Rio de Janeiro: Editora Terceiro Milênio, 2002, p 245
  34. Soliman, KH. Rainfall over Egypt. Quarterly Journal of the Royal Meteorological Society, vol. 80, issue 343, pp. 104-104.
  35. Marsa Matruh, Egypt (em inglês). www.weatherbase.com. Weatherbase. Arquivado do original em 2010-07-03. Página visitada em 2010-07-03.
  36. Egypt: largest cities and towns and statistics of their population. World Gazetteer (2010). Página visitada em 19 de julho de 2010.
  37. Egypt from “The World Factbook”. American Central Intelligence Agency (CIA) (4 de setembro de 2008). Página visitada em 4 de setembro de 2008.
  38. United States Department of State (30 de setembro de 2008). Egypt from “U.S. Department of State/Bureau of Near Eastern Affairs”.
  39. Egypt from “Foreign and Commonwealth Office”. Foreign and Commonwealth Office -UK Ministry of Foreign Affairs (15 de agosto de 2008).
  40. a b Brown, Nathan J.. Mechanisms of Accountability in Arab Governance: The Present and Future of Judiciaries and Parliaments in the Arab World. [S.l.]: Programme on Governance in the Arab Region, 2001.
  41. Jankowski, James. Egypt and Early Arab Nationalism. [S.l.]: The Origins of Arab Nationalism, 1990. 244–45 p.
  42. a b Abundância de partidos políticos confunde egípcios na véspera das eleições - Opera Mundi, 27 de novembro de 2011
  43. Forma vernácula para o árabe المنصورة al-manṣūrah (em inglês: El Mansoura), que o Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa (DOELP), de José Pedro Machado, registra como topônimo. Este vocábulo árabe é a forma feminina de منصور manṣūr ("vencedor").
  44. O nome da província é, literalmente, "Mar Vermelho", ou البحر الأحمر El Bahr El Ahmar.
  45. Do árabe البحيرة al-buhairâ, "lago", "lagoa". Segundo o DOELP, em português, o termo árabe deu origem ao substantivo masculino "albufeira" (isto é, laguna ou lago artificial) e a pelo menos cinco topônimos em Portugal chamados Albufeira (Algarve, Borba, Elvas, Mourão e Sesimbra).
  46. Forma vernácula para o topônimo preconizada pelo DOELP.
  47. Forma vernácula para o árabe الغربية al-garbia ("ocidental"), registrada pelo DOELP como topônimo. O nome completo da província, محافظة الغربية‎ Muhāfazat al-Gharbiyya, significa "província ocidental".
  48. Forma vernácula preconizada pelo DOELP. A língua portuguesa recebeu-a por intermédio do francês Ismaïlia. Trata-se de homenagem a Ismail Paxá, quediva do Egito.
  49. Segundo o DOELP, forma vernácula do árabe الجيزة al-jizâ, pronunciado guizé no Egito. A língua portuguesa recebeu-a por intermédio do francês Guizé. Também são comuns em português a grafia e a pronúncia Gizé.
  50. O nome da província é, literalmente, "Vale Novo", ou البالوادى الجديد al-Wādī al-djadīd.
  51. O nome completo da província, محافظة الشرقية‎ Muhāfaza a-Xarqiia, significa "província oriental". O DOELP (verbete "sarracenos") translitera como "xarqii" o termo para "oriental" em árabe.
  52. Ou "Assuã", em português do Brasil.
  53. Única forma vernácula registrada pela Mirador.
  54. Forma registrada pela Mirador. O DOELP registra apenas a alternativa Porto Saíde. A língua portuguesa recebeu esta forma por intermédio do francês Port-Saïd. Trata-se de homenagem a Said Paxá, filho de Mehmet Ali.
  55. Forma vernácula para o árabe العريش al-ʿArīx ("vinha"), segundo o DOELP.
  56. Banco Mundial, World Development Indicators database (em inglês), 11 de abril de 2008.
  57. MIDEAST: Egypt Makes Cultural Clout Count (IPS, Oct. 29, 2009). Ipsnews.net (29 October 2009). Página visitada em 25 August 2010.

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