Agrotóxico

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Locust from the plague in Palestine, 1915.jpg
Tipos de pesticidas

Acaricidas
Bactericidas
Fungicidas
Herbicidas
Inseticidas
Moluscicidas
Nematicidas
Rodenticidas


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Agrotóxicos, defensivos agrícolas, pesticidas, praguicidas, desinfectantes, biocidas, agroquímicos ou produtos fitofarmacêuticos ou ainda produtos fitossanitários[1] ) são designações genéricas para os vários produtos químicos usados ​​na agricultura. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define pesticide ou plaguicida como toda substância capaz de controlar uma praga, em sentido amplo, que possa oferecer risco ou incômodo às populações e ambiente.[2]

É uma substância ou mistura de substâncias destinada a impedir a ação ou matar diretamente insetos (inseticidas), ácaros (acaricidas), moluscos (moluscicidas), roedores (rodenticidas), fungos (fungicidas), ervas daninhas (herbicidas), bactérias (antibióticos e bactericidas) e outras formas de vida animal ou vegetal prejudiciais à saúde pública e à agricultura, isto é, consideradas como pragas e, portanto, suscetíveis de serem combatidos durante a produção, armazenamento, transporte, distribuição e transformação de produtos agrícolas e seus derivados. Entre os agrotóxicos também se incluem os desfolhantes, dessecantes e as substâncias reguladoras do crescimento vegetal ou fitorreguladores.[3] Também podem ser incluídos os fertilizantes sintéticos, hormônios e outros agentes químicos do crescimento, bem como fontes concentradas de estrume animal cru.[4] [5] [6]

Medicamentos de uso para humano ou veterinário e mecanismos de controle biológico estariam fora desta denominação.

O armazenamento de grandes quantidades de agrotóxicos pode representar significativos riscos ambientais e à saúde humana, particularmente no caso de derramamentos acidentais. Em muitos países, o uso de agrotóxicos é altamente regulamentado. Autorizações emitidas pelo governo aprovando a compra e uso de agrotóxicos podem ser necessárias. Penalidades significativas pode resultar da utilização indevida, incluindo armazenamento inadequado, resultando em derramamento. Nas fazendas são exigidas instalações de armazenamento e rotulagem adequada, equipamentos de limpeza e procedimentos de emergência, e equipamentos de segurança e procedimentos para manuseio. A aplicação e disposição são muitas vezes sujeitas a normas e regulamentos obrigatórios. Normalmente, os regulamentos são definidos através do processo de registro.

De acordo com Agrow, a Bayer CropScience liderou a indústria de agrotóxicos em vendas em 2007. A Syngenta foi a segunda, seguida pela BASF, Dow AgroSciences, Monsanto e DuPont.[7]

Agrotóxicos[editar | editar código-fonte]

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O problema é que num passado recente houve um mal uso de reais agrotóxicos persistentes, os organoclorados. Um organoclorado como o BHC pode resistir na natureza e no organismo humano por mais de trinta anos, se tornando num dos piores poluentes da história. Ocorreu que quando seus malefícios e sua persistência foram descobertos, havia toda uma atitude de inocência coletiva em relação a eles. Chegou-se ao ponto em que médicos bem intencionados prescreviam o uso de DDT, outro organoclorado perigoso, para o controle de verminoses e piolhos. Um resquício cultural desses tempos está no termo “dedetizar” que usamos quando nos referimos a expurgar baratas, moscas e outras pragas domesticas que ameaçam nossa saúde. Dedetizar se refere ao tempo em que as casas eram pulverizadas com DDT sem que se soubesse do risco.

Os diversos agroquímicos e dentre eles os agrotóxicos podem ser inseticidas, fungicidas, acaricidas, hematicidas, herbicidas, bactericidas, vermífugos. Podem ainda ser tóxicas os solventes, tintas, lubrificantes, produtos para limpeza e desinfecção de estábulos e outros.

Convém lembrar que muitos dos mesmos princípios ativos usados como agroquímicos, e mesmo agrotóxicos, são também usados como medicamentos humanos diferindo apenas na concentração e forma de apresentação. Milhões de vidas tem sido salvas de verminoses, doenças fúngicas e várias outras por medicamentos que usam exatamente as mesmas moléculas usadas de outra forma para o controle de pragas e doenças agrícolas, pecuárias e também de animais de estimação.

Agrotóxicos são um dos meios técnicos(junto com a mecanização) que possibilitaram a Revolução Verde.

Os agrotóxicos de longa persistência que foram usados no passado atualmente estão banidos, pois além de serem compostos de alta toxicidade aos seres humanos,também persistem por vários anos nos ecossistemas, causando sérios desequilíbrios. Não é mais possível encontrá-los no mercado, e sua posse, transporte e uso são crimes previstos em lei com punição de multa, cadeia e destruição das lavouras onde tenham sido usados.

Quando usados fora das estritas especificações, os agrotóxicos podem mesmo representar graves conseqüências para nossa saúde e meio ambiente. O mecanismo mais comum de funcionamento dos agroquímicos e agrotóxicos é a inibição da enzima aceticolinesterase, o que leva a um excesso do neurotransmissor acetilcolina, produzindo um colapso sináptico generalizado e a morte do inseto por asfixia. Como esse mecanismo de ação implica riscos humanos e animais, além de matar insetos benéficos e desejáveis, grandes verbas têm sido empregadas no desenvolvimento de novas moléculas com alta seletividade quanto às pragas alvo. São substâncias atóxicas aos mamíferos e à maioria dos insetos, mas letais para a praga específica a que se destina. Um exemplo são os inseticidas fisiológicos inibidores da síntese de quitina. Eles atuam somente sobre as lagartas nas plantas pulverizadas, inibindo a ecdise (troca de exoesqueleto), sem afetar nenhum outro inseto, nem mesmo os adultos dessas pragas, nem outras pragas que estejam atacando a mesma lavoura ou insetos que habitem as matas próximas.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

de acordo com a lei federal nº 7.802: Agrotóxicos são os produtos e os agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e beneficiamento dos produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas, nativas ou implantadas, e de outros ecossistemas [e também de ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa dos seres vivos considerados nocivos. [8]


Existem cerca de 15.000 formulações para 400 agrotóxicos diferentes, sendo que cerca de 8.000 encontram-se licenciadas no Brasil, que é o MAIOR consumidor de agrotóxicos no mundo, segundo a Anvisa - Agência Nacional de Vigilância Sanitária. O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos apontou problemas de contaminação em vários produtos agrícolas, como o pimentão, o morango e o pepino, que lideraram o ranking dos alimentos com o maior número de amostras contaminadas, em 2010. Nessas amostras a Anvisa detectou a presença de resíduos de agrotóxicos acima do permitido e o uso de agrotóxicos não autorizados para essas culturas.[9]

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou os efeitos tóxicos dessas substâncias em classe I (extremamente perigosos) até a classe IV (muito pouco perigosos). A maioria dos agrotóxicos de Classe I é proibida ou estritamente controlada não só no mundo industrializado mas também no Brasil, Argentina e outras potências agrícolas, embora possam não o ser em países emergentes onde os agrotóxicos de classe I estão, muitas vezes, livremente disponíveis em lugares que não têm os recursos para o uso de produtos mais seguros.

Os organofosforados e carbamatos são inseticidas mais utilizados atualmente a também são absorvidos pelas vias oral, respiratória e dérmica. Seus efeitos são alteração do funcionamento dos músculos cérebro e glândulas.

As piretrinas são inseticidas naturais ou artificiais. São instáveis à luz e por isso não se prestam à agricultura. São usados em ambientes domésticos na forma de spray, espirais ou em tabletes que se dissolvem ao aquecimento. São substâncias alergizantes e desencadeiam crises de asma e bronquites em crianças.

O herbicida Paraquat oferece grande risco se mal utilizado. É um herbicida que mata a parte aérea de todos os tipos de plantas, não afetando seu sistema radicular. Porém, é um íon altamente instável que se decompõe rápidamente sem deixar resíduos. Na ausência de procedimentos regulamentares, contaminações com a substância causam lesões nos rins. Resíduos concentram nos pulmões, causando fibrose irreversível.

Os principais clorofenóis são o 2.4-D e o 4.5-T, que são cancerígenos. O agente laranja, usado na Guerra do Vietnã, é uma mistura do 2.4-D e do 2.4.5-T.aaaal

Informações complementares[editar | editar código-fonte]

Além dos dados acima, alguns pontos merecem ser levantados. Atualmente, 6 a 8 empresas detêm o oligopólio da produção de agrotóxicos no mundo. Em 1981 a Alemanha vendeu 2 fábricas de venenos para o Iraque matar os curdos.[carece de fontes?]

O Tamarron matou 16 pessoas em um ano na Costa Rica.

Milhares de jovens, às vezes com menos de 18 anos, são quimicamente castrados pelo DDCT (Bromocloropropano), que deixou de ser fabricado nos EUA em 1970.

Na UE uma pessoa só pode comprar fosforados após um curso de 60 horas e depois de receber carteira de autorização para usar o agrotóxico no município. Embora ainda não obrigatórios no Brasil, tais cursos são frequentes no meio rural e contam com grande procura, e se pode comprar os produtos com um documento assinado por um agrônomo responsável.

Boa parte das fábricas de agrotóxicos atualmente estão países do Terceiro mundo, notadamente China e Índia, embora a indústria química europeia continue contribuindo com grande parcela do suprimento brasileiro.

O uso negligente de agrotóxicos tem causado diversas vítimas fatais, além de abortos, fetos com malformação, suicídios, câncer, dermatoses e outras doenças. Segundo a OMS, há 20.000 óbitos/ano em consequência da manipulação, inalação e consumo indireto de pesticidas nos países em desenvolvimento, como o Brasil. Já foram registrados casos de transmissão de leucemia para o feto, por mulheres que estiveram em contato com agrotóxicos durante a gravidez. Dado que essas substâncias são de fácil acesso, a ingestão de agrotóxicos é também o método de suicídio mais comum em todo o mundo, respondendo por um terço de todos os suicídios, sobretudo na Ásia, a África, América Central e do Sul. Os casos fatais são numerosos, particularmente em áreas rurais.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o uso intenso de agrotóxicos levou à degradação da página em exibição com profundas ondas com percursos de longa duração dos recursos naturais - solo, água, flora e fauna -, irreversível em alguns casos, levando a desequilíbrios biológicos e ecológicos. Além de agredir o ambiente, a saúde também pode ser afetada pelo excesso dessas substâncias.

Quando mal utilizados, os agrotóxicos podem provocar três tipos de intoxicação: aguda, subaguda e crônica. Na aguda, os sintomas surgem rapidamente. Na intoxicação subaguda, os sintomas aparecem aos poucos: dor de cabeça, dor de estômago e sonolência. Já a intoxicação crônica, pode surgir meses ou anos após a exposição e pode levar a paralisias e doenças, como o câncer.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. José M. G. Calado, Prof. Auxiliar da Universidade de Évora Instituto de Ciências Agrárias Mediterrânicas, Departamento de Fitotecnia. Utilização e aplicação de produtos fitofarmacêuticos.
  2. SUCEN Documentos Técnico
  3. Producto Fitosanitario en la Breve Enciclopedia del Ambiente, que cita como fuente la Guía de productos fitosanitarios para la República Argentina. 1993. Cámara de Sanidad Agropecuaria y Fertilizantes, República Argentina. pg. 1167
  4. [1]
  5. [2]
  6. [3]
  7. (March 14, 2008) "Top six all ahead in 2007". Agrow (539): 3.
  8. LEI FEDERAL n.7 802acervoeditoradombosco
  9. Ranking da Anvisa aponta alimentos contaminados por agrotóxicos, por Marco Aurélio Weissheimer. Carta Maior, 7 de dezembro de 2011.

Filmografia[editar | editar código-fonte]

  • O Veneno Está na Mesa, documentário de Silvio Tendler, lançado em julho de 2011 (disponível no youtube.com/watch?v=8RVAgD44AGg)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]