Língua bengali

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Este artigo refere-se à língua bengali. Se procura informação sobre o alfabeto, ver Alfabeto bengali. Se procura o povo, ver bengalis.
Bengali (বাংলা, Baņla)
Falado em: Bangladesh, Índia e vários outros países
Total de falantes: 270 milhões
Posição: 4 (falantes nativos)
Família: Indo-europeia
 Indo-ariana
  Zona leste
   Apabhransa avahattha
    Bengali
Escrita: Bangla script.png
Estatuto oficial
Língua oficial de: Bangladesh, Índia, estados de Bengala Ocidental e Tripura na Índia
Regulado por: Academia Bangla (Bangladesh)
Academia Bangla Paschimbanga (Bengala Ocidental)
Códigos de língua
ISO 639-1: bn
ISO 639-2: ben
Bengali world1.jpg

O bengali ou bangla (বাংলা, Baņla), também conhecido como bengalês, é a língua indo-ariana falada pelas populações de Bangladesh e pelo estado indiano vizinho de Bengala Ocidental. Há também comunidades significativas de falantes de bengali em Assam (outro estado indiano também vizinho a Bengala Ocidental e Bangladesh), além de populações imigrantes no Ocidente e no Oriente Médio.

Bengali é uma palavra ocidental usada por muitas línguas indo-européias para se referir à língua e ao povo que a fala. A tradicional área habitada pelas populações bengalis é chamada de Bengala (Bongo em bengali). A região está agora dividida em duas partes: a parte ocidental, Bengala Ocidental (ou Poshchim-Bongo), um estado indiano, e a parte oriental, Bangladesh, um país independente.

A luta pelo bengali em Bangladesh[editar | editar código-fonte]

Entre 1947-1971, quando Bengala Oriental (actualmente Bangladesh) era parte do Paquistão, a língua bengali tornou-se o foco e a fundação da identidade nacional do povo de Bengala Oriental, levando por fim à criação do estado soberano de Bangladesh. O bengali é a língua oficial de Bangladesh e o trabalho administrativo e oficioso é desempenhado em bengali.

Entre 1950-52, a classe média emergente de Bengala Oriental levou a cabo um levantamento, conhecido mais tarde como o "Movimento da Língua", sendo o dia 21 de Fevereiro celebrado como o Dia dos Mártires da Língua, em memória dos estudantes e activistas que (no dia 21 de Fevereiro, 1952) se manifestaram desafiando o fogo dos militares, reivindicando que a língua bengali fosse agraciada como a língua nacional ancestral do Paquistão. O bengali é assim, indiscutivelmente, uma das poucas línguas pela qual seus falantes sacrificaram as suas vidas.

A UNESCO decidiu observar 21 de Fevereiro como Dia Internacional da Língua-Mãe. A Conferência-Geral da UNESCO tomou decisão para esse efeito em 17 de Novembro de 1999 quando unanimemente adoptou o desenho de uma resolução submetida por Bangladesh, co-patrocinada e apoiada por 28 outros países.

Dia 19 de Maio de 1961, Silchar, pequena cidade do sul de Assã, no nordeste da Índia, testemunhou outra batalha pela língua bengali. Onze pessoas morreram com os tiros disparados pela polícia no protesto contra a imposição forçada do assamês aos nativos da língua bengali, como política do estado. Os mártires de 19 de Maio deram tudo de si pela língua e mais tarde o governo teve que retroceder.

A literatura em bengali[editar | editar código-fonte]

Bengali no mundo.

Conhecido por muitos como o Shakespeare da Índia, possivelmente o maior e mais prolífico escritor em bengali é o Prêmio Nobel Rabindranath Tagore. Influenciado primariamente pela filosofia universalista hindu no Upanishads, Tagore dominou por décadas a cena filosófica e literária tanto bengali quanto indiana. Suas 2.000 Rabindrasangeets têm um papel fulcral na definição da cultura bengali, tanto em Bengala Ocidental quanto em Bangladesh. Outros trabalhos notáveis dele em bengali são Gitanjali, um livro de poemas pelo qual foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura, e muitos de seus contos e alguns romances.

Em uma categoria similar está Kazi Nazrul Islam, muçulmano que permaneceu em Bangladesh após a independência e cujo trabalho, como o de Tagore, transcende limites sectários, adorado por bengalis tanto em Bangladesh quanto em Bengala Ocidental. Mais notáveis são suas 3.000 músicas.

Michael Madhusudan Dutta converteu-se ao cristianismo, mas ficou famoso por seu trabalho baseado no épico hindu Ramayana, criando uma obra-prima conhecida como "O assassinato de Meghnadh," (em bengali "Meghnadh Bodh Kabbo" (মেঘনাদ বধ কাব্য)) que essencialmente segue a tradição épica poética de O Paraíso Perdido de Milton. É considerado por aqueles que o leram um poema épico de classe mundial da era moderna.

Sharat Chandra Chattopadhyay foi autor extremamente respeitado e estilista complexo em bengali e Bankim Chandra Chattopadhyay é mais famoso por ter escrito a canção nacional não oficial da Índia. "Bande Mataram" (pronunciado em hindi "Vande Mataram"). Jibanananda Das foi um poeta soberbo, notável por tentar criar literatura que ficasse fora do paradigma Tagore.

Trabalhos religiosos seminais hindus em bengali incluem as muitas canções de Ramprasad Sen. Seus trabalhos do século 17 (cantados ainda hoje em Bengala Ocidental) cobrem uma miríade impressionante de respostas emocionais à Ma Kali, detalhando afirmações filosóficas complexas baseadas nos ensinamentos Vedanta e pronunciamentos mais viscerais de seu amor por Devi. Usando alegorias criativas, Ramprasad tinha 'diálogos' com a Mãe-Deusa permeando toda sua poesia, às vezes repreendendo-a, adorando-a, celebrando-a como a Divindade Mãe, descuidada consorte de Shiva e Shakti caprichosa do cosmos. Também há as laudatórias contas da vida e ensinamentos do Vaishnava santo Shri Chaitanya Mahaprabhu (o Chaitanya Charitamrit) e Devi Advaitist Shri Ramakrishna (o Ramakrishna Charitamrit, traduzido rudemente como Evangelho de Ramakrishna).

O místico Baul do interior de Bengala, que pregava a verdade espiritual sem fronteiras do Sahaj Path (o caminho simples, natural), e Maner Manush (O Homem do Coração) desenhou a filosofia vedântica para propor verdades transcendentais em forma de música, viajando de vila em vila proclamando que não existiam coisas como hindu, muçulmano ou cristão, somente maner manush.

Escrita[editar | editar código-fonte]

O bengali é geralmente escrito na forma de escrita bengali. Essa é uma escrita brâmica, muito similar ao devanagari usado pelo hindi e pelo sânscrito. Cada símbolo-base representa uma sílaba, e outros símbolos podem ser acrescentados para mudar (ou suprimir) a vogal daquela sílaba. Aglomerações de consoantes são frequentemente indicadas pela ligação de dois símbolos.

O sistema de soletrar é baseado em uma versão antiga da língua sem algumas fusões de vogais que aconteceram na linguagem falada, não podendo ser assim definida como completa ortografia fonêmica.

Dialetos[editar | editar código-fonte]

Gráfico

Em Bangladesh, há o que é conhecido como sadhu bhaasha (literalmente "língua de sábios") e tcholti bhaashaa (literalmente "língua que corre ou que vai"; essencialmente discurso coloquial). A principal diferença é claramente uma aderência mais firme às normas gramaticais e um vocabulário sânscrito muito mais pesado. Músicas como o hino nacional indiano Jana Gana Mana (por Rabindranath Tagore) e a música nacional da Índia (por Bankim Chatterjee) Vande Mataram foram na verdade compostas em bengali sadhu bhaashaa altamente refinado. Não é realmente falado por bengaleses e está mais confinado a fóruns formais e literários.

O tcholti bhaashaa é em si cheio de variações regionais, já que é uma língua menos rígida e mais diluída que toma emprestado de várias fontes o seu vocabulário (enquanto esmagadoramente derivada do sânscrito, há também muitas palavras tomadas de fontes no inglês, no hindi, no árabe e no farsi). Também a pronúncia de certas palavras e uma maior negligência em expressões gramaticais são claramente um fator distintivo entre tcholti bhaashaa e sadhu bhaasha.

Há uma divisão entre a maneira de falar dos bengalis ocidentais e dos bengaleses. Uma pronúncia menos padronizada do bengali, especialmente prevalecente em vilas e em Bangladesh, tende a apresentar sons claros de 'ch' e 'sh' e o 'ph' (um p aspirado, como na palavra inglesa pillow) soa a, respectivamente, sons mais sussurrados de ('s'-cheio) e 'fh'. Esse modo de pronúncia tem relação próxima com o dialeto sylheti, de Bengala Ocidental que carrega uma maior influência árabe e persa e um departamento distinto da gramática padrão do bengali. Em Calcutá, Bengala Ocidental, o tcholti bhaashaa adere a formas mais padronizadas e 'próprias' do bengali, retendo as estruturas de som tradicionais e desviando um pouco mais para perto do sadhu bhaashaa.

As maiores diferenças, entretanto, entre o bengali de Bengala Ocidental e o bengali falado em Bangladesh (o bengali escrito literalmente permanecendo praticamente o mesmo) é difícil no som, dessa forma, de certas variações gramaticais regionais e caracteres. Há, no entanto, algumas diferenças que muitos atribuiriam à separação entre a população predominantemente muçulmana de Bangladesh e a grande população hindu de Bengala Ocidental. Por exemplo, muitas palavras derivadas do sânscrito são padrão sadhu e tcholti bhaashaa, em outras palavras, o padrão bengali foi jogado no bengali falado em Bangladesh (às vezes chamado de Daca).

Alguns exemplos de mudança do bengali padrão (ainda falado em Calcutá) falado em Bangladesh são os seguintes:

água: dzol (S) substituído por pani (U) convite: nimontonno (S) substituído por dauot (U) banho de banheira / chuveiro: snan / chan (S) substituído por gosol (U) vinte: kuri (S) substituído por bis (U)

Onde "S" corresponde às áreas influenciadas pelo sânscrito, e "U" a urdu, as formas de hindi influenciadas pelo árabe e pelo persa.

Sons[editar | editar código-fonte]

A fonética bengali tem 45 fonemas essenciais e cinco não essenciais.