Relações entre Brasil e China

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Relações entre Brasil e China
Bandeira do Brasil   Bandeira da China
Mapa indicando localização do Brasil e da China.
  Brasil
  China


As relações entre Brasil e China são as relações diplomáticas estabelecidas entre a República Federativa do Brasil e a República Popular da China. Começaram no início do Século XIX e continuaram até 1949, quando foram interrompidas pela criação da República Popular da China. Em 1974, com o acordo sobre a criação e funcionamento da Embaixada do Brasil em Pequim e a Embaixada da China em Brasília, as relações entre os países foram normalizadas. Desde então, os laços bilaterais têm assistido a um desenvolvimento harmonioso em todos os campos.

A crescente relação econômica e política entre os dois países foi confirmada com a visita de Luiz Inácio Lula da Silva à China, que incluiu 450 representantes de empresas brasileiras. O Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, observou que a crescente relação poderia ser parte de uma reconfiguração "da geografia comercial e diplomática do mundo".[1]

Em 2009 os chineses ultrapassaram os Estados Unidos e tornaram-se o maior parceiro comercial do Brasil.[2]

História[editar | editar código-fonte]

Encontro diplomático entre o ex-presidente Lula e o presidente chinês Hu Jintao.

O primeiro contato envolvendo Brasil e China ocorreu em 1812, quando a rainha Maria I de Portugal, então no Brasil, importou trabalhadores chineses para trabalhar em uma plantação de chá perto do Rio de Janeiro. Em 1900, uma nova onda de imigrantes da China estabeleceram-se em São Paulo.[3]

As relações formais terminaram com a Revolução Chinesa de 1949 e foram restabelecidas em 1974.[3] No século XXI empresários brasileiros têm sido um pouco frustrado com o que o Financial Times descreveu como um "ritmo lento" do desenvolvimento de alguns aspectos do relacionamento entre os dois países. Por exemplo, o Brasil reconheceu oficialmente a China como uma economia de mercado em 2004, mas em 2009 as alterações correspondentes em acordos comerciais não haviam sido implementadas. No entanto tinha sido alcançado um acordo sobre uma ampla gama de questões e uma excelente relação pessoal tinha sido estabelecida entre os dois presidentes da nação. Em 2010, a Segunda reunião de cúpula do BRIC foi realizada no Brasil, com propostas apresentadas aumentar a cooperação entre Brasil e China sobre questões políticas e relacionadas com o comércio, bem como energia, mineração, serviços financeiros e agricultura.[4] [5]

O presidente chinês, Hu Jintao, disse em seu discurso ao Congresso Nacional em 12 de novembro de 2004, que "América Latina e China têm experiências semelhantes na obtenção de libertação nacional, defesa da independência nacional e na construção do país". Portanto, "ambos os lados têm os mesmos sentimentos e linguagens". Ele disse que "espera que as relações sino-latino-americanas apoiem ambos os lados nos domínios político, reforcem a complementaridade econômica e realizem uma aproximação cultural".[6]

Cooperação[editar | editar código-fonte]

Reunião de líderes dos BRICS durante a 9ª reunião de cúpula do G20, realizada em Brisbane, Austrália, em 2014.

A China se tornou o maior parceiro comercial do Brasil em 2009.[4] [7] O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e muitos na mídia brasileira consideram a China como um dos "parceiros de negócios comerciais mais promissores do Brasil e um aliado estratégico", devido "a demanda rapidamente crescente por matérias-primas e produtos agrícolas".[8] O comércio bilateral cresceu de 6,7 bilhões de dólares em 2003 para 36,7 bilhões de dólares em 2009.[9]

China e Brasil cooperam economicamente em vários projetos, como o Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, preparado desde 1988 e que em 1999 e 2002 construiu com sucesso dois satélites que fornecerão informações importantes sobre recursos naturais. Além disso, a empresa International Satellite Communications Company (INSCOM) foi criada como uma joint venture.[10]

Outro projeto no âmbito do Satélite de Recursos Terrestres é a construção do Porto do Açu, perto do Rio de Janeiro, Vitória e Campos dos Goytacazes, que pode lidar com navios Chinamax para importação e exportação de matérias-primas.[11] Outro grande importante investimento em infraestrutura é a construção de um gasoduto continental, estradas e trens de alta velocidade.[12]

O investimento chinês no Brasil tem abordagens estratégicas para consolidar o papel da China na economia brasileira, isso cria alavancagem econômica, amplia a zona de influência de empresas chinesas no Brasil e aumenta a interdependência. Os investimentos chineses no Brasil estão concentrados principalmente nos setores de energia, mineração, siderurgia e petróleo.[13]

Em 2010, apesar da relação geralmente amigável e próxima, o Brasil foi um dos poucos países emergentes a criticar publicamente a política da China em relação à chamada "guerra cambial". O Brasil tem pedido para a China permitir uma valorização mais rápida de sua moeda, o que ajudaria a outros países a competir melhor contra as exportações chinesas. O Brasil também criticou a política dos Estados Unidos, dizendo que tanto a China quanto os estadunidenses devem procurar evitar a escalada de tensão econômica sobre o comércio e as moedas.[14] [15]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Harris, Jerry. (2005). "Emerging third world powers: China, India and Brazil". Race & Class 46 (3): 7–27.
  2. China se torna principal parceiro comercial do Brasil
  3. a b Some Recent Features of Brazil-China Economic Relations CEBC.org, April 2009
  4. a b Jonathan Wheatley (19 de maio de 2009). Brazil and China cement ties The Financial Times. Visitado em 24 de janeiro de 2011.
  5. By Jonathan Wheatley in Brasília and Jamil Anderlini,in Beijing (16 de abril de 2010). China and Brazil to boost co-operation The Financial Times. Visitado em 24 de janeiro de 2011.
  6. Shixue, Jiang. (Inverno de 2007). "On the Development of Sino-Latin American Relations". China International Studies.
  7. Malcolm Moore, China overtakes the US as Brazil's largest trading partner, The Telegraph, 9 de maio de 2009
  8. Economic Relations between Brazil and China: A Difficult Partnership Friedrich Ebert Foundation, Janeiro de 2006
  9. In Brazil, Hu Jintao aims for bigger piece of Latin America trade Christian Science Monitor, 15 de abril de 2010
  10. Sauzen. (Junho de 2001). "The China-Brazil Earth Resources Satellite (CBERS)". ISPRS Society 6 (2).
  11. Phillips, Tom. "Brazil's huge new port highlights China's drive into South America", The Guardian, 15 de setembro de 2010.
  12. Shixue, Jiang. Meeting the Dragon’s Appetite: The Importance of Latin America in China’s Energy Strategy.
  13. Dominguéz. (Junho de 2010). "China’s Relations With Latin America: Shared Gains, Asymmetric Hopes". Inter-American Dialogue.
  14. Geoff Dyer (10 de abril de 2010). Brazil and India join renminbi call The Financial Times. Visitado em 24 de janeiro de 2011.
  15. Jonathan Wheatley and Joe Leahy in São Paulo (9 de janeiro de 2011). Trade war looming, warns Brazil The Financial Times. Visitado em 14 de janeiro de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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