Casta

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Membro das casta Basor em 1916 no estado indiano de Uttar Pradesh.

Casta é uma forma de estratificação social caracterizada pela endogamia, pela transmissão hereditária de um estilo de vida que frequentemente inclui um ofício (profissão), status ritual numa hierarquia e interações sociais consuetundinárias (habituais) e exclusão baseada em noções culturais de pureza e poluição[1] [2] Seu exemplo etnográfico paradigmático é a divisão da sociedade indiana em grupos sociais rígidos, com raízes na história milenar da Índia que persiste nos dias atuais. Todavia, a importância econômica do sistema de castas da Índia tem progressivamente diminuído devido à urbanização e de programas de ação afirmativa. O sistema de castas indiano é um tema fundamental das pesquisas de sociólogos e antropólogos, sendo muitas vezes utilizado como analogia para o estudo de outros tipos de estratificação social existentes fora do subcontinente indiano.

De acordo com a UNICEF e a Human Rights Watch, a discriminação de casta afeta cerca de 250 milhões de pessoas em todo o mundo.[3] [4] As castas são sistemas tradicionais, hereditários ou sociais de estratificação, ao abrigo da lei ou da prática comum, com base em classificações tais como a raça, a cultura, a ocupação profissional, etc.Varna, a designação sânscrita original para "casta", significa "cor". O adjectivo "casta" está relacionado ao conceito de castidade, palavra com a qual compartilha o mesmo radical latino referente à pureza.

Índia[editar | editar código-fonte]

O sistema de castas (Varna) indiano é dividido de acordo com a estrutura do corpo de Brahma. As quatro principais castas são:

Fora do sistema das castas, também existem os Adivasis (povos tribais) e os Mechhas (estrangeiros).

Representação das quatro principais castas do hinduísmo em torno do deus Ganesha.

Inicialmente, as castas teriam surgido ligadas aos guna predominantes nos indivíduos. Assim, aqueles em que sattva predomina são inclinados às actividades espirituais, à filosofia, à literatura, às artes, às ciências e ao conhecimentosacerdotes, yogis, mestres espirituais (gurus), eremitas, filósofos, astrólogos, cientistas, escritores, historiadores, artistas e poetas (brâmanes). Rajas inclina naturalmente a actividades enérgicas, agressivas, à conquista de coisas (terras, riquezas) e pessoas (domínio dos outros), à aversão à pobreza e à modéstia, à busca da fama e da notoriedade — guerreiros e governantes (xátrias) e comerciantes, proprietários de terras, artistas (vaixás). Tamas inclina à passividade, à inércia, à falta de ambição, à ignorância, ao medo de assumir responsabilidades e riscos, a viver o dia-a-dia em iludido contentamento, em ocupações humildes, repetitivas e cansativas, deixando-se conduzir pelos mais fortes e enérgicos — artesãos, operários, camponeses (sudras).

Ao contrário do igualitarismo islâmico, o hinduísmo tem uma concepção social que se expressa nesse sistema de castas, adotado no tempo das invasões arianas (cerca de 1.500 - 2.000 a. C.). As castas, segundo eles, nada mais são do que partes diferenciadas de um corpo divino. Na Índia, antes da independência, elas somavam umas 3 mil, resultantes das subdivisões das quatro castas "clássicas": os Brâmanes (sacerdotes), os Xátrias (guerreiros), os Vaixás (comerciantes) e os Sudras (camponeses e artesãos).

Não há salvação individual (moksha) na medida em que a pessoa só é entendida como pertencente a uma casta a quem ela deve fidelidade absoluta. Se por acaso infringir as normas da sua casta, o indivíduo é expulso, tornando-se um pária (pariyan) ou intocável (harijans ou dalits). É generalizada entre os hindus a crença na reencarnação, no eterno retorno das almas à vida (palingenesia para os gregos antigos) que podem ser acolhidas inclusive em animais. Tem como ideal a seguir os ashrama, as quatro etapas da vida, onde o homem, depois de estudar, casar-se, trabalhar e constituir família, renuncia à vida mundana e se dedica inteiramente à busca da moksha iluminação, através do yoga (meditação e a outras práticas espirituais), vivendo como eterno peregrino, em reclusão na floresta ou nas montanhas, sobrevivendo à custa de esmolas e oferendas de comida, que lhe estão culturalmente asseguradas pelo resto da população.[5]

Apesar do sistema de castas ter sido rejeitado pela Constituição Indiana de 1950 (devido à pressão de políticos ocidentalizados), ele continua a fazer parte da cultura da Índia moderna. Actualmente, no hinduísmo, existem mais de 3.000 sub-castas não-oficiais.

Há pensadores, como o indologista Alain Daniélou, que consideram o sistema das castas como social e culturalmente válido e justificável no contexto indiano, uma forma muito eficaz de preservar certas subculturas e certas profissões transmitidas geracionalmente, sendo as recentes tentativas de o destruir um verdadeiro caso de etnocentrismo, um genocídio cultural da sociedade indiana, levado a cabo pelas potências ocidentais neocolonialistas.

Referências

  1. Scott, John; Marshall, Gordon (2005), "caste", A Dictionary of Sociology, Oxford, UK; New York, NY: Oxford University Press, p. 66, ISBN 978-0-19-860987-2, http://books.google.com/books?id=id8iAQAAIAAJ&pg=PA66, visitado em 10 de agosto de 2012 
  2. Winthrop, Robert H. (1991), "Caste", Dictionary of Concepts in Cultural Anthropology, New York, NY: Greenwood Press, pp. 27–30, ISBN 978-0-313-24280-9, http://books.google.com/books?id=3xoB_3C5N5QC&pg=PA27, visitado em 10 de agosto de 2012 
  3. "Discrimination." UNICEF.
  4. "Global Caste Discrimination." Human Rights Watch.
  5. MARTINS, Roberto de Andrade. A vida sagrada: os quatro estágios (āśramas) da vida dos brāhmaṇas. Pp. 65-100, in: GNERRE, Maria Lucia Abaurre; POSSEBON, Fabricio (orgs.). Cultura oriental. Filosofia, língua e crença. Vol. 2. João Pessoa: Editora Universitária UFPB, 2012.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Fantasmas do território agrário por David Ludden 11 de Dezembro, 2001
  • "Early Evidence for Caste in South India," p. 467-492 in Dimensions of Social Life: Essays in honor of David G. Mandelbaum, Edited by Paul Hockings and Mouton de Gruyter, Berlin, New York, Amsterdam, 1987 (Em inglês).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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