Micro-história

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

A micro-história é um gênero historiográfico surgido com a publicação, na Itália, da coleção "Microstorie", sob a direção de Carlo Ginzburg e Giovanni Levi, pela editora Einaudi, entre 1981 e 1988. Vem sendo praticada principalmente por historiadores italianos, franceses, ingleses e estadunidenses, com ênfase no papel desempenhado pelos primeiros, na importância da revista "Quaderni Storici" e no sucesso da referida coleção "Microstorie".

A sua proposição de análise histórica defende uma delimitação temática extremamente específica por parte do historiador (inclusive em termos de espacialidade e de temporalidade), mas não se reduz apenas a isto.

Numa escala de observação reduzida, a análise desenvolve-se a partir de uma exploração exaustiva das fontes, envolvendo a descrição etnográfica e tendo preocupação com uma narrativa histórica que se diferencia da narrativa literária porque se relaciona com as fontes. Contempla temáticas ligadas ao cotidiano de comunidades específicas — geográfica ou sociologicamente —, às situações-limite e às biografias ligadas à reconstituição de microcontextos ou dedicadas a personagens extremos, geralmente figuras anônimas, que passariam despercebidas na multidão.

Surgida a partir dos debates relacionados com os rumos que a chamada Escola dos Annales deveria tomar, esta nova corrente historiográfica foi mal compreendida, ora tomada como história cultural, ora confundida com a história das mentalidades e com a história do cotidiano. Segundo o historiador brasileiro Ronaldo Vainfas, também foi percebida como a expressão típica de uma história descritiva, de viés marcadamente antropológico, que renunciou ao estatuto científico da disciplina e invadiu o território da literatura, rompendo de vez as fronteiras da narrativa histórica com o ficcional.

Giovanni Levi chama a atenção de que tais análises estão equivocadas, pois apesar de produzirem resultados interessantes, o recorte em micro-história deve ser temático e, mesmo assim, relacionado com um assunto mais amplo. O autor assinala que a micro-história deveria servir como um "zoom" em uma fotografia. O pesquisador observa um pequeno espaço bastante ampliado, mas, ao mesmo tempo, tendo em conta o restante da paisagem, apesar de não estar ampliada.

A micro-história no Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, ainda são poucos os historiadores que se dedicam à reflexão teórica ou mesmo à prática da micro-história. Destacam-se os nomes de Ronaldo Vainfas, autor de Traição: um jesuíta a serviço do Brasil holandês processado pela inquisição e Boris Fausto, autor de O crime do restaurante chinês: carnaval, futebol e justiça na São Paulo dos anos 30.

Autores[editar | editar código-fonte]

Entre os autores que se dedicaram à produção da micro-história citam-se:

Ligação externa[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • LEVI, Giovanni. Sobre a micro-história. in: BURKE, Peter. A escrita da história: novas perspectivas. São Paulo: Editora da UNESP, 1992. p. 133-161.
  • LEVI, Giovanni. A herança imaterial: trajetória de um exorcista no Piemonte do século XVII. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.
  • VAINFAS, Ronaldo. Os protagonistas anônimos da História: micro-história . Rio de Janeiro: Campus, 2002. 115p.
Ícone de esboço Este artigo sobre História ou um historiador é um esboço relacionado ao Projeto História. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.