Bode expiatório

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O bode expiatório de William Holman Hunt.

O bode expiatório é um animal que era apartado do rebanho e deixado só na natureza selvagem como parte das cerimônias hebraicas do Yom Kippur, o Dia da Expiação, na época do Templo de Jerusalém. Este rito é descrito na Bíblia no livro do Levítico. [1] [2]

Na Torá[editar | editar código-fonte]

Dois bodes eram levados, juntamente a um touro, ao lugar de sacrifício, como parte dos Korbanot do Templo de Jerusalém. No templo os sacerdotes sorteavam um dos bodes. Um era queimado em holocausto no altar de sacrifício com o touro. O segundo tornava-se o bode expiatório, pois o sacerdote punha suas mãos sobre a cabeça do animal e confessava os pecados do povo de Israel. Posteriormente, o bode era deixado ao relento na natureza selvagem, levando consigo os pecados de toda a gente, para ser reclamado pelo anjo caído Azazel.

A visão cristã[editar | editar código-fonte]

Na teologia cristã, a história do bode expiatório no Levítico é interpretada como uma prefiguração simbólica do autossacrifício de Jesus, que chama a si os pecados da Humanidade, tendo sido expulso da cidade sob ordem dos sacerdotes. Tipologicamente, o bode expiatório é a figura do Messias, que fora enviado ao deserto para ser tentado pelo Diabo.

Outra visão muito popular no cristianismo compreende que os dois bodes são símbolos de Cristo e Satanás, uma vez que a expiação propriamente dita se realiza com a morte do primeiro bode e como não existe expiação sem "derramamento de sangue" (Hebreus 9:22,23), não há expiação pela morte do segundo bode, que apenas é levado para o deserto e morre à míngua. Ele representa Satanás (ou Azazel, seu braço direito, um demônio do Deserto) que é enviado ao abismo por 1000 anos, onde refletirá sobre a obra maléfica que realizou contra os seres humanos.

Sentido figurado do termo[editar | editar código-fonte]

Em sentido figurado, um "bode expiatório" é alguém que é escolhido arbitrariamente para levar (sozinho) a culpa de uma calamidade, crime ou qualquer evento negativo (que geralmente não tenha cometido). A busca do bode expiatório é um ato irracional de determinar que uma pessoa ou um grupo de pessoas, ou até mesmo algo, seja responsável de um ou mais problemas sem a constatação real dos fatos.

A busca do bode expiatório é um importante instrumento de propaganda. Um clássico exemplo são os judeus durante o período nazista, que eram apontados como culpados pelo colapso político e pelos problemas econômicos da Alemanha.

Os grupos usados como bodes expiatórios foram (e são) muitos ao longo da História, variando de acordo com o local e o período.

Atualmente, o uso de bodes expiatórios é cada vez mais combatido e, quando esta tendência é levada ao seu extremo, podem ser criadas regras sociais de controle da linguagem, como no caso do politicamente correto.

Referências

  1. Antigo Testamento, Levítico 16:1-23
  2. Nascentes, Antenor (1986), Tesouro da Fraseologia Brasileira, Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, p.33

Ligações externas[editar | editar código-fonte]