Azazel

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Azazel (em hebraico: עזאזל)[a] é o nome atribuído a um anjo, que seria encarregado da tarefa de levantar as faltas humanas e as enumerar perante o Tribunal Divino, durante o julgamento anual da humanidade.[1] É, por outro lado, uma figura misteriosa, que aparece por três vezes na Bíblia Hebraica, relacionado expressamente com o ritual do Yom Kipur, quando na época do Templo de Jerusalém um bode era sacrificado para o Criador e outro era ofertado a Azazel, sendo este último animal encaminhado ao deserto.[2] [3] [4]

História[editar | editar código-fonte]

Ao lado de Shemihazah, liderou um grupo de duzentos anjos que desceram à Terra, com o fito de viver entre os humanos. Conheceram de mulheres, e com elas tiveram filhos. Particularmente, Azazel teve filhos, que pereceram no Dilúvio. Esses rebentos foram chamados de nefilim.[4] "O Texto Massorético indica um nome próprio, que, a parte dessa menção, é inteiramente desconhecido [nas Escrituras], Azazel, que os rabinos da Idade Média explicavam ser designação de um demônio peludo do deserto. Então Arão lançaria sortes por um demônio. Ora, não se faz inclusão do culto ou adoração de demônios em parte alguma da Tora, e não pode existir a mínima possibilidade de que tal culto surja aqui (e nos versículos seguintes deste capítulo [Lv16].A óbvia solução desse enigma encontra-se na separação das duas partes da palavra 'Azazel', de modo que fique ez azel, isto é, 'o bode da partida ou da demissão'. Noutras palavras, como o versículo 10 deixa bem claro, esse segundo bode deve ser conduzido para fora, ao deserto, para onde deverá encaminhar-se, e de modo simbólico, levar embora os pecados do povo de Israel, retirando-os do campamento do povo. É inquestionável que a LXX entendeu o versículo e o nome Azazel dessa forma,, ao apresentar a grafia to apopompaio (para o que for enviado para longe). De forma semelhante, a Vulgata traz capro emissário (para o bode que deve ser despedido). Assim, ao separarmos as duas palavras que foram indevidamente fundidas numa só no hebraico, passamos a ter um texto que faz sentido perfeito no contexto, sem fazer concessão a demônios, cujo exemplo não existe nas Escrituras. Noutras palavras, 'bode emissário' (KJV, NASB, NIV) é a verdadeira tradução a ser empregada, em vez de "para Azazel"(ASV, RSV) (Enciclopédia de Dificuldades Bíblicas, 1998, 2ª impressão, p.39 ) "azazel, palavra que talvez devesse ser vocalizada como ez azel (um bode de partida)É preciso que se entenda que o registro dos documentos do AT era escrito só com as consoantes; os pontos representativos das vogais só passaram a ser colocados no texto a partir de 800 d.C [Texto Massorético] ...A tradição segundo a a qual o bode emissário era o nome de um demônio do deserto originar-se-ia muito tempo depois, e estaria totalmente em desacordo como os princípios da redenção ensinados na Tora. Portanto, é inteiramente errado imaginar que esse cabrito representava o próprio Satanás, visto que nem o diabo nem seus demônios jamais são mencionados desempenhando funções expiatórias em prol da humanidade - que é a implicação dessa interpretação"(Idem p. 137) "A palavra tem sido entendida e traduzida de diversas maneiras. As versões antigas (LXX, Símaco, Teodócio e Vulgata) entenderam que a palavra indica o 'bode que se vai', considerando como derivada de duas palavras hebraicas: ez= bode, e azal= virar-se" "Uma possibilidade final é considerar o vocábulo [Azazel} como a designação de um ser pessoal de modo a contrapor-se à palavra SENHOR . Neste sentido Azazel poderia ser um espírito maligno (Enoque 8:1; 10:4; 2 CR 11:15; Is 34:14; Ap 18:2 ou até mesmo o próprio demônio (KD. loc. cit.), numa oposição de antítese ao Senhor. NO entanto, as referências de Enoque a Azazel como um demônio dependem, sem dúvida alguma, da interpretação que o próprio autor desse livro faz de Lv. 16 e Gn 6:4" "Mas nessa passagem joanina também se percebe uma alusão ao bode emissário Esse fato é claramente visto nas palavras 'leva embora' (ARA, ´tira'; cf. 1 Jo 3:5 ) (Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, p. 1099"

Demonologia[editar | editar código-fonte]

Para a Demonologia, ou a catalogação dos demônios da tradição católica Azazel é um dos 7 arque-demonios de Satã, que correspondem aos 7 arcanjos de Deus. Azazel é considerado um demônio advindo de uma seita judáica que adorava um ídolo em forma de carneiro e oferecia sacrifícios em holocausto a esta figura caprina, dizem certas correntes que haviam rituais de sodomia e zoofilia nos quais grupos de judeus imolados pelo espírito do ídolo, no caso o demônio Azazel, entregavam suas virgens para praticar atos sexuais ou libidinosos com cabras e outros homens, em um ritual macabro e pervertido. Os reis de Judá descobriram esta seita que adorava a ídolos, contrariando os mandamentos da Torá entregues a Moisés, houve uma batalha na cidade aonde esta seita se encontrava e todos os judeus que adoravam Azazel bem como a cidade foram destruidos.

Azazel é um ex-anjo que caiu do paraíso, antes de cair era um anjo emissário enviado para viver entre os humanos e nesta missão teve filhos com as mulheres dos homens, isto motiva a crença de que os rituais de invocação de Azazel ocorrem através da prática de atos sexuais entre mulheres e cabras. Azazel é o rei dos Shekmitas, ou seja a raça de demônios meio homens e meio cabras, com aspecto parecido com o de Baphomet que tambem é um demônio Shekmita famoso, aquele é responsável pela desgraça dos idólatras e seu poder é comparável ao dos demônios mais fortes do inferno, ele comanda as legiões Shekmitas do inferno, sendo um general que responde somente ao próprio Lúcifer.

Ritual do Dia do Perdão[editar | editar código-fonte]

No terceiro livro do Tanach, consta que entre os rituais do Dia do Perdão, quando ocorre anualmente a finalização do julgamento da humanidade, havia, na época em que ainda estava edificado o Templo de Jerusalém, a obrigação de separar dois bodes idênticos (mesma cor, mesmo peso, mesma altura etc.). O primeiro era sacrificado para o Eterno, em, e o segundo, deixado no deserto e era chamado Azazel.[5] Ele caminhava carregando os pecados até encontrar um lugar para se precipitar. Ele não parava de andar até cumprir seu destino, representando o que hoje é e sempre foi o destino de satanas.

A despeito de o texto dizer que um dos animais deveria ser deixado para Azazel, não se tratava de uma oferta de per se, mas o ritual estava ligado simbolicamente mais às origens do povo hebreu, com seus antepassados Esaú e Jacó, que eram gêmeos muito semelhantes em tudo, até no modo de andar e timbre voz, pelo que era assaz comum as pessoas confundirem-se; apesar de idênticos no exterior, os irmãos eram em personalidade muito diversos e assim se ritualizava essa memória. Outro significado atribuído ao ritual era o de que o pecado é muito próximo de uma boa ação e que as pessoas deveriam ser vigilantes, para não deixar que um pecado fosse disfarçado de ato bondoso. A escolha de qual dos animais seria enviado ao deserto era aleatória.[1]

Notas

[a] ^ Na mitologia cristã, o anjo Azazel é retratado como um demônio e é confundido com a figura do Diabo.[6]

Referências

  1. a b The Goat Bribe - Based on Zohar Emor 102B - The Zohar (em inglês). Página visitada em 07.jul.2012.
  2. Steinberg, Paul; Potter, Janet Greenstein. Celebrating the Jewish Year: The fall holidays, Rosh Hashanah, Yom Kippur, Sukkot (em inglês). Filadélfia: Jewish Publication Society, 2007. p. 68. vol. 1.
  3. Oesterley, William Oscar Emil; Robinson, Theodore. Hebrew Religion: Its origin and development (em inglês). Montana: Kessinger, 2003. p. 66. ISBN 0-7661-3866-6
  4. a b Cohn-Sherbok, Dan. Breve enciclopedia del judaísmo (em espanhol). Madrid: Istmo, 2003. p. 56. ISBN 84-7090-408-6
  5. Jewish Encyclopedia: AZAZEL (em inglês). Página visitada em 11.jul.2012.
  6. Berlin, Adele; Grossman, Maxine. The Oxford Dictionary of the Jewish Religion (em inglês). Nova Iorque: OUP, 2011. p. 94. ISBN 0199730040
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Azazel [Bode Que Desaparece]. A palavra “Azazel” ocorre quatro vezes na Bíblia, nos regulamentos relativos ao Dia da Expiação. — Le 16:8, 10, 26. É controversial a etimologia desta palavra. Se nos apegarmos à grafia contida no texto massorético hebraico, então ʽazaʼ·zél parece ser uma combinação de dois radicais que significam “bode” e “desaparecer”. Daí o significado de “Bode Que Desaparece”. Segundo outra derivação, baseada na crença de que tenha havido a transposição de duas consoantes, significa “Força de Deus”. A Vulgata latina verte a palavra hebraica por caper emissarius, isto é, “bode emissário” ou “bode expiatório”. E a expressão grega usada na Septuaginta significa “aquele que leva embora (afasta) o mal”. Dois bodes (cabritinhos) eram obtidos da assembléia dos filhos de Israel pelo sumo sacerdote para uso no anual Dia da Expiação. Pelo lançamento de sortes, um bode era designado “para Jeová”, e o outro “para Azazel”. Depois de se sacrificar o novilho para o sumo sacerdote e sua casa (sem dúvida, incluindo todos os levitas), sacrificava-se o bode para Jeová como oferta pelo pecado. Todavia, o bode para Azazel era mantido vivo por algum tempo “perante Jeová para fazer expiação por ele, a fim de ser enviado ao ermo, para Azazel”. (Le 16:5, 7-10) A expiação para este bode vivo procedia do sangue do bode para Jeová, bode que acabara de ser morto como oferta pelo pecado, visto que a vida da carne está no sangue. (Le 17:11) O valor do sangue, ou valor da vida, do bode morto era assim transferido para o bode vivo, ou o bode para Azazel. Assim, embora não fosse morto pelo sacerdote, este bode vivo levava sobre si um mérito expiatório de pecados ou um valor de vida. Ser ele apresentado perante Jeová evidentemente indica que este reconhecia tal transferência do mérito ou poder expiatório. Algo correspondente a isso era a maneira prescrita de purificação do israelita que ficara curado da lepra, ou a purificação duma casa curada desta praga. Neste caso, mergulhava-se uma ave viva no sangue duma ave que fora morta. Permitia-se então que a ave viva saísse voando, levando consigo o pecado. — Le 14:1-8, 49-53. Ambos os bodes deviam ser imaculados, sadios e o mais parecidos possível entre si. Antes de se lançar a sorte sobre eles, ambos os bodes tinham a possibilidade de ser escolhidos como o bode para Jeová. Depois de sacrificar o bode para Jeová, o sumo sacerdote punha as mãos sobre a cabeça do bode vivo e confessava os pecados do povo sobre ele. Este bode era então mandado embora, sendo levado ao ermo por “um homem preparado”. (Le 16:20-22) Deste modo, o bode para Azazel simbolicamente levava embora os pecados do povo, do ano que passou, desaparecendo com eles no ermo. Os dois bodes eram classificados como uma só oferta pelo pecado. (Le 16:5) Evidentemente, usavam-se dois para dar ênfase ao que esta provisão realizava para expiar os pecados do povo. O primeiro bode era sacrificado. O segundo, sobre o qual se confessavam os pecados do povo e que era enviado para longe, no ermo, reforçava o perdão que Jeová concedia aos arrependidos. O Salmo 103:12 oferece esta certeza: “Tão longe como o nascente é do poente, tão longe pôs de nós as nossas transgressões.” Conforme explicou o apóstolo Paulo, por Jesus oferecer a sua própria vida humana perfeita pelos pecados da humanidade, ele realizou muito mais do que se conseguira com “o sangue de touros e de bodes”. (He 10:4, 11, 12) Ele serviu assim de “bode expiatório”, carregando “as nossas doenças”, “sendo traspassado pela nossa transgressão”. (Is 53:4, 5; Mt 8:17; 1Pe 2:24) Ele “carregou” os pecados de todos os que exercem fé no valor do seu sacrifício. Demonstrou a provisão de Deus, de acabar completamente com a pecaminosidade. Destas maneiras, o bode “para Azazel” retrata o sacrifício de Jesus Cristo.