Leão-asiático

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Leão-asiático macho adulto na floresta de Gir.

Leão-asiático macho adulto na floresta de Gir.
Estado de conservação
Status iucn3.1 EN pt.svg
Em perigo [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Felidae
Género: Panthera
Espécie: P. leo
Subespécie: P. l. persica
Nome trinomial
Panthera leo persica
(Meyer, 1826)
Distribuição geográfica
Distribuição atual, pequena região da floresta de Gir, na Índia.
Distribuição atual, pequena região da floresta de Gir, na Índia.

O leão asiático (Panthera leo persica) é uma subespécie do leão. Habita a Ásia.

Leão asiático adulto.

Os últimos exemplares do leão asiático, os quais em tempos históricos habitaram territórios desde o Cáucaso ao Iêmen e da Macedônia até à Índia, passando pelo Irão, habitam no Parque Nacional da Floresta de Gir no oeste da Índia. Segundo o censo de 2010, cerca de 411 leões viveriam num santuário de 1412 km² no estado de Gujarate. Seriam 97 machos adultos, 162 fêmeas adultas, 75 adolescentes e 77 filhotes. Em 1907 apenas existiam 13 leões no Gir, sendo que nessa altura o Marajá de Junagadh lhes concedeu uma total proteção. Uma história exitosa de preservação da espécie.

Ao contrário do tigre, que prefere as florestas densas com folhagem densa, o leão habita as florestas de arbustos de folha caduca. O leão raramente entra em contacto com o tigre que também habita a Índia mas não na região de Gir. Esta floresta é mais quente e mais árida do que o habitat preferido pelo tigre.

O leão de Gir é uma das cinco espécies de "grandes felinos" que habitam o subcontinente indiano, a saber: tigre, leão, leopardo, leopardo das neves e a pantera nebulosa.

Características[editar | editar código-fonte]

Leão asiático macho, logo após se alimentar.

Os leões asiáticos são um pouco menores que os leões africanos. Os machos adultos pesam de 160 à 190 kg, tem de 1,80 a 2,5 de comprimento e 90 cm na altura da cernelha, enquanto que as fêmeas pesam de 110 à 120 kg e tem de 1,50 à 1,75 de comprimento. Possuem uma juba bem mais rala e uma dobra de pele longitudinal ao longo da barriga, o que os difere do leão africano.

Seu parente africano mais próximo é o extinto Leão-do-atlas.

O número de indivíduos em estado selvagem era 411, em 2010. Corre grande perigo de extinção. A maioria possuí um grau de parentesco muito próximo, descendem de apenas uma dúzia de indivíduos que sobreviveram no século XX, essa extrema aproximação genética está à produzir animais inférteis.

Comportamento[editar | editar código-fonte]

família de leões asiáticos na floresta de Gir

Assim como seus parentes, o leão asiático vive em bandos, só que, com um número menor de indivíduos. Grande parte dos grupos possuem apenas fêmeas, que só permitem a presença de um macho no período de acasalamento ou em caçadas mais difíceis.

Utilizam estratégias de caça em grupo.

Não tem contato com tigres hoje em dia, mas ja tiveram no pasado quando sua caça era menor.

Leões Asiáticos na Europa[editar | editar código-fonte]

leão asiático

O Leão Asiático habitou, em tempos, também a Europa. Aristóteles e Heródoto escreveram que leões eram encontrados nos Balcãs em meados do primeiro milénio a.C., habitando áreas das atuais Bulgária, Grécia, Albânia, Macedônia e Iugoslávia, e possivelmente seu habitat se estendia até a França. Quando Xerxes I avançou pela Macedónia em 480 a.C., inúmeros dos seus camelos de carga foram mortos por ataques de leão. Acredita-se que os leões se extinguiram no interior das fronteiras da actual Grécia por volta dos anos 80-100 d.C. Por conta da caça, competição com cães ferais e o uso excessivo para lutarem no Coliseu Romano que os leões foram extintos da Península Balcânica. Esta população européia de leões é considerada por alguns como uma subespécie separada do leão asiático, o leão europeu (Panthera leo europaea), enquanto que por outros é considerada como uma população integrante do leão asiático.

Extinção por região[editar | editar código-fonte]

Após serem extintos da Europa, os leões asiáticos se extinguiram no século X do Cáucaso e no século XII, em plena época das Cruzadas, se extinguiram da Palestina, área na qual foi muito comum nos tempos bíblicos. Continuou espalhado por outras áreas até meados do século XIX, quando o advento das armas de fogo levou à sua extinção por grandes áreas (Guggisber 1961). No final do século XIX o leão tinha já desaparecido da Turquia (Ustay 1990).

leoa asiática.

No Oriente Médio foi extinto por volta de 1800 da Anatólia, em 1870 do Curdistão turco, em 1891 da Síria, em 1918 do Iraque, em 1923 da Arábia Saudita e em 1942 do Irã. Já no subcontinente indiano foi extinto em 1810 do atual território do Paquistão. Na Índia centro-ocidental foram extintos do vale do rio Narmada em 1848 e das áreas ao redor de Delhi uma década depois. A última vez em que foram vistos fora da área da floresta de Gir foi em 1884.

No final do século XIX, as autoridades coloniais britânicas passaram a considerar que o leão indiano caminhava diretamente para a extinção. Em 1900, após pressionar o Nawab (governador) de Junagadh, foi concedida uma reserva de 5000 quilômetros quadrados ao redor da floresta de Gir, atualmente o último bastião dos leões na Ásia. Apesar disso, alguns anos depois, devido a um forte período de secas, as presas tradicionais dos leões foram dizimadas. Sem outra alternativa, os leões passaram a atacar o gado e os seres humanos, razão pela qual foram perseguidos de forma contundente. Como resultado restavam apenas 20 leões na Índia em 1913.

O parente norte-africano[editar | editar código-fonte]

Em 1968, um estudo sobre os crânios dos extintos leões do Atlas (Norte-Africano) e do Cabo, asiático e africano, provou que as mesmas características quanto ao crânio apenas se encontravam nos leões do Atlas e asiático. Isto evidencia que existiria uma relação muito próxima entre os leões da parte mais ao norte de África e Ásia. De igual forma, acredita-se que o leão do Sul da Europa que se extinguiu nos anos 80-100 d.C., poderia ter representado o elo entre os leões norte-africano e asiático. Julga-se que os leões do Atlas possuíssem a mesma prega na barriga (escondida debaixo de toda a juba) que existe nos leões asiáticos de hoje.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
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Referências

  1. Breitenmoser, U., Mallon, D. P., Ahmad Khan, J. and Driscoll, C. (2008). Panthera leo ssp. persica (em Inglês). IUCN . Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de Versão 2012.2. Página visitada em 1 de maio de 2013.

Referências gerais[editar | editar código-fonte]

  • NAIR, S.M., Endangered Animals of India and their conservation, National Book Trust : 1999.
  • GUGGISBERG, C.A.W., Simba: the life of the lion, Howard Timmins, Cape Town : 1961.
  • NOWELL, K. e JACKSON, P. (compiladores e editores), Wild Cats. Status Survey and Conservation Action Plan, IUCN/SSC Cat Specialist Group. IUCN, Gland, Switzerland. : 1996.
  • USTAY, A.H., Hunting in Turkey, BBA, Istanbul : 1961.