Geografia cultural

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Geografia cultural é o campo da geografia humana que estuda os produtos e normas culturais e suas variações através dos espaços e dos lugares. Foca-se na descrição e análise de como as formas de linguagem, religião, artes, crenças, economia, governo, trabalho e outros fenômenos culturais variam ou permanecem constantes, de um lugar para outro e na explicação de como os humanos funcionam no espaço.[1]

Áreas de estudo[editar | editar código-fonte]

Globalização e a cultura consumista em Jacarta.

As áreas de estudo da geografia cultural são muito amplas. Entre os muitos tópicos aplicáveis a este campo de estudo estão:

História[editar | editar código-fonte]

Apesar de os primeiros traços do estudo das diferentes nações e culturas da Terra serem datadas de antigos geógrafos como Ptolomeu ou Estrabão, a geografia cultural como estudo acadêmico emergiu pela primeira vez como alternativa às teorias do determinismo ambiental do início do século XX, que colocavam as pessoas e sociedades como controladas pelo ambiente no qual se desenvolviam.[7] Ao invés de estudar regiões pré-determinadas baseando-se em classificações ambientais, a geografia cultural colocou seu interesse nas paisagens culturais.[7] Isso foi apoiado por Carl O. Sauer (chamado de pai da geografia cultural), na Universidade da Califórnia, Berkeley. Como resultado, a geografia cultural foi dominada por escritores norte-americanos.

Sauer definiu a paisagem como unidade definitiva do estudo geográfico. Notou que culturas e sociedades não apenas se desenvolvem de suas paisagens, mas também a modelam.[8] Essa interação entre a paisagem “natural” e os homens criou a “paisagem cultural”.[9] O trabalho de Sauer foi muito qualitativo e descritivo e foi ultrapassado nos anos 30 pela geografia regional de Richard Hartshorne, seguida pela revolução quantitativa[10] . A geografia cultural foi praticamente deixada de lado, apesar de escritores como David Lowenthal continuarem a trabalhar no conceito de paisagem.

Nos anos 70, a crítica do positivismo na geografia fez com que os geógrafos fossem além da geografia quantitativa em suas ideias. Uma das áreas revisitadas foi a geografia cultural.

Nova geografia cultural[editar | editar código-fonte]

Desde os anos 80, a “nova geografia cultural” emergiu, trazendo diversas tradições teóricas, incluindo o modelos político-econômicos Marxistas, a teoria feminista, a teoria pós-colonialismo, o pós-estruturalismo e a psicanálise.

Partindo particularmente das teorias de Michel Foucault e da performatividade, do meio acadêmico ocidental e das mais diversas influências da teoria pós-colonialista, houve um grande esforço para desconstruir a cultura para revelar as várias relações de poder. Áreas de particular interesse são a identidade política e a construção da identidade.

Exemplos de áreas de estudo incluem:

Alguns que trataram sobre a “nova geografia cultural” focaram sua atenção na crítica de algumas de suas idéias, por causa das visões sobre a identidade e espaço como estáticos. Seguiram-se às críticas de Foulcault feitas por outros teóricos pós-estruturalistas como Michel de Certeau e Gilles Deleuze. Nesta área, a geografia não-representacional e a pesquisa da mobilidade populacional dominaram. Outros tentaram incorporar estas críticas de volta à nova geografia cultural.

Referências

  1. Jordan-Bychkov, Terry G.; Domosh, Mona; Rowntree, Lester. The human mosaic: a thematic introduction to cultural geography. New York: HarperCollinsCollegePublishers, 1994. ISBN 978-0-06-500731-2.
  2. Zelinsky, Wilbur (2004). "Globalization Reconsidered: The Historical Geography of Modern Western Male Attire". Journal of Cultural Geography Vol. 22.
  3. Debres, Karen. (2005). "Burgers for Britain: A Cultural Geography of McDonald's UK". Journal of Cultural Geography Vol. 22.
  4. Jones, Richard C.; 2006; Cultural Diversity in a “Bi-Cultural” City: Factors in the Location of Ancestry Groups in San Antonio; Journal of Cultural Geography
  5. Sinha, Amita; 2006; Cultural Landscape of Pavagadh: The Abode of Mother Goddess Kalika; Journal of Cultural Geography
  6. Kuhlken, Robert; 2002; Intensive Agricultural Landscapes of Oceania; Journal of Cultural Geography
  7. a b Peet, Richard; 1998; Modern Geographical Thought; Blackwell
  8. Sauer, Carl; 1925; The Morphology of Landscape
  9. ibid.
  10. Diniz Filho, Luis Lopes; 2009; Fundamentos epistemológicos da geografia. Curitiba; IBPEX

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Leitura complementar[editar | editar código-fonte]

  • Tuan, Yi-Fu. 2004. "CENTENNIAL FORUM: Cultural Geography: Glances Backward and Forward". Annals of the Association of American Geographers. 94 (4): 729-733.