BookCrossing

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Livro "libertado" no banco de um ponto de ônibus, em Sydney.

BookCrossing é um conceito que surgiu nos Estados Unidos da América e, num sentido lato, pode ser definido como a prática de deixar um livro num local público, para que outros o encontrem, o leiam, o voltem a libertar e assim sucessivamente. O conceito encontra-se definido desde Agosto de 2004 no Concise Oxford English Dictionary:

Cquote1.svg bookcrossing n. the practice of leaving a book in a public place to be picked up and read by others, who then do likewise. Cquote2.svg
Concise Oxford English Dictionary

O objectivo dos membros do BookCrossing é transformar o mundo inteiro numa biblioteca. Para que isso se torne numa realidade, não se importam de libertar os seus livros em locais públicos (cafés, transportes públicos, paragens de autocarro, bancos de jardim e outros sítios que a imaginação ditar) para que o maior número de pessoas os possam ler, em vez de os manterem parados nas suas estantes. Desta forma, o acesso à cultura e especificamente à leitura torna-se verdadeiramente universal.

No entanto, existe ainda um conceito restrito de BookCrossing que se refere à comunidade virtual, que não conhece limites geográficos, gerada em torno do sítio de internet criado com a intenção de se seguir o trajecto dos livros registados no mesmo, nas suas viagens pelo mundo, através de um número identificativo escrito dentro de cada um dos livros. É acerca desse conceito mais restrito que este artigo se debruçará, apesar de se poder fazer bookcrossing sem que os livros estejam registados no referido sítio de internet.

História[editar | editar código-fonte]

O BookCrossing foi originalmente concebido em Março de 2001 por Ron Hornbaker, um sócio da Humankind Systems, Inc. A 17 de Abril a ideia foi concretizada, dando-se o lançamento do sítio na Internet. Desde esse dia, o BookCrossing cresceu exponencialmente, tornando-se num movimento global.

Em Maio de 2005 o site ganhou dois prémios Peoples' Voice atribuídos pela Webby Awards: o prémio para Best Community Website e o de Best Social/Networking Website. O BookCrossing esteve ainda envolvido num projecto da BBC Radio, que consistiu na libertação de 84 cópias da obra de Helene Hanff 84 Charing Cross Road. Este programa foi nomeado para o Sony Radio Academy Awards em 2006.

Em Julho de 2007 Cingapura tornou-se no primeiro país oficial do BookCrossing. Numa iniciativa com a colaboração da Biblioteca Nacional de Singapura, 2.000 locais receberam a designação de hotspots, algo semelhante a uma OBCZ (Official BookCrossing Zone ou Zona Oficial de BookCrossing).

Durante a Feira do Livro de Lisboa de 2009 o programa Lisboa, Encruzilhada de Mundos (LEM), da responsabilidade da Vereadora Manuela Júdice, no pelouro das Relações Internacionais da Câmara Municipal de Lisboa, esteve presente com um pavilhão cujo principal objectivo era, não a venda, mas a troca de livros em várias línguas, numa parceria com a comunidade bookcrosser portuguesa. Nesse pavilhão de troca de livros, os leitores portugueses e das várias comunidades que habitam Lisboa foram convidados a participar de uma biblioteca global. Com mais de 2.700 livros libertados durante um período de cerca de três semanas, esta iniciativa teve um imenso sucesso e fez com que o movimento fosse divulgado a nível nacional sem precedentes.

A 31 de Março de 2010 a comunidade internacional do BookCrossing contava já com 852.371 membros e 6.221.685 livros registados. Portugal é um dos 10 países do mundo com mais pessoas inscritas (mais de 11.900).

Processo[editar | editar código-fonte]

O objectivo do BookCrossing é fazer do mundo uma biblioteca. Para tal, os membros da comunidade libertam livros em locais públicos para que as restantes pessoas que os frequentam os encontrem e leiam.

No entanto, o conceito não se limita a ser sinónimo de abandonar livros na rua. Registar livros no site não implica obrigatoriamente a sua libertação, embora a experiência demonstre que, passado algum tempo, até os mais reticentes passam a estar dispostos a partilhar os seus livros com os outros e, quem sabe, até a libertarem-nos na rua.

Registar[editar | editar código-fonte]

Para ser libertado, o livro tem de ser registado no site. Aquando do registo, é-lhe atribuído um número de identificação BCID (BookCrossing Identification) que permitirá ao "dono" original e aos que venham a dar entrada do livro posteriormente terem notícias da sua viagem pelo mundo. Este número deve ser escrito no livro, devendo ser também incluída alguma informação sobre o BookCrossing e os seus objectivos. Para este fim podem ser utilizadas etiquetas próprias.

Libertar[editar | editar código-fonte]

Depois é só avisar quando e em que parte da cidade se vai libertar o livro. O objectivo é que alguém o recolha e, através do seu número identificativo, aceda ao site e faça uma Journal Entry, dizendo que o encontrou. Isto não implica o registo na comunidade, porque pode ser feito anonimamente. No entanto, quem desejar usufruir em pleno do site (por exemplo, participar nos diversos fóruns, registar os seus próprios livros, etc.) terá de se inscrever. A inscrição é totalmente gratuita e anónima. O novo membro terá apenas de criar uma identidade virtual que o identificará sempre que fizer novos registos no site.

Por que fazer BookCrossing?[editar | editar código-fonte]

O Bookcrossing é uma combinação de surpresa, aventura, altruísmo, serendipidade e gosto pela leitura a que os verdadeiros bibliófilos não conseguem resistir. Além disso, muitos são os livros que só se lêem uma vez. Por que não pô-los então a viajar pelo mundo, indo ao encontro de novos leitores, em vez de ficarem a apanhar pó na estante?

Zonas Oficiais de BookCrossing[editar | editar código-fonte]

Como são poucos os livros que são libertados ao vento que voltam a dar notícias, surgiram outras modalidades de partilha de livros entre os bookcrossers activos, tais como as Zonas Oficiais de Libertação (OBCZ - Official BookCrossing Zones).

As OBCZ são espaços abertos ao público (tais como cafés, lojas, restaurantes, hotéis, escolas, bibliotecas etc.) reconhecidos pelos membros do movimento como local de libertação de livros registados no BookCrossing, mediante autorização do gerente ou proprietário do estabelecimento. Por serem oficiais, estes locais possuem geralmente uma prateleira ou uma estante específica para os livros e encontram-se identificadas com cartazes alusivos ao movimento. É frequente esses espaços funcionarem também como ponto de encontro de bookcrossers.

BookRings, BookRays e RABCKs[editar | editar código-fonte]

Além das OBCZ, existem ainda outras formas de partilha de livros entre os bookcrossers. São eles os:

  • BookRings - empréstimo de um livro que, no fim da sua viagem, regressa ao seu dono original. É normal que os BookRings obedeçam a determinadas regras (tais como o prazo dado para se ler o livro, se se pode ou não sublinhá-lo etc.), visto que se trata de uma espécie de empréstimo alargado a várias pessoas.
  • BookRays - o livro não volta a quem o lançou na sua viagem pelo mundo.
  • RABCKs (Random Act of BookCrossing Kindness) são actos aleatórios de bondade, segundo o qual uma pessoa oferece um livro sem esperar nada em troca.

Estas formas de partilha são sempre anunciadas nos fóruns do site oficial e os livros são geralmente enviados por correio ou passados por mão própria. Desta forma, com o tempo, o BookCrossing tornou-se em algo mais que o mero conceito de libertar livros ao vento, para se tornar numa verdadeira comunidade virtual de troca de opiniões sobre os livros que cada um lê.

Críticas[editar | editar código-fonte]

Como tantas outras iniciativas de partilha gratuita de bens intelectuais, o BookCrossing não escapou a críticas. O principal motivo das críticas negativas é o de que o movimento poderá reduzir os royalties dos escritores em todo o mundo.

Será então o BookCrossing ilegal, uma vez que os membros da comunidade lêem livros sem pagarem nada por eles? A contra-argumentação dos bookcrossers baseia-se no facto de que se o movimento é ilegal, também as bibliotecas o seriam.

De facto, ao contrário do que acontece, por exemplo, com a pirataria de músicas através de programas de partilha de ficheiros (em que cada música é copiada de computador para computador), tal não acontece com os livros, uma vez que estes não são fotocopiados nem reproduzidos sob qualquer outra forma. Existe um único livro, pelo qual já foram pagos direitos para fazer dele o que se quiser: guardar, emprestar, oferecer. O BookCrossing é assim visto como uma forma de oferecer livros. O que é estranho é que são oferecidos a desconhecidos.

Para além disso, muitas pessoas afirmam que o BookCrossing as incentiva a comprar mais livros, tanto para ler e guardar (de autores que não conheciam e que descobriram precisamente por causa do movimento), como para organizar novas libertações, bookrings ou bookrays. Isto significa, portanto, que esta maneira de partilhar livros pode também contribuir para a divulgação dos autores e para a conquista de novos consumidores.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]