Cosmologia bíblica

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

A Cosmologia Bíblica é a teoria cosmológica que pode ser reconstituida a partir das informações contidas na Bíblia sobre a origem e constituíção do universo.

Cosmologica bíblica.

Gianfranco Ravasi, Il cielo tra fisica e metafisica, in L'Osservatore Romano, 2009, (traduzido do italiano):

[A Bíblia] nos oferece uma precisa cosmologia, obviamente modelada na ciência arcaica, florescida na Mesopotâmia, no Egito e na Pérsia [...]. O céu, assim, é descrito como uma gigantesca cúpula luminosa, chamado em hebraico raqia' , ou seja, o firmamento, suportado por colunas cósmicas cujas fundações penetram, além da superfície terrestre horizontal, no abismo caótico e infernal, antípoda do céu. Uma cúpula acima da qual se agita o oceano celestial, cujo fluxo de água, regulado por grandes obturadores, pode disseminar sobre a terra a chuva benéfica ou o dilúvio devastador. É por isso que aparece, desde a primeira, famosa página bíblica da criação do céu e da terra (capítulo 1 do Gênesis), a distinção entre as "águas superiores" celestes e as "inferiores" da imensa bacia do mar.

Do colossal reservatório celeste descem, assim, água, granizo, geada, neve, ventos, nuvens e tempestades [...]. As imagens para representar a cúpula do céu se multiplicam: é semelhante a um pergaminho desenrolado, diz Isaías (34, 4), que recorre também à ideia de um véu ou uma tenda beduína esticada pelo Criador com um gesto potente (40, 22); é uma espécie de base para um palácio real no qual — é o mesmo texto de Isaías a afirmá-lo de modo pitoresco - Deus "domina acima do disco terrestre, cujos habitantes vê como se fossem gafanhotos".

Na majestosa abóbada do céu estão pendentes "os grandes luminares", ou seja, o Sol e a Lua, verdadeiros e próprios relógios cósmicos e litúrgicos para as estações, para o calendário das festas e para o ritmo circadiano; nessa abóbada estão fixas as estrelas e as constelações — a Ursa Maior, Órion e as Plêiades são mencionados, por exemplo, em Jó 9, 9 — e os planetas, Vênus, "Lúcifer" é mencionado por Isaías (14, 12), enquanto Saturno, "Quijum", por Amós (5, 26). É significativo observar que, enquanto no antigo Oriente Próximo, o Sol, a Lua e as estrelas são divindades, para a Bíblia eles são "laicamente" simples criaturas comandadas pelo Criador em seu trabalho e em suas órbitas: "O sol se levanta, o sol se põe; apressa-se a voltar a seu lugar; em seguida, se levanta de novo." (Eclesiastes, 1, 5); "armou Deus para o sol uma tenda. E este, qual esposo que sai do seu tálamo, exulta, como um gigante, a percorrer seu caminho. Sai de um extremo do céu, e no outro termina o seu curso; nada se furta ao seu calor." (Salmos, 19, 5-7).

Quanto à disparidade entre a Cosmologia Bíbica e a Cosmologia científica moderna, costuma-se dizer que o objetivo da Bíblia não está no conhecimento científico, mas em que o homem conheça a Deus e o propósito de sua própria existência. No Novo Testamento o apóstolo Paulo escreve a Timóteo: Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. [1]

Referências

  1. Bíblia Sagrada. Segunda Carta de Paulo a Timóteo, capítulo 3, versos 16 a 17.