Defesa Câmara

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Defesa Câmara
Começo de um tabuleiro de xadrez. a b c d e f g h
8 torre preta em a8 cavalo preto em b8 bispo preto em c8 torre preta em f8 rei preto em g8 8
7 peão preto em a7 peão preto em b7 peão preto em c7 dama preta em e7 peão preto em f7 bispo preto em g7 peão preto em h7 7
6 peão preto em d6 cavalo preto em f6 peão preto em g6 6
5 peão preto em e5 5
4 4
3 3
2 peão branco em a2 peão branco em b2 peão branco em c2 peão branco em d2 peão branco em e2 peão branco em f2 peão branco em g2 peão branco em h2 2
1 torre branca em a1 cavalo branco em b1 bispo branco em c1 dama branca em d1 rei branco em e1 bispo branco em f1 cavalo branco em g1 torre branca em h1 1
a b c d e f g h Fim do tabuleiro de xadrez.
Movimentos 1.e4 e5 2.Cf3 De7!? 3..Cf6 4...g6 5..Bg7
Origem Hélder Câmara,1954
ECO C401
Classificação Defesa Híbrida

Defesa Câmara, também conhecida como Defesa Brasileira, é a denominação de uma defesa de xadrez, criada pelo MI Hélder Câmara entre os anos de 1952 e 1953, aparecendo oficialmente em 1954, durante o Torneio Nacional Comemorativo do IV Centenário da Cidade de São Paulo e o XXII Campeonato Brasileiro de Xadrez de 1954, também realizado em São Paulo. A Defesa Câmara originalmente era conhecida como Defesa HC.

A Defesa Câmara é uma defesa híbrida, combinando elementos das Escolas Ortodoxa e Hipermoderna de Enxadrismo.

Não confundir com a Defesa Gunderam, que embora utilize o lance 2...De7, não segue com os movimentos característicos da Defesa Índia do Rei, que são a razão de existir da Câmara.

Características[editar | editar código-fonte]

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Este sistema defensivo foi utilizado por Hélder Câmara para a obtenção de seu título de Mestre Internacional, no sul-americano de 1972, realizado em São Paulo, e no Magistral de Nethanya de 1973, em Israel.

Sobre as diversas denominações pelas quais a defesa é conhecida, Hélder Câmara, em sua obra-prima Diagonais, defende vigorosamente a adoção da expressão Defesa Câmara como aquela que deve ficar com o status de oficial:

Cquote1.svg No meu repertório teórico, entre violentos gambitos e variantes inusuais ou desconhecidas, estava, é claro, a Defesa Câmara, utilizada por mim à exaustão. Mas logo não faltou que se apressasse na dolorosa observação: “Olhem, ele também conhece a Defesa Brasileira!” Naquele exato momento, como se um raio atravessasse a minha mente, compreendi que se haviam aproveitado da minha ingenuidade para a vaidosa satisfação pessoal de alguns que jamais pensaram em me ver de volta reclamando os frutos da minha inspiração. Mas o nome de Defesa Brasileira já contava com o aval dos desinformados e com a minha desesperada e impotente indignação. Naquela época, em termos de xadrez, eu ainda não obtivera nenhum título relevante e, assim, a minha voz não era bastante forte para reclamar daquela esbulhação. Em 1958, tornei-me campeão carioca. Desde então, as pessoas que conheciam a verdade histórica desse meu esquema defensivo passaram a chamá-lo de Defesa HC, como era originariamente conhecido. Depois, porém, em homenagem ao nome da única família que revelou dois irmãos (Ronald e Hélder) campeões brasileiros de xadrez, aliás, bi-campeões, passei a denominá-la de Defesa Câmara – que é o nome pelo qual ele deverá ser conhecida na posteridade. Cquote2.svg
Hélder Câmara


Conceito principal e variantes[editar | editar código-fonte]

A idéia fundamental da Defesa Câmara é a de uma inversão de nove lances que possibilita o emprego da Defesa Índia do Rei contra a Abertura do Peão do Rei, sendo iniciada com os seguintes lances:

  • 1.e4 e5 2.Cf3 De7!?, sendo seguido pelos lances ...Cf6, ...g6 e ...Bg7, criando a formação indiana típica na ala do rei negro.

Segundo Richard Fuzishawa, a Defesa Câmara é um "sistema muito sólido com várias variantes interessantes, principalmente adotado por aqueles jogadores adeptos da Defesa Índia do Rei".

O Sistema Pirc/Robatsch segue o mesmo princípio da Câmara, jogando a Índia do Rei contra o 1.e4 branco, todavia, sem a novidade teórica 2.De7!, sendo que os lances são os mesmos da Índia do Rei, mas em outra ordem, por transposição.

Linha principal[editar | editar código-fonte]

  • 3.Cc3, com duas continuações interessantes para as brancas: 3. Bc4 ou Ba3 (após b2-b3).

Variantes[editar | editar código-fonte]

  • 3.g3
  • 3.b3

Primeira partida[editar | editar código-fonte]

Em nível magistral, a primeira partida oficial na qual foi utilizada a Defesa Câmara foi a disputada pelos enxadristas Manoel Madeira de Ley, de brancas, e seu criador o MI Hélder Câmara, de negras, na quarta rodada do Torneio do IV Centenário da Cidade de São Paulo, em 19 de outubro de 1954:

1.e4 e5 2.Cf3 De7!? 3.Bc4 g6! 4.Cc3 c6 5.d3 Bg7 6.a4 Cf6 7.h3 0-0 8.Be3 Td8 9.Bg5 h6 10.Bxf6 Dxf6 11.0-0 d6 12.Dd2 Bxh3! 13.Ch2 Be6 14.Rh1 d5 15.Ba2 d4 16.Ce2 Bxa2 17.Txa2 De6 18.Taa1 c5 19.f4 f5?! 20.exf5 gxf5 21.fxe5 Bxe5 22.Cf4 Df6 23.Df2 Tf8 24.Tae1 Cc6 25.Df3 Tf7 26.Dd5 Td8 27.De6 Dxe6 28.Cxe6 Td5 29.Cf4 Bxf4 30.Txf4 Te5 31.Tdf1 Te2 32.T1f2 Txf2 33.Txf2 Ce5 34.Te2 Cg4 35.Cxg4 fxg4 36.Rh2 Rg7 37.Rg3 ½-½.

Outras partidas ilustrativas[editar | editar código-fonte]

1e4 e5 2.Cf3 De7 3.Bc4 d6 4.0-0 g6 5.d4 Bg4 6.h3 Bxf3 7.Dxf3 Bg7 8.Db3 c6 9.Bg5 Cf6 10.f4 0-0 11.fxe5 dxe5 12.Bxf6 Bxf6 13.Txf6 Dxf6 14.Dxb7 Df4 15.Ca3 De3+ 16.Rh2 Dxd4 17.Tf1 Cd7 18.c3-Dd2 19.Cb1 Dd6 20.Txf7 Txf7 21.Dxa8 Db8 22.Dxc6 1-0

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Classificação ECO, acessado em 26-09-2009.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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