Dr. Fritz

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Dr. Fritz é a denominação de uma entidade espiritual que, segundo crença religiosa, incorporaria médiuns para efetuar tratamentos espirituais.[1] Obteve fama mundial através da mediunidade de José Pedro de Freitas (José Arigó),[1] a partir do final da década de 1950, no Brasil. Diversos médiuns em todo o país e na Europa já afirmaram manifestar o espírito de Fritz.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Todas as informações acerca de Fritz provêm de supostas comunicações mediúnicas com o plano espiritual. Nenhum pesquisador jamais documentou a sua vida terrena.[1] Das descrições esparsas colhidas em comunicações através de diversos médiuns ao longo dos anos, emerge uma versão popularmente aceita de que [carece de fontes?] a entidade, em vida, teria usado o nome de Adolf Fritz,[1] nascido em Munique, na atual Alemanha, cerca de 1876. Seu pai, asmático, recebeu recomendação médica para mudar de clima. Por essa razão, a família mudou-se para a Polônia, quando Adolf teria quatro anos de idade. Forçado a trabalhar desde cedo pela morte prematura de seus pais, custeou os próprios estudos, vindo a se formar em Medicina. Um mês após a sua formatura, um general chegou ao seu consultório com a filha gravemente enferma nos braços mas, a despeito de todos os seus esforços, a menina veio a falecer. O oficial responsabilizou Adolf pela morte da menina, conduzindo-o à prisão, onde sofreu maus-tratos e privações. Evadindo-se da prisão, Adolf foi para a Estônia, onde viveu durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Outra versão dessa suposta biografia sustenta que Adolf ingressou no quadro de Saúde do Exército Alemão, no posto de Capitão, como Clínico Geral. À época da Primeira Guerra, teria atendido os feridos no campo de batalha onde, por falta de instrumentos adequados, acumulou experiência no atendimento de emergências e de prática cirúrgica utilizando os limitados recursos que o front lhe oferecia.

Adolf Fritz teria falecido em 1918, aos quarenta e dois anos de idade, embora se desconheçam informações sobre as causas e o local desse evento.

Os médiuns[editar | editar código-fonte]

Após deixar o plano físico, tendo sido esclarecido acerca de sua nova condição, Dr. Fritz teria iniciado o atendimento espiritual no Brasil, inicialmente através de uma irmã de caridade. Outros autores afirmam que esse início foi através de um médium na Bahia, o qual cobrava por suas consultas, o que teria prejudicado a relação.

José Arigó[editar | editar código-fonte]

Ainda através de relatos esparsos, surgiu a versão de que Adolf Fritz e José Pedro de Freitas, encarnados à época da Primeira Guerra, haviam sido companheiros e amigos. Posteriormente, à época da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), José Pedro teria encarnado no Brasil, tendo a entidade Dr. Fritz aqui vindo trabalhar a convite de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Afirma-se ainda que, após a desencarnação violenta, José Pedro teria passado a trabalhar como Enfermeiro na falange da entidade.

José Arigó, incorporando o espírito do Dr. Fritz, escrevia receitas em uma letra incompreensível, mas que conseguiam ser interpretadas por seu irmão, que era farmacêutico.[1] Arigó foi processado duas vezes por prática ilegal da medicina, e morreu em um acidente de carro, em 1971.[1]

Edivaldo de Oliveira Silva e Oscar Wilde[editar | editar código-fonte]

Após a morte de José Pedro de Freitas, em janeiro de 1971, num acidente de carro que o próprio médium previu, a entidade passou a se manifestar através dos médiuns baianos Edivaldo de Oliveira Silva (também nomeado como Edivaldo Wilde) e, após o seu falecimento, seu irmão, Oscar Wilde: numa trágica coincidência, a seu tempo, ambos também conheceram a morte em acidentes automobilísticos.

Edivaldo residia no estado da Bahia, onde lecionava. Quinzenalmente percorria cerca de oitocentos quilômetros para chegar ao Rio de Janeiro, onde atendia a centenas de pessoas que o aguardavam. Em seguida, viajava até Recife, de onde retornava para as suas atividades docentes, na Bahia[2] .

Nascido em Vitória da Conquista, no estado da Bahia, Wilde atendia ao som da Ave-Maria e, como o seu antecessor, empregava como instrumento cirúrgico qualquer objeto perfuro-cortante, que podia ser um canivete ou uma faca de cozinha. Afirma-se que, no consultório que mantinha em um Centro Espírita, chegou a atender mais de 400 mil pacientes. Antes de falecer, Wilde também foi investigado pelas autoridades, chegando a ser acusado de charlatão pela Associação Espiritualista da Bahia.

Maurício Magalhães[editar | editar código-fonte]

Ainda após a morte de José Pedro de Freitas, afirma-se que a entidade passou a se manifestar por intermédio da mediunidade do matogrossense Maurício da Silva Magalhães. O médium foi detido em flagrante, em fevereiro de 1998, em Braço do Norte (SC), acusado de exercício ilegal da medicina, charlatanismo e formação de quadrilha[3] . Tendo fundado hospitais e centros em Mato Grosso e Santa Catarina, atualmente atua em Uberaba (Minas Gerais).[carece de fontes?]

Edson Queiroz[editar | editar código-fonte]

Ao final da década de 1970, entidade passou a utilizar como veículo a mediunidade do pernambucano Edson Cavalcante Queiroz, um médico ginecologista. A seu turno, Edson também sofreu questionamentos por parte das autoridades, especialmente pelo Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (CREMEPE), que chegou a processá-lo por infringir o Código de Ética Profissional. Julgado, foi condenado e teve o seu registro profissional cassado. Dois anos mais tarde, em 1985, foi absolvido pelo Conselho Federal de Medicina.

Rubens Farias Júnior[editar | editar código-fonte]

Em meados da década de 1980, e particularmente após o assassinato de Edson Queiroz, a facadas pelo seu caseiro, em 1991, a entidade passou a se manifestar pela mediunidade do paulista Rubens Farias Jr., Engenheiro Eletrônico que residia no Rio de Janeiro. Dr. Fritz também prevê uma morte violenta para Rubens Farias Júnior.[1]

Aylla Harard[editar | editar código-fonte]

Em meados de 2003 a médium Aylla Harard passou a trabalhar com a entidade, realizando cirurgias espirituais a todos os tipos de problemas e atraindo multidões a Guaratinguetá e Caçapava, no interior de São Paulo onde o atendimento ocorre. Este não usa nenhum tipo de aparelho cortante.

Outros médiuns[editar | editar código-fonte]

Técnicas[editar | editar código-fonte]

As técnicas da entidade têm variado nas últimas cinco décadas, evoluindo do receituário instantâneo e das cirurgias empregando instrumentos perfuro-cortantes normalmente inadequados e sem assepsia, até outras técnicas de tratamento espiritual como o emprego de água fluidificada, passes, desobsessão, e outras. Chamavam a atenção o fato de as cirurgias, mesmo sob as condições sépticas mais adversas, apresentarem reduzido ou nenhum sangramento, ausência de infecção pós-operatória, rápida cicatrização dos cortes sem necessidade de suturas, redução ou mesmo ausência de dor durante os procedimentos.

Referências

  1. a b c d e f g h Skeptic's Dictionary, Dr. Fritz [em linha]
  2. Terra dos fenômenos paranormais. Revista Planeta, n° 76, jan. 1979, p. 11-16.
  3. Polícia liberta auxiliares de Médium: Homem que diz incorporar Dr. Fritz continua preso. A Notícia, 18 fev 1998. Consultado em 27 jan. 2009.
  4. Homem que incorpora Dr. Fritz tem a prisão decretada. in: Campo Maior em Foco, 25 Abr 2010. Consultado em 7 Abr 2011.
  5. Federação Espírita de AL se manifesta contra homem que incorpora Dr. Fritz O Jornal Alagoas, 8 Out 2010. Consultado em 7 Abr 2011.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ALVARENGA, Luiz Otávio. Curas Espirituais e tratamentos mediúnicos (Coleção Profecia, nº 5). Rio de Janeiro: Ediouro Publicações S/A, .
  • COMENALE, Reinaldo. "Zé Arigó", oitava maravilha. Belo Horizonte: Ed. Boa Imagem, 1968. 208p. il. [tradução de Enrique Martin Blanco; prefácio de Chico Xavier]
  • FULLER, John Grant. Arigo: surgeon of the rusty knife. New York: Thomas Y. Crowell, 1974. 274p. [prefácio por Henry K. Puharich, MD] ISBN 0690005121
  • PIRES, J. Herculano. Arigó: vida, mediunidade e martírio (4a. ed.). Capivari (SP): Eme, 1998. 193p. ISBN 8573530499
  • GONZALEZ-QUEVEDO, Oscar (Pe.). Curandeirismo: Um Mal ou Um Bem?. São Paulo: Ed. Loyola, 1976.
  • MAKI, Masao. In Search of Brazil's Quantum Surgeon: The Dr. Fritz Phenomenon. Redwood, N.Y.: Cadence Books, 1998.
  • PLAYFAIR, Guy Lyon. The Flying Cow: Research Into Paranormal Phenomena in the World's Most Psychic Country. London Souvenir Press, 1975 ISBN 0285621602
  • RENAULT, Frank. Médiuns, Espíritas e Videntes: seus segredos e poderes. Rio de Janeiro: Editora Tecnoprint S/A, 1984. 112p. il.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]