Humbaba

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Na mitologia mesopotâmica Humbaba (para os assírios) ou Huwawa (para os babilônicos) era um monstro gigante gerado em tempos imemoriais pelo deus Utu, o Sol.[1] Humbaba/Huwawa era também o guardião da Floresta de Cedros, a moradia dos deuses.

Representações[editar | editar código-fonte]

Sua face se assemelha à de um leão. "Quando ele olha para alguém, é o próprio olhar da morte".[2] Em várias fontes, sua face se mostra repleta de entranhas encaracoladas, semelhante às das bestas.[3] Ele recebeu o título de "Guardião da fortaleza dos intestinos." Na mitologia, é irmão de Pazuzu e Enki, e filho de Hanbi.

Morte[editar | editar código-fonte]

No épico de Gilgamesh, após se tornarem amigos depois de uma luta, Gilgamesh e Enkidu partiram para uma aventura na Floresta de cedros além da sétima montanha com a missão de matar Humbaba: "Enkidu," Gilgamesh diz, "nenhum homem pode driblar a morte e ir além dela, eu quero ir além das montanhas e lá conquistar a imortalidade."[2] Gilgamesh engana o monstro oferecendo suas irmãs como esposas e concubinas em troca dos seus sete esplendores. Quando Humbaba se distrai, Gilgamesh perfura o monstro e o captura. Derrotado, Humbaba suplica pela clemência de Gilgamesh, mas Enkidu convence Gilgamesh a matar Humbaba. Em um último esforço, Humbaba tenta escapar, mas é decapitado por Enkidu, ou em outras versões pelos dois heróis juntos. Sua cabeça é posta em um saco de couro e entregue a Enlil, o deus que enviou Humbaba para ser o guardião da floresta. Enlil fica enfurecido após saber disso e redistribui os sete esplendores de Humbaba (em algumas tábulas "auras"). "Ele deu a primeira aura de Huwawa para os campos. A segunda para os rios. A terceira para os canaviais. A quarta para os leões. A quinta para o palácio (um texto diz escravos de dívidas). A sexta para as florestas (alguns textos dizem colinas). A sétima e última para Nungal, a deusa dos prisioneiros."

Enquanto Gilgamesh distrai e engana o espírito da floresta de cedros, os 50 jovens homens solteiros que ele trouxe à aventura derrubam o cedro, removendo seus galhos e deitando-o "em várias pilhas na encosta", pronto para ser levado embora.

Conforme sua morte se aproxima, e Gilgamesh está oprimido por sua própria mortalidade, os deuses lembram-lhe dos seus grandes feitos: "… ter trazido o cedro, a árvore única, de suas montanhas, ter matado Humbaba na floresta…".[4]

Notas

  1. "Utu, eu nunca conheci a mãe que me gerou, nem o pai que me gerou! Eu nasci nas montanhas – você me expôs!" (Gilgamesh e Huwawa, versão A), ou "A mãe que me criou foi uma caverna nas montanhas. O pai que me gerou foi uma caverna nas colinas. Utu deixou-me para viver sozinho nas montanhas!"" (Gilgamesh e Huwawa, versão B)
  2. a b Gilgamesh e Huwawa, versão A
  3. Stephanie Dalley., Myths From Mesopotamia, (Oxford University Press) 1989.
  4. The death of Gilgamesh" Segment F from Me-Turan