Joaquim e Ana se encontram na Porta Dourada

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Joaquim e Ana se encontram na Porta Dourada.
1504. Xilogravura de Albrecht Dürer atualmente no [[ Staatliche Graphische Sammlung München]], em Munique.

Joaquim e Ana se encontram na Porta Dourada é o nome de uma xilogravura do artista alemão Albrecht Dürer que representa uma cena da vida dos pais da Virgem Maria, Joaquim e Ana, na qual eles se encontram na Porta Dourada de Jerusalém depois que Ana descobre estar, de forma inesperada, grávida. Esta história não é relatada no Novo Testamento e sim no Protoevangelho de Tiago e em outros relatos apócrifos, mas sua representação na arte era tolerada pela igreja. A imagem mostra um casa se abraçando sob o arco monumental cercado por vizinhos e passantes.

História[editar | editar código-fonte]

O tema principal é a história do casal Joaquim e Ana, que, embora fossem apaixonados, eram muito infelizes por sua incapacidade de gerar um filho, o que ambos entendiam como um sinal de que eles haviam sido rejeitados por Deus. Um anjo informa Ana de sua concepção e já pede que ela vá se encontrar com o marido na Porta Dourada. Neste encontro, o casal se abraça feliz. De acordo com Celidônio: "A felicíssima Ana se atirou nos braços do marido; juntos, eles se regojizaram com a honra que lhes foi concedida na forma de uma criança. Pois eles sabiam pelo mensageiro celeste que a criança seria uma rainha, poderosa no céu e na terra"[1] . Nas representações tradicionais, o casal se abraça sem se beijar[2] .

A obra[editar | editar código-fonte]

A obra é uma entre dezesseis xilogravuras e impressos da séria sobre a Vida da Virgem que Dürer criou entre 1501 e 1511. No reverso de cada imagem está um texto em latim escrito por um membro do círculo intelectual do artista em Nuremberg, o abade beneditino Benedito Celidônio[3] . "Joaquim e Ana se encontram na Porta Dourada" é a única obra da série a incluir uma data[4] . Por toda a série, a Virgem aparece como uma intermediária entre o divino e o terreno, mas com uma série de fragilidades humanas.

Dürer segue a convenção inicial renascentista e cria a ilusão de se estar observando a cena através de uma janela aberta. Ele emoldurou diversas obras suas desta forma, inclusive esta, que contém um arco renascentista[5] . A mistura que o artista fez de motivos clássicos e seiscentistas nuremberguianos, além de um cenário típico da Europa Setentrional, tinha por objetivo trazer as imagens mais para perto da audiência. De acordo com a crítica Laurie Meunier Graves, "estas impressões conseguiram iluminar o sagrado e deixaram espaço para a imaginação"[6] . Assim como as outras obras da série, ela se distingue pelo talentoso uso da linha e pelo corte da madeira extremamente habilidoso[7] .

Referências

  1. Nurnberg (1983), Ilus. 59.
  2. Lubbock, Tom. "The Meeting at the Golden Gate (1305)". The Independent (UK), 16 February 2007. Retrieved on 14 October 2007.
  3. "Albrecht Durer (Nuremberg, 1471-1528): The Engraved Passion". Spaightwood Galleries. Retrieved on 18 October 2007.
  4. Willi (1935), p. 25.
  5. Shaw-Eagle, Joanna. "Four Exhibits Drawn Together". The Washington Times, 29 July 2000.
  6. Meunier Graves, Laurie. "Dürer's life of the Virgin as social document". Retrieved on 18 October 2007.
  7. "The Life of the Virgin". "German 16th Century Prints". Victoria: Art Gallery of Greater Victoria, 1983. Retrieved on 18 October 2007.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Kurth, Dr. Willi. "The complete woodcuts of Albrecht Durer". New York: Arden Book Co, 1935.
  • Nurnberg, Verlag Hans Carl. "Dürer in Dublin: Engravings and woodcuts of Albrecht Dürer". Chester Beatty Libraery, 1983.
  • Strauss, Walter L. "Albrecht Durer Woodcuts and Woodblocks". The Burlington Magazine, Vol. 124, No. 955, October, 1982. pp. 638-639.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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