Melodrama

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A pintura Mélodrame, por Honoré Daumier (1856-1860), representando típica cena parisiense como ocorria na Boulevard du Temple; óleo em tela, atualmente mantido na Nova Pinacoteca de Munique, Alemanha.

O termo melodrama tem significados muitas vezes contraditórios e é aplicado com diferentes significados a formas artísticas diversas e ocorrências variadas e/ou em distintas ocorrências dentro dos meios de comunicação de massas. Originário do grego μέλος = canto ou música + δράμα = ação dramática, refere-se, algumas vezes, a um efeito utilizado na obra, outras como estilo dentro da obra e outras como gênero. Existe desde o século XVII principalmente na ópera, no teatro, na literatura, no circo-teatro, no cinema, no rádio e na televisão. Ele será melhor entendido se reconhecermos algumas de suas diferenças nos meios ou formas artísticas em que ocorre.

Ópera[editar | editar código-fonte]

O melodrama na ópera teria surgido em 1774 como forma de inserir o texto falado ou recitativo na forma cantada. Ariadne auf Naxos (Ariadne em Naxos / Ariadne auf Naxos texto de Brandes e arranjos de Georg Anton Benda,1774) seria uma das primeiras tentativas desta relação musical. O melodrama operístico alemão tem esta característica. O iluminista francês Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), discutindo a ópera e sua transformação na França, utiliza uma definição que erroneamente tem sido utilizada para definir toda e qualquer forma melodramática. Num comentário a Alceste de Gluck, em 1777, Rousseau define melodrama como um procedimento onde a fala e a música, em vez de andarem juntas se alternam, quando uma frase musical anuncia e prepara a frase falada.

Teatro[editar | editar código-fonte]

Se na ópera este termo distingue uma forma ou estilo musical, o melodrama teatral surge oficialmente como gênero em 1800 com a obra Coeline, de René-Charles Guilbert de Pixérécourt, definindo um tipo complexo de espetáculo cênico iniciado após a Revolução Francesa. Com forte influência do teatro das feiras e da pantomima utiliza máquinas, cenas de combate e danças para construção de suas cenas e conta, em sua construção dramática, com a alternância de elementos da tragédia e da comédia.

O melodrama teatral surgiu com grande sucesso de público em temporadas que, pela primeira vez na história do teatro, ultrapassaram as mil representações, isto o fez o primeiro gênero teatral de características internacionais. Seu fundador é o dramaturgo frances René-Charles Guilbert de Pixérécourt (1773-1844) e os principais representantes em outros países são: o inglês Thomas Holcroft (1745-1809) seu introdutor na Grã Bretanha, o alemão August Friederich von Kotzebue (1761-1819) e, nos Estados Unidos, Dion Boucicault (1822-1890).

Seu sucesso duradouro o tornou no principal gênero teatral e literário do século XIX e, posteriormente, fez com que o melodrama teatral fosse absorvendo e exportando elementos a todos os estilos, formas e gêneros artísticos que surgiram durante este período, principalmente o folhetim.

Ao final do século XIX, as novas propostas estéticas que surgiam, entre elas o naturalismo, acabaram negando muitas das formas super utilizadas de interpretação do melodrama, que foram consideradas anti-naturais, o que disseminou um excessivo valor negativo a tudo que fosse considerado melodramático, que se tornou sinônimo de uma interpretação exagerada, anti-natural, assim como de efeitos de apelo fácil à platéia. O início da cultura de massas no século XX veio trazer mais confusão a este gênero de sucesso.

Cinema[editar | editar código-fonte]

Les Deux Orphelines (1921), de D. W. Griffith.

O melodrama no cinema aporta diferentes significados, os filmes de aventura e ação das duas primeiras décadas do século XX eram chamados de melodrama naquela época e foi o gênero de grande sucesso durante a fase muda do cinema, com grande influência do teatro popular e do vaudeville de onde vinham a maioria de seus artistas.

Por outro lado, na segunda metade do século XX, os filmes dirigidos a um certo público feminino, de características totalmente distintas dos filmes de ação, também foram chamados melodrama.

É comum nomear alguns elementos da técnica de interpretação de clown ou palhaço como melodrama. O clown utiliza-se algumas vezes do estilo melodramático como um recurso, uma paródia ou uma distorção, sendo que a interpretação do clown por outro lado pode se dirigir comumente a um estilo de interpretação contido, o que evita a gestualidade ou o exagêro "melodramático".

Com o surgimento das novelas de rádio e posteriormente as de televisão, o termo melodrama acabou se generalizando como um sinônimo de certo tipo de produção cultural que procura efeitos fáceis e conhecidos de envolvimento do público, com a utilização de fundos musicais que procuram induzir a platéia ao choro ou ao suspense, com um sentimentalismo exagerado.

Circo[editar | editar código-fonte]

O melodrama apresentado no circo brasileiro é uma forma constante de manifestação teatral circense que pode ocorrer entre as atrações do circo. De certa forma segue algo do estilo do melodrama teatral do final do século XIX, desenhado em ações, com conflitos polarizados, através de uma dramaturgia simples, baseada em conflitos familiares, atuado de uma forma grandiosa ou exagerada, tendo em vista os padrões de interpretação atuais que sublinham o natural.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • BROOKS, Peter. Melodramatic Imagination. NY: Yale University Press. 1995.
  • CAMARGO, Robson Corrêa de. Espetáculo do Melodrama: arquétipos e paradigmas. Tese de Doutorado apresentada na ECA/Universidade de São Paulo. 2005. A ser editada pela Universidade de Brasília em 2007.
  • FLORES, Fulvio T. Nem só bem feitas, nem tão melodramáticas: The Children´s Hour e The Little Foxes, de Lillian Hellman. Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. 2008. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8147/tde-08072008-150422/
  • HUPPES, Ivete. Melodrama. SP: Atelie Editorial. 2000.
  • OROZ, Silvia. Melodrama. O cinema de lágrimas da América Latina. Rio de Janeiro: Funarte, Ministério da Cultura, 1999, 238p.
  • THOMASSEAU, Jean-Marie. Melodrama. SP: Editora Perspectiva. 2005.