Nova Perspectiva sobre Paulo

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São Paulo.

Nova Perspectiva sobre Paulo ou Teologia da Nova Perspectiva, ou simplesmente Nova Perspectiva, é uma mudança na perspectiva da Reforma (a “Velha Perspectiva”), na interpretação dos escritos do apóstolo Paulo.

Os estudos dos escritos de Paulo foram influenciados pela visão Luterana e Reformada (a “velha perspectiva”), e teriam atribuído a associação do catolicismo romano do século XVI ao judaísmo do primeiro século.

A "Nova Perspectiva" é uma negação dessa associação com base em novas interpretações, e uma compreensão do judaísmo do primeiro século tomada em seus próprios termos, diferente da perspectiva descendente de João Calvino e Lutero.

A Nova Perspectiva está intimamente ligada a uma onda recente de interesse acadêmico no estudo da Bíblia baseado no contexto de outros textos antigos que não o bíblico, e o uso dos métodos da ciência social para compreender a cultura antiga.

História[editar | editar código-fonte]

O termo foi cunhado por James Dunn[1] , em 1983, mas vários escritores motivaram estudos para discutir e debater as questões sobre a Nova Perspectiva, sem necessariamente a utilização do termo, antes mesmo de Dunn.

James Dunn havia proferido palestra em 1982 onde sustentava suas posições inovadoras no teólogo Albert Schweitzer (início do sec. XX), no teólogo luterano Krister Stendahl (final da II Guerra Mundial), e refinando as percepções de E. P. Sanders e sua obra intitulada Paulo e o Judaísmo Palestino, 1977[2]

Em 1963, o teólogo luterano Krister Stendahl publicou um artigo, The Apostle Paul and the Introspective Conscience of the West, afirmando que a visão luterana relacionada a teologia do apóstolo Paulo não se encaixava com as declarações do escritos de Paulo, e na verdade teria sido baseada mais em pressupostos equivocados do que sobre a opinião de Paulo e interpretação cuidadosa de seus escritos. [3]

Em 1977, E. P. Sanders publicou Paul and Palestinian Judaism.[4] , realizando um amplo estudo da literatura judaica e uma análise dos escritos de Paulo, onde ele argumentou que a compreensão luterana tradicional da teologia do judaísmo e Paulo teriam sido fundamentalmente incorreta.

Evangelical[editar | editar código-fonte]

O bispo anglicano e teólogo N.T. Wright, foi um dos primeiros pertencentes ao evangelical a aderir às interpretações que colidem com a visão reformada, e escreveu O que São Paulo Realmente Disse[5] uma obra que visa a popularização de forma não acadêmica da Nova Perspectiva. [6]

Tom Wright, afirma que a visão protestante “não faz justiça à riqueza e à exatidão da doutrina de Paulo, distorcendo-a em vários pontos.” [7] Afirma que essas discussões erraram a partir de Agostinho[8] , acrescenta que essa visão clássica tem “prejudicado sistematicamente” a leitura de Romanos e defende que é o momento de “deixar o texto falar... por si mesmo.” [9]

Crítica[editar | editar código-fonte]

Phil Johnson resume o impacto dessa nova formulação teológica da seguinte forma:

“Sanders abalou o mundo acadêmico dos estudos paulinos contemporâneos com a sugestão revolucionária de que o judaísmo dos dias de Paulo não era aquele sistema baseado em obras” [10]

A respeito de N. T. Wright, Phil Johnson faz uma séria "acusação":

”Nenhuma doutrina é tão importante, na teologia protestante, como a doutrina da justificação pela fé. (...) Se Tom Wright e sua Nova Perspectiva estiverem corretos, Lutero e Calvino – e na verdade todos os reformadores – não compreenderam o apóstolo Paulo e interpretaram seriamente errado a doutrina da justificação. Erraram no assunto ‘principal’.” (última palavra está em itálico no original) [11]

Phil Johnson afirma que tais escritores foram ousados em se considerarem os primeiros a “entenderem corretamente as escrituras”, por “depender[em], em larga escala, da obra de E. P. Sanders, que nem mesmo aceita a autoria paulina da maioria das epístolas de Paulo”. [12]

Movimento?[editar | editar código-fonte]

Em 2003, Tom Wright, se distanciou dos demais em suas formulações e defendeu que não haveria uma nova perspectiva, mas muitas posições de uma nova perspectiva. [13] , bem como Phil Johnson afirma que Sanders, Wright e Dunn também discordam entre si em alguns pontos principais”, e afirma que “falta à Nova Perspectiva a coesão de um movimento”. [14]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. The New Perspective on Paul por James D. G. Dunn
  2. A Velha Perspectiva Sobre Paulo, por Phil Johnson, na obra Ouro de Tolo?, John Macarthur, Editora Fiel, SP, 2006, pag. 64 – ISBN 85-99145-20-7
  3. Krister Stendahl, 'The Apostle Paul and the Introspective Conscience of the West' in The Harvard Theological Review, Vol. 56, No. 3 (Jul., 1963), pp. 199-215. Republished in Paul Among Jews and Gentiles, (Augsburg Fortress Publishers) 1976.
  4. E. P. Sanders, Paul and Palestinian Judaism: A Comparison of Patterns of Religion (Fortress Press, Philadelphia, 1977)
  5. N. T. Wright, "What Saint Paul Really Said", 1997
  6. Phil Johnson, em A Velha Perspectiva Sobre Paulo, na obra Ouro de Tolo?, John Macarthur, Editora Fiel, SP, 2006, pag. 70
  7. O que São Paulo Realmente Disse, capítulo A Justificação e a Igreja, pag. 113
  8. O que São Paulo Realmente Disse, pag115
  9. O que São Paulo Realmente Disse, pag. 117
  10. Phil Johnson, em A Velha Perspectiva Sobre Paulo, na obra Ouro de Tolo?, John Macarthur, Editora Fiel, SP, 2006, pag. 64 – ISBN 85-99145-20-7
  11. Phil Johnson, em A Velha Perspectiva Sobre Paulo, na obra Ouro de Tolo?, John Macarthur, Editora Fiel, SP, 2006, pags. 70, 71
  12. John Macarthur e outros, Ouro de Tolo?, Editora Fiel, SP, 2006, pags. 71
  13. New Perspectives on Paul, por N. T. Wright
  14. John Macarthur e outros, Ouro de Tolo?, Editora Fiel, SP, 2006, pag. 65

Ligações internas[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]