O Rei da Vela

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O Rei da Vela é uma peça de teatro escrita por Oswald de Andrade, um dos principais nomes do Modernismo brasileiro, em 1933. Só foi publicada pela primeira vez em 1937, única edição em vida do autor.[1] Contudo, só foi encenada pela primeira vez trinta anos mais tarde, porque o texto havia sido considerado inviável para apresentação até então. É considerada a mais célebre do autor. Escrita no embalo da crise financeira de 1929, teria sido influenciada pela própria aflição financeira do escritor.[2] Suas personagens, membros da elite burguesa e rural, são retratadas como ridículas e decadentes, envolvidas em falcatruas, exploração, falta de moralidade e sexualidade conturbada.

Personagens[editar | editar código-fonte]

  • Abelardo I;[3]
  • Abelardo II;
  • Heloísa de Lesbos;[3]
  • Joana, "conhecida por João dos Divãs";
  • Totó Fruta do Conde;
  • Coronel Belarmino;
  • Dona Cesarina;
  • Dona Poloquinha;
  • Perdigoto;
  • O americano;
  • O cliente;
  • O intelectual Pinote;
  • A secretária;
  • Devedores e devedoras;
  • O ponto.

Enredo[editar | editar código-fonte]

Trata-se da fábula de um industrial de velas, arruinado sob o peso de empréstimos insaldáveis ao imperialismo norte-americano, retratando a condição subdesenvolvida do país, alvo de uma mentalidade tacanha, autoritária e erigida sobre aparências. Abelardo I casa-se com Heloísa de Lesbos na tentativa de juntar os interesses da burguesia com a falida aristocracia do café, mas nem assim a economia é salva. Abelardo II trai o antigo patrão e torna-se herdeiro do decadente império.

Primeira encenação[editar | editar código-fonte]

A peça só foi realizada em palco em 1967.[2]

Referências

  1. Ver nota do organizador na edição lançada na Coleção Grandes Escritores Brasileiros, volume X, pela Folha de São Paulo: Oswald de Andrade. O rei da vela. Rio de Janeiro: MEDIAfashion, 2008
  2. a b Marcos Augusto Gonçalves, na resenha de contracapa da referida edição.
  3. a b Provável referência irônica a Pedro Abelardo e Heloísa de Paráclito. O sobrenome da personagem Heloísa faz referência à ilha de Lesbos, célebre por ser a morada de Safo, donde deriva a palavra lésbica. A mistura do nome de um freira com uma referência à homossexualidade feminina é particularmente sarcástica.