Trava-línguas

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Trava-línguas é um conjunto de palavras formando uma frase que seja de difícil pronunciação Os travalínguas, além de aperfeiçoadores da pronúncia, servem para divertir e provocar disputa entre amigos. São embaraçosos, provocam risos e caçoadas.

O uso do trava-línguas na escola[editar | editar código-fonte]

Os trava-línguas fazem parte das manifestações orais da cultura popular, são elementos do nosso folclore, como as lendas, os acalantos, as parlendas, as adivinhas e os contos. O que faz as crianças repeti-los é o desafio de reproduzi-los sem errar. Entra aqui também a questão do ritmo, pois elas começam a perceber que, quanto mais rápido tentam dizer, maior é a chance de não concluir o trava-línguas. Esse tipo de poema pode ser um bom recurso para trabalhar a leitura oral, com o cuidado de não expor alunos com mais dificuldades. É nessa leitura que melhor se observa o efeito do trava-línguas e, dependendo da atividade, passa a ser uma brincadeira que agrada sempre. Os trava-línguas podem ainda ser escritos para criar uma coletânea de elementos do folclore e pesquisados em diferentes fontes: livros, sites na internet ou revistas de passatempos.Um dos trava-línguas mais usados na escola é:

  • "O tempo perguntou para o tempo qual é o tempo que o tempo tem. O tempo respondeu pro tempo que não tem tempo de dizer pro tempo que o tempo do tempo é o tempo que o tempo tem".

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

O trava-línguas é citado no Kama Sutra como uma das 64 artes a serem estudadas pelas cortesãs e é descrito da seguinte maneira:

  • Estudo de frases difíceis de pronunciar. É um jogo praticado principalmente pelas mulheres e crianças, e consiste em dar-se uma determinada frase cujas palavras, quando rapidamente repetidas, são frequentemente trocadas ou mal pronunciadas.

Parlenda[editar | editar código-fonte]

Trava-línguas ou parlenda é uma forma literária tradicional, rimada com caráter infantil, de ritmo fácil e de forma rápida. Usada, em muitas ocasiões, para brincadeiras populares. Normalmente é uma arrumação de palavras sem acompanhamento de melodia, mas às vezes rimada, obedecendo a um ritmo que a própria metrificação lhe empresta. A finalidade é entreter a criança, ensinando-lhe algo.

Algumas vezes, é chamada de trava-línguas, quando é repetida de forma rápida ou várias vezes seguidas, provocando um problema de dicção ou paralisia da língua, que diverte os ouvintes. Assim, pede-se a alguém que repita uma parlenda, em prosa ou verso, de forma rápida - "fale bem depressa" - "diga correndo" - ou que a repita várias vezes seguidas - "repita três vezes".

As parlendas não são cantadas e, sim, declamadas em forma de texto, estabelecendo-se como base a acentuação verbal.

Os portugueses denominam as parlendas cantilenas ou lengalengas. Na literatura oral é um dos entendimentos iniciais para a criança e uma das fórmulas verbais que ficam, indeléveis, na memória dos adultos.

Exemplos de trava-línguas[editar | editar código-fonte]

  • O rei perguntou à rainha quantos reis o reino tinha, a rainha respondeu ao rei que o reino tinha tantos reis quanto o rei queria.
  • Eu tenho uma rosa que parece a minha rosa, mas não é a minha rosa, porque a minha rosa é rosa, mas a minha rosa é meiga
  • Num ninho de mafagafas há 7 mafagafinhos, quando a mafagafa gafa, gafam os 7 mafagafinhos
  • Se cá nevasse, fazia-se cá ski.
  • Fui ao mar colher cordões, vim do mar cordões colhi.
  • Uma aranha dentro da jarra. Nem a jarra arranha a aranha nem a aranha arranha a jarra.
  • A aranha arranha a . A rã não arranha a aranha.
  • Sobre aquela serra há uma arara loura. A arara loura falará? Fala, arara loura!
  • Chupa cana chupador de cana na cama chupa cana chuta cama cai no chão.
  • A vida é uma sucessiva sucessão de sucessões que se sucedem sucessivamente, sem suceder o sucesso…
  • Trazei três pratos de trigo para três tigres tristes comerem.
  • A vaca malhada foi molhada por outra vaca molhada e malhada.
  • Comprei uma arara rara em Araraquara.
  • Em rápido rapto, um rápido rato raptou três ratos sem deixar rastros.
  • Pedro Pereira Pedrosa pediu passagem para Pirapora.
  • Pode passar, porteiro, para pegar peixe piau.
  • O princípio principal do príncipe principiava principalmente no princípio principesco da princesa.
  • O Tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem, o Tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo, tempo tem.
  • quatro quadros três e três quadros quatro.
Sendo que quatro destes quadros são quadrados,
um dos quadros quatro e três dos quadros três.
Os três quadros que não são quadrados,
são dois dos quadros quatro e um dos quadros três.
  • Casa suja, chão sujo.
  • Num ninho de mafagafos tem seis mafagafinhos. Quem os desmafagafizar bom desmafagafizador será.
  • O bispo de Constantinopla, é um bom desconstantinopolitanizador. Quem o desconstantinopolitanizar, um bom desconstantinopolitanizador será.
  • Não confunda cafetão de gravata com capitão de fragata.
  • O pelo do peito do pé do Pedro é preto.
  • Pinga a pia apara o prato, pia o pinto e mia o gato
  • Não confunda ornitorrinco com otorrinolaringologista, ornitorrinco com ornitologista, ornitologista com otorrinolaringologista, porque ornitorrinco é ornitorrinco, ornitologista é ornitologista, e otorrinolaringologista é otorrinolaringologista.
  • O original não se desoriginaliza! O original não se desoriginaliza! O original não se desoriginaliza! Se desoriginalizásemo-lo original não seria!
  • Quico quer caqui. Que caqui que o Quico quer? O Quico quer qualquer caqui.
  • Toco preto, porco fresco, corpo crespo.
  • Uma trinca de trancas trancou tancredo.
  • Atrás da pia tem um prato, um pinto e um gato. Pinga a pia, para o prato, pia o pinto e mia o gato.
  • Se o Arcebispo-Bispo de Constantinopla a quisesse desconstantinoplizar, não haveria desconstantinoplizador que a desconstantinoplizasse desconstantinoplizadoramente.
  • Pedro pediu permissão para passar pelo portão para pegar o pinto pelado pelo pescoço.
  • Percebeste ou fingiste que percebeste para que os outros percebessem que tivesses percebido, percebeste?
  • Atrás do quadro da escola bibliotécnica estava um papibaquígrafo.
  • O doce perguntou pro doce qual era o doce que era mais doce e o doce respondeu pro doce que o doce que era mais doce era o doce de batata-doce.
  • Luzia lustrava o lustre listrado, o lustre listrado luzia.
  • Um limão, mil limões, um milhão de limões.
  • Um tigre, dois tigres, três tigres.
  • Perto daquele ripado está palrando um pardal pardo.
- Pardal pardo porque palras?
- Eu palro e palrarei porque sou o pardal pardo palrador D'el Rei!
  • O rato roeu a roupa do Rei da Rússia que a Rainha, com raiva, resolveu remendar.
  • O rato roeu a rolha da garrafa de rum do Rei da Rússia.
  • Um prato de trigo para um tigre, dois pratos de trigo para dois tigres, três pratos de trigo para três tigres, etc…
  • Três Tigres tristes comiam em um prato de trigo.
  • O original nunca se desoriginou e nem nunca se desoriginalizará.
  • Qual é o doce que é mais doce que o doce de batata doce?
Respondi que o doce que é mais doce que o doce de batata doce é o doce que é feito com o doce do doce de batata doce.
  • Sabendo o que sei e sabendo o que sabes e o que não sabes e o que não sabemos, ambos saberemos se somos sábios, sabidos ou simplesmente saberemos se somos sabedores.
  • O tempo perguntou ao tempo qual é o tempo que o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que não tem tempo para dizer ao tempo que o tempo do tempo é o tempo que o tempo tem.
  • Embaixo da pia tem um pinto que pia, quanto mais a pia pinga mais o pinto pia!
  • Se o príncipe de Constantinopla quisesse se desconstantinopolizar qual seria o desconstantinopolizador que iria a Constantinopla para descontantinopolizá-lo?
  • A sábia não sabia que o sábio sabia que o sabiá sabia que o sábio não sabia que o sabiá não sabia que a sábia não sabia que o sabiá sabia assobiar.
  • O desinquivincavacador das caravelarias desinquivincavacaria as cavidades que deveriam ser desinquivincavacadas.
  • Perlustrando patética petição produzida pela postulante, prevemos possibilidade para pervencê-la porquanto perecem pressupostos primários permissíveis para propugnar pelo presente pleito pois prejulgamos pugna pretárita perfeitíssima.
  • Não confunda ornitorrinco com otorrinolaringologista, ornitorrinco com ornitologista, ornitologista com otorrinolaringologista, porque ornitorrinco, é ornitorrinco, ornitologista, é ornitologista, e otorrinolaringologista é otorrinolaringologista.
  • Disseram que na minha rua tem paralelepípedo feito de paralelogramos. Seis paralelogramos tem um paralelepípedo. Mil paralelepípedos tem uma paralelepipedovia. Uma paralelepipedovia tem mil paralelogramos. Então uma paralelepipedovia é uma paralelogramolandia?
  • Os naturistas são naturalmente naturais por natureza.
  • Em uma casa tem quatro quartos. Em cada quarto tem quatro quadros. E cada quadro é quadrado. Quantos quadros quadrados tem na casa?
  • Verbo tagarelar no tempo condicional:
- Eu tagarelaria
- Tu tagarelarias
- Ele tagarelaria
- Nós tagarelaríamos
- Vós tagarelaríeis
- Eles tagarelariam.
  • O rei de Roma ruma a Madrid.
  • Rosa vai dizer à Rita que o rato roeu a roupa do rei de Roma.
  • O rato roer roía e, a Rosa Rita Ramalho, do rato a roer se ria!
  • O rato roeu a rolha da garrafa da rainha.
  • O pinto pia, a pia pinga. Quanto mais o pinto pia, mais a pia pinga.
  • A pia perto do pinto, o pinto perto da pia, tanto mais a pia pinga, mais o pio pinta.
  • A pia pinga, o pinto pia, pinga a pia, pia o pinto, o pinto perto da pia, a pia perto do pinto.
  • Atrás da pia tem um prato, um pinto e um gato. Pinga a pia, apara o prato, pia o pinto e mia o gato
  • A espingarda destravíncula-pinculá. Quem destravíncular ela, bom destravíncula-pinculador será.
  • Tem uma tatu-peba, com sete tatu-pebinha. Quem destatupebar ela, bom destatupebador será.
  • No cume daquele morro, tem uma cobra enrodilhada. Quem a cobra desenrodilhar, bom desenrodilhador será.
  • No morro chato, tem uma moça chata, com um tacho chato, no chato da cabeça. Moça chata, esse tacho chato é seu?
  • Um ninho de carrapatos, cheio de carrapatinhos, qual o bom carrapateador, que o descarrapateará?
  • Agá, agá, agá, a galinha quer botar. Ijê, ijê, ijê, minha mãe me deu uma surra, fui parar no Tietê. Alô, alô, o galo já cantou. Amarelo, amarelo, fui parar no cemitério. Roxo, roxo, fui parar dentro do cocho.
  • O Papa papa o papo do pato
  • Um prato de papa dentro do papo do papa.
  • A batina do padre Pedro é preta.
  • O peito do pé de Pedro é preto.
  • É preto o prato do pato preto.
  • O Pedro pregou um prego na pedra.
  • Pedro pregou um prego na porta preta.
  • Casa suja chão sujo .
  • O padre Pedro tem um prato de prata.
  • O meu vira lata usa gravata.
  • O padre pouca capa tem, pouca capa compra.
  • O pelo do peito do pé do pai do padre Pedro é preto.
  • O padre Pedro deu uma topada na pedra preta.
  • Pedro tem o peito preto. Preto é o peito de Pedro. Quem disser que o peito de Pedro não é preto, tem o peito mais preto que o peito de Pedro.
  • - Pedreiro da catedral está aqui o padre Pedro? - Qual padre Pedro? - O padre Pedro Pires Pisco Pascoal. - Aqui na catedral tem três padres Pedros Pires Piscos Pascoais. Como em outras catedrais.
  • Paulo Pereira Pinto Peixoto, pobre pintor português, pinta perfeitamente, portas, paredes e pias, por parco preço, patrão.
  • O Original não se desoriginaliza.
  • Quem for um parangamirotirimiariadolizador será um parangamirotirimiroaro
  • Uma trinca de pregos pregou Jesus na cruz do meu amigo avestruz.
  • O peito do pé de Pedro é preto, se o peito do pé de pedro é preto, o pedro é preto.
  • O Rio Capibariba está descapibarizado, quem o descapibarizou foi o descapibarizador.
  • Uma jabuticabeira velha, pergunta para uma pequenina jabuticabeira:
- Jabuticabeira pequeninia, quanto te despequeninajabuticabeirarizas tú?
Então, a pequenina jabuticabeira falou:
-Eu me despequeninajabuticabeirarizarei ao se despequeninajabuticabeirarizarem todas as pequeninas jabuticabeiras ainda não despequeninajabuticabeirarizadas
  • Se vaivém fosse e viesse, vaivém ia, mas como vaivém vai e não vem, vaivém não vai.
  • Um ninho de mafagafos, tinha 7 mafagafinhos. Quem desmafagar esses mafagafinhos bom desmagafigador será.
  • Pirarei com um pirê de salsicha suja.
  • Luanda lua anda logo anda luar, nua anda lua na vereda do mar.
  • O doce perguntou ao doce, qual doce mais doce que o doce de batata doce, e o doce respondeu ao doce, que o doce mais doce que o doce de batata doce, é o doce de batata doce.
  • Planta o verde vertical verte o verde vario verde vegetal.
  • O pelo do peito do pé do pai do padre Pedro é preto, quem disse que o pelo do peito do pé do pai do padre Pedro não é preto é porque tem o pelo do peito do pé mais preto que o pelo do peito do pé do pai do padre Pedro, que já é preto.

Para saber mais[editar | editar código-fonte]

  • HEYLEN, Jacqueline. Parlenda, riqueza folclórica; base para a educação e iniciação à música. 2ª ed. São Paulo, Editora HUCITEC, 1991.
  • DA SILVA, Regina Helena Pranke, Revista Nova Escola.
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