Rafael Pinto Bandeira

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Rafael Pinto Bandeira (Rio Grande, 16 de novembro de 1740 — Rio Grande, 9 de abril de 1795) foi um militar brasileiro. Comandou inúmeras batalhas em defesa das possessões portuguesas no Rio Grande do Sul, à época Capitania do Rio Grande de São Pedro.

Filho de Francisco Pinto Bandeira[1] e de Clara Maria de Oliveira, incorporou-se em 1754, junto com seu pai ao Corpo de Dragões do Rio Pardo e seguiu para Rio Pardo.

Caudilho[editar | editar código-fonte]

Observa Carlos Reverbel que alguns gaúchos relutam em aceitar o fato de que o Rio Grande do Sul é berço de caudilhos, mas eles existiram e em grande número. Rafael Pinto Bandeira foi certamente o primeiro, pelo menos o primeiro com registro histórico.

A seu favor, diga-se que, ao contrário de caudilhos que vieram depois, o meio em que Pinto Bandeira viveu não lhe dava alternativa. Pinheiro Machado e Júlio Prates de Castilhos, por exemplo, poderiam ter exerceido seu poder de forma democrática, pois atuavam no seio de instituições de certa forma consolidadas.

Já Pinto Bandeira viveu numa época em que o atual território do Rio Grande do Sul ainda era alvo de acirrada disputa entre portugueses e espanhóis, que travaram sucessivas guerras pela posse do território.

Todas elas terminavam em tréguas ou tratados de paz em que se tentavam fixar as fronteiras sul americanas dos impérios espanhol e português, mas nada do estipulado valia na prática. As hostilidades eram constantes pela própria dificuldade de determinar, na falta de marcos confiáveis, onde começavam os domínios de um e outro, bem assim pelo fato de o contrabando ser a principal, senão a única atividade econômica importante no período.

Portanto, para comandar os primeiros habitantes das terras gaúchas era necessário um caudilho e Pinto Bandeira preenchia perfeitamente esse perfil. Valente, grande estrategista, era uma lenda para seus comandados, que lhe atribuíam várias qualidades excepcionais, como uma memória prodigiosa que lhe permitia conhecer em detalhe cada palmo do território e um senso de orientação que o fazia capaz de se orientar na noite mais escura apenas pelos cheiros e ruídos da natureza.

Era também simpático a seus comandados pela generosidade com que os recompensava com terras e dinheiro. Alguns deles vieram a se tornar grandes estancieiros.

Campanhas militares[editar | editar código-fonte]

Rafael Pinto Bandeira esteve ininterruptamente envolvido em campanhas militares desde 1754, com 14 anos incompletos, até 1777, quando Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Santo Ildefonso, que deu certa estabilidade às fronteiras meridionais do Brasil, pois foi seguido de demarcação demorada e detalhada dos limites de cada império.

Nessas campanhas, cavalgou e lutou por todo o território gaúcho, da tomada do forte de São Martinho, na região dos Sete Povos das Missões, ao norte do hoje Estado do Rio Grande do Sul, próximo da fronteira argentina (Corrientes), passando por Rio Pardo, na retirada sob constante perseguição inimiga. e culminando no cerco ao forte de Santa Tecla, em Bagé, no extremo sul do Rio Grande, junto à fronteira uruguaia.

Não era, no entanto, homem rude, pois cultivava gostos refinados. Chegou a ter uma orquestra particular, que tocava durante suas refeições. Alimentava, ainda, o sonho de transformar o Rio Grande numa terra realmente civilizada, construindo cidades e trazendo da Europa os requintes da civilização. Este lado utópico de Pinto Bandeira pode ser apreciado por quem lê O Continente, primeira parte da trilogia O Tempo e o Vento de Érico Veríssimo.

Assume a governança militar da Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul em 1784. De 1788 a 1790 esteve na Corte em Lisboa, à convite da Rainha Dona Maria I. Ao retornar ao Rio Grande, reassumiu a governança militar.

Mas os anos em Portugal e o cargo público fizeram dele um homem sedentário e prejudicaram sua saúde. Tornou-se obeso, a ponto de somente poder montar a cavalo com a ajuda de outra pessoa. Morreu justamente em um acidente ao cavalgar.

Seus restos mortais estão depositados na Catedral de São Pedro, em Rio Grande, numa tosca urna de madeira.

Representações na cultura[editar | editar código-fonte]

É uma das personagens da trilogia histórica O tempo e o vento escrita por Érico Veríssimo. Na versão para a televisão, Rafael Pinto Bandeira foi interpretado pelo ator Lima Duarte.

Referências

  1. PORTO-ALEGRE, Achylles. Homens Illustres do Rio Grande do Sul. Livraria Selbach, Porto Alegre, 1917.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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