Família Zambelli

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Tarquinio Zambelli: Imagem de roca de Santa Maria da Misericórdia, no Museu Municipal de Caxias do Sul.

A Família Zambelli foi uma família de artistas ítalo-brasileiros, dedicada em especial à estatuária sacra e à decoração de templos na técnica de entalhe. A família Zambelli radicou-se em Caxias do Sul no final do século XIX. O fundador da linhagem Zambelli de escultores foi Angelo Zambelli, entalhador natural da Itália, sobre o qual não existem muitas informações.

Índice

[editar] Tarquinio Zambelli

Angelo foi pai de Tarquinio Zambelli, também nascido na Itália em 8 de setembro de 1854. Veio para o Brasil em meados de 1883, estabelecendo-se em Caxias do Sul. Era diplomado pela Escola de Belas Artes de Milão, e foi talvez o mais prolífico escultor sacro do estado, concentrando suas atividades no nordeste gaúcho, na área onde se fixaram os colonos italianos, mas realizando obras importantes também para igrejas da Capital, como o grupo de Nossa Senhora do Rosário e a imagem de Nossa Senhora de Pompéia para a Igreja das Dores, e peças avulsas para a então Capela do Menino Deus, encomendadas por Otacílio Barbedo. De seu primeiro casamento com Rosa Pizzon Zambelli teve cinco filhos, Michelangelo, Mário, Annúnzia, Estácio e Raffaele, e a todos introduziu no ofício, salvo Annúnzia. De sua segunda núpcias com Carmella Troian Zambelli teve mais 03 filhos, Edmundo Valentim, Angelo Raphael e Américo.Após produtiva carreira, Tarquinio faleceu em 17 de julho de 1934.

[editar] Michelangelo Zambelli

Michelangelo Zambelli: Santa Teresa de Lisieux, Museu Municipal de Caxias do Sul.
Michelangelo Zambelli: Detalhe de um anjo da guarda, estátua-molde para reprodução em série, preservada no Memorial Atelier Zambelli.

Dos filhos de Tarquinio Michelangelo foi o que granjeou maior notoriedade. Nascido ainda na Itália em 26 de agosto de 1882, em Canneto sull'Oglio, aprendeu os primeiros elementos do ofício com seu pai. Ainda jovem voltou à Europa fim de aperfeiçoar seus estudos na Academia Real de Belas Artes de Milão. Na Itália participou da decoração de alguns palácios, realizou alguns bustos e rodeou-se de um círculo de amigos ilustrados com quem manteve correspondência por toda a vida.

Retornou a Caxias do Sul brevemente, com 21 anos, mas percebendo a limitação do mercado artístico local logo seguiu, junto com seus irmãos Estácio e Mário, para Buenos Aires, onde aprofundou seus estudos e participou da decoração do Teatro Colón, além de realizar outros trabalhos. Dez anos depois voltou a Caxias do Sul, casou-se com Adelina Stangherlin, sua prometida desde a infância e filha de outror escultor local importante, Pietro Stangherlin, e estabeleceu um atelier de escultura na rua Júlio de Castilhos, por volta de 1914, onde também manteve uma escola de desenho. Desde lá produziu uma infinidade de peças profanas e sacras, especializando-se porém nestas últimas, que, não obstante seguindo os padrões convencionais para representação hagiográfica e sendo em sua maioria dedicadas à multiplicação por moldes em gesso, apresentavam delicada expressividade e acabamento bastante esmerado, sendo pintadas manualmente uma a uma. Suas peças únicas apresentavam um nível de qualidade bem superior.

O seu atelier tornou-se famoso não só na cidade mas em toda a região de colonização italiana, tanto pelas suas estátuas como pelos trabalhos de decoração de igrejas, capelas e residências. Alguns de seus trabalhos mais interessantes são as estátuas de Nossa Senhora das Dores e o Nosso Senhor dos Passos, na Capela do Santo Sepulcro, a imagem de Santa Teresa hoje no Museu Municipal de Caxias do Sul, e a estátua da Liberdade que está instalada em uma coluna na praça Dante Alighieri, no centro da cidade. Em Caxias do Sul recebeu um diploma de honra ao mérito, nove medalhas de ouro e três medalhas de prata em exposições locais, participou de certames artísticos também em Porto Alegre e colaborou na elaboração do projeto da Igreja de São Pelegrino. Hoje Caxias do Sul mantém um museu em sua memória, o Memorial Atelier Zambelli, com grande acervo.

[editar] Mário Cilo Zambelli

Mário nasceu em 23 de outubro de 1892 em Caxias do Sul e desde pequeno mostrou talento para a escultura, sendo ensinado por seu pai. A exemplo de seu irmão Michelangelo, também ele viajou à Europa buscando aperfeiçoamento, e estudou na França e na Itália, especializando-se na arte cemiterial e na decoração de prédios. Voltando ao Brasil, logo acompanhou seus irmãos a Buenos Aires, também colaborando na decoração do Teatro Cólon e em outros edifícios, e aproveitou a oportunidade do contato com grandes mestres para refinar seus conhecimentos de maquetes, desenho e modelagem.

Voltando a Caxias do Sul, encontrou o mercado dominado por seu pai e pelo seus irmãos Michelangelo e Estácio, e teve de buscar sustento em outras paragens. Assim, deslocou-se para Pernambuco, onde permaneceu por dez anos conquistando grande freguesia. Depois decidiu retornar ao sul, fixando-se em Vacaria, onde montou uma oficina que empregava diversos auxiliares e atendia a toda região. Destacam-se na sua produção as lápides gravadas, com um estilo decorativo requintado cheio de motivos florais em intrincados e minuciosos entrelaçamentos. Também ali dedicou-se à arquitetura, criando o projeto de várias residências e templos num estilo eclético, sendo o prédio do Clube do Comércio talvez sua maior obra neste campo. Casou-se em Vacaria, em segundas núpcias, com Otacília Maria de Lima e teve um filho, Adão Zambelli. Faleceu na mesma cidade em 28 de outubro de 1948.

Antigo Cine Central. A decoração escultórica da fachada é de Estácio Zambelli.

[editar] Estácio Frederico Zambelli

Nasceu em 3 de abril de 1896 em Caxias do Sul e ali faleceu em 10 de março de 1967. Aprendeu, como seus irmãos, as primeiras lições de escultura com seu pai. Com 14 anos, entristecido com a morte da sua mãe, começou a trabalhar profissionalmente. Mais tarde seguiu para a Europa para aprofundar seus estudos. De lá voltando, abriu um atelier próprio de escultura ao mesmo tempo em que mantinha um negócio de importação e comércio de uma variedade de itens, desde motocicletas até panelas de pressão, e também objetos de culto.

Estácio Zambelli: Maria Bambina. Catedral de Caxias do Sul.

Dedicou-se à estatuária sacra em madeira e gesso, e consta que trabalhava com muita facilidade e rapidez, apesar de ser daltônico, precisando solicitar auxílio freqüente de outras pessoas no momento de pintar as estátuas. Também cultivou amadoristicamente a pintura, seguindo um estilo conservador, e desenvolveu apreciável habilidade ao violino. Seu atelier tornou-se bem sucedido e atendia a boa parcela do mercado de arte local, e exportava peças até mesmo para o Nordeste. Em torno de 1947 o atelier incendiou, destruindo todo seu equipamento e acervo, deixando-o em difíceis condições financeiras e obrigando a uma drástica redução em suas atividades.

Dentre suas inúmeras obras se incluem as estátuas da Maria Bambina, de Santa Inês e do Cristo crucificado, todas na Catedral de Caxias do Sul, a decoração escultórica na fachada do antigo Cine Central, e a Via Sacra em relevo e imagens do altar da Igreja de Nossa Senhora de Lourdes.

[editar] Raffaele Zambelli

Raffaele era o filho mais moço do primeiro casamento de Tarquinio, tendo nascido em 15 de março de 1899 em Caxias do Sul. Também foi introduzido na escultura por seu pai e viajou depois para Buenos Aires para aprofundar-se na técnica. Em seguida transferiu-se para o Rio de Janeiro, e de lá para a Itália, onde serviu no exército italiano como sargento e foi feito prisioneiro de guerra, sendo enviado a Langensalz, Alemanha. Lá faleceu em virtude de uma pneumonia em 2 de março de 1918. Apesar de ter formação como escultor não há registro de obras suas remanescentes.

[editar] Ver também

[editar] Bibliografia

  • Zambelli, Irma Buffon. A arte nos Primórdios de Caxias do Sul. Porto Alegre: EST; Caxias do Sul: EDUCS, 1986.
  • Zambelli, Irma Buffon. A Retrospectiva da Arte ao Longo de um Século. Caxias do Sul: EDUCS, 1987.
  • Zambelli, Irma Buffon. Os Filhos da Arte - Documentário Artístico de uma Família de Imigrantes. Caxias do Sul: Edição da autora, 1991.
  • Damasceno, Athos. Artes Plásticas no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Editora Globo, 1971.
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