Teorema de redução de modalidades em S5

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Teorema de redução em S5)
Ir para: navegação, pesquisa

O teorema de redução de modalidades em S5 (um sistema de lógica modal construído com a adição da euclidianidade e reflexividade à lógica K) diz que qualquer fórmula de grau modal maior do que 1 (que apresente mais de um operador modal aplicado a uma mesma fórmula) é reduzível em S5 a uma fórmula de primeiro grau. Formalmente:

  • \Theta_1 \Theta_2  ... \Box \alpha \dashv \vdash \Box \alpha e \Theta_1 \Theta_2 ... \Diamond \alpha \dashv \vdash \Diamond \alpha , em que \, \Theta_i pode ser \Box ou \Diamond.

Índice

Procedimento para redução [editar]

É suficiente mostrar que qualquer fórmula de segundo grau pode ser reduzida a uma de primeiro grau, visto que a repetição desse procedimento possibilita tratar os casos de maior grau. As equivalências necessárias para aplicar o procedimento serão as seguintes (todas válidas em S5):

Equivalências necessárias [editar]

  • R1: \Diamond p \dashv \vdash \Box \Diamond p
  • R2: \Box p \dashv \vdash \Diamond \Box p
  • R3: \Diamond p \dashv \vdash \Diamond \Diamond p
  • R4: \Box p \dashv \vdash \Box \Box p
  • K3: \Box ( p \and q) \dashv \vdash (\Box p \and \Box q)
  • K6: \Diamond ( p \or q) \dashv \vdash (\Diamond p \or \Diamond q)
  • S5(4): \Box ( p \or \Box q) \dashv \vdash (\Box p \or \Box q)
  • S5(5): \Box ( p \or \Diamond q) \dashv \vdash (\Box p \or \Diamond q)
  • S5(6): \Diamond ( p \and \Diamond q) \dashv \vdash (\Diamond p \and \Diamond q)
  • S5(7): \Diamond ( p \and \Box q) \dashv \vdash (\Diamond p \and \Box q)

Método [editar]

K3 (lei de distribuição do \Box) nos permite distribuir \Box sobre qualquer conjunção. Se qualquer dos membros da conjunção começar com um operador modal, a lei de redução apropriada nos possibilitará "deletar" \Box quando ele encontrar com este operador. Assim, \Box(p\and\Diamond q) se torna não somente \Box p\and\Box\Diamond q por K3, mas também \Box p\and\Diamond q por R1. Dizemos nesse caso que \Box foi absorvido por \Diamond.

S4(4) e S4(5) nos permitem o mesmo tipo de distribuição e absorção quando \Box precede uma disjunção, desde que pelo menos um dos lados originais dela comece com um operador modal. (S4(4) e S4(5) são definidos apenas para disjunções com dois membros. Se quisermos praticar a distrubuição do \Box sobre uma disjunção de n membros devemos tomar todos os elementos da disjunção, menos um com um operador modal, e tratá-los como um único elemento. Por exemplo: \Box(p\or\Diamond q\or r\or\Box s) forma: \Box((p\or r\or\Box s) \or\Diamond q), que aplicando S5(5) nos dá: \Box((p\or e)\or\Box s)\or\Diamond q que por S4(4) nos dá: \Box(p\or r)\or\Box s\or\Diamond q. Não vamos para: \Box p\or\Diamond q\or\Box r\or\Box s, visto que a fórmula já apresenta grau modal 1.

K6 (lei de distruibuição do \Diamond), junto com S5(6) e S5(7) analogamente nos permitem executar a distribuição e absorção do \Diamond irrestritamente sobre uma disjunção e, como visto anteriormente, sobre uma conjunção. Estes são passos chaves no processo de redução para o grau 1.

Como dito anteriormente, é suficiente mostrar como reduzir uma fórmula de grau 2 para uma de grau 1. Há quatro passos neste processo, apesar de nem sempre serem necessários os quatro em todos os casos. Os três primeiros são diretos:

  • 1 - Primeiro eliminar todos os operadores com exceção de \neg, \Box, \Diamond, \or e \and usando as definições apropriadas.
  • 2 - Então eliminar todas as ocorrências de \neg imediatamente antes de um parêntese ou de um operador modal pelas leis de De Morgan e de interdefinição entre \Box e \Diamond.
  • 3 - Em seguida reduzir todas as modalidades iteradas (mais de uma em seqüência) para modalidades únicas pelas leis de redução R1-R4.
  • 4 - Se a fórmula resultante dos passos 1-3 ainda é de segundo grau, só pode ser porque ela, ou alguma parte dela, é da forma \Box\alpha ou \Diamond\alpha, em que \,\alpha é de grau 1 e é ou uma conjunção ou uma disjunção.

Casos especiais [editar]

Considere o caso \Box\alpha. Há três possibilidades: (a) \,\alpha é uma conjunção; nesse caso, desde que \Box se ditribui irrestritamente sobre conjunções, distribui-se \Box sobre a conjunção em \,\alpha, deixando-o ser absorvido por qualquer operador modal que venha a encontrar no processo.

(b) \,\alpha é uma disjunção em que pelo menos um dos lados começa com um operador modal; nesse caso, novamente distribuimos \Box e o deixamos ser absorvido.

(c) \,\alpha é uma disjunção em que nenhum dos lados começa com um operador modal. Uma vez que \,\alpha é de grau 1, só pode ser porque um dos lados da disjunção de \,\alpha é uma conjunção com um operador modal nela. Para resolver este caso transforma-se \,\alpha em uma conjunção, pela lei da distributividade (p \or (q \and r)) \equiv ((p \or q) \and (p \or r))), e distribui-se \Box pela conjunção obtida. Por exemplo:

Se \Box\alpha é \Box (p\or (q\and\Diamond r)), transforma-se, pela distributividade, em \Box ((p \or q) \and (p \or\Diamond r))

e então, por K3', em

\Box (p \or q) \and \Box (p \or \Diamond r), podendo resolver como em (b), obtendo \Box (p \or q) \and (\Box p \or \Diamond r), ou, caso seja impossível, aplicando mais uma vez a distributividade e K3.

A repetição desses passos sempre possibilitará ao \Box encontrar cada operador modal em \,\alpha, não importa o quão profundamente imerso o operador esteja.

O caso de \Diamond\alpha pode ser resolvido de forma análoga, exceto que desta vez é quando \,\alpha é uma conjunção em que nenhum dos lados começa com um operador modal que possa ser tratato diretamente, e a lei de distributividade se faz novamente necessária.

Resultados [editar]

Portanto, em S5, qualquer fórmula bem fundada (que não pode ser reescrita infinitamente) é equivalente a alguma fórmula de grau modal 1 em função de suas variáveis. (Verdade mesmo que a fórmula não contenha operadores modais; qualque fórmula bem fundada \,\alpha é equivalente a \,\alpha \and (\Box p \or \neg\Box p), sendo \,p alguma variável de \,\alpha.) Não é difícil ver que só poe haver um número finito de funções modais (de qualquer conjunto de variáveis) de grau 1 distintas, visto que há apenas um número finito de fórmulas não-equivalentes.

Ver também [editar]

Referências [editar]

  • A new introduction to Modal Logic, G.E. Hughes e M.J. Cresswell, Routledge, 1996.