Um Assassinato, um Mistério e um Casamento

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Um assassinato, um mistério e um casamento, nos EUA (A Murder, a Mystery, and a Marriage) é um conto escrito por Mark Twain em 1876.

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O leitor , ao ler uma resenha, tem o direito (ou é obrigado a) de conhecer o desfecho do livro comentado? Na prosa de ficção, de hoje ou de 125 anos atrás, vale mais o acontecimento que encerra a trama ou os sucessivos passos que levam a ele? E o estilo, é possível dissociá-lo do enredo? Perguntas como essas, em que pese sua pertinência maior ou menor para a crítica em si, são colocadas com maestria por "Um Assassinato, um Mistério e um Casamento", novo livro de Mark Twain (1835-1910). Novo? Escrita em 1876, mesmo ano de "As Aventuras de Tom Sawyer", a novela que a Objetiva publica agora (no mesmo ano em que chega pela primeira vez ao leitor norte-americano) apareceu como projeto abortado para a revista "Atlantic Monthly". Twain sugeriu ao editor William Dean Howells que outros escritores americanos (Henry James e Bret Harte, entre vários) escrevessem contos para a revista a partir de um esqueleto de sua própria autoria. Enquanto Twain se questionava sobre interromper ou não sua obra-prima "As Aventuras de Huckleberry Finn", pela qual havia perdido o interesse, o projeto perdeu fôlego e nunca se concretizou. Mas o fato é que "Um Assassinato, um Mistério e um Casamento" foi escrito como parte desse projeto. De sua feitura até hoje, uma série de disputas sobre o espólio de Twain impediu sua publicação para um público leitor mais amplo. No prefácio a esta primeira edição (o livro só foi publicado antes em 1945, em tiragem de 16 exemplares que pretendia estabelecer direitos autorais para os editores), o humorista Roy Blount Jr. questiona se a narrativa reflete realmente os "mais profundos interesses" de Twain. Parece que sim. À trama: John Gray é um fazendeiro de Deer Lick, um pequeno vilarejo mítico no Missouri. Tem uma filha, Mary, a qual pretende casar com um rico e qualificado pretendente. Jubiloso porque vai conquistar uma velhice mais segura com o genro, fica sabendo, numa das várias peripécias da trama, que seu abonado irmão pretende deixar, por meio de um testamento, toda a fortuna à sobrinha. Em dúvida entre casar e não casar a filha, uma vez que poderia arranjar um pretendente ainda mais rico, sai para uma volta pelas pradarias de sua propriedade. No meio do caminho, se encontra com "um jovem, com menos de 30 anos, pela aparência, vestido numa roupa fora do comum, estirado no chão sobre a neve. Imóvel. Evidentemente, estava... sem sentidos". Acordado por Gray, o personagem-surpresa se revela um nobre francês e vai protagonizar, mais ou menos, os três acontecimentos que compõem o título do livro. Na novela, aparece, mais uma vez e como sempre em Twain, a descrição de um centro moral da sociedade norte-americana, então centenária e envolvida com uma decisiva eleição presidencial, e algumas de suas questões mais prementes: dinheiro, casamento e relação com o elemento estranho. Twain escreve em "Como Contar uma História", citado no prefácio de Blount Jr.: "A história humorística digressiva e desconjuntada termina com um chiste, um ponto, um fecho ou o que se queira chamá-lo. Então o ouvinte deve ficar alerta, pois em muitos casos o contador desvia a atenção desse chiste lançando-o de uma maneira cuidadosamente casual e indiferente, fingindo não saber que é um chiste". O chiste que encerra "Um Assassinato, um Mistério e um Casamento" é um lance inesperado de metalinguagem: Twain responsabiliza um outro escritor, transformando-o em personagem, pelo mistério que cerca o aparecimento do personagem-surpresa na cidadezinha. Na dúvida, melhor manter sua identidade oculta, mas a língua falada por ele e a francofobia de Twain dão as pistas. E os caminhos que levam a essas pistas, o melhor da experiência de ler um novo e surpreendente Twain.