Análise Criminal

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Definição[editar | editar código-fonte]

A definição de análise criminal abrange muito mais que um simples traçado de gráficos, tabelas e mapas. Constitui-se no uso de uma coleção de métodos para planejar ações e políticas de segurança pública, obter dados, organizá-los, analisá-los, interpretá-los e deles tirar CONCLUSÕES. A realização da análise criminal envolve, principalmente, o uso de métodos estatísticos, por meio dos quais tratam as informações para tentar conhecer as causas que determinam o fenômeno da segurança pública, buscando identificar, no resultado final, quais influências cabem a cada uma dessas causas.

Dimensões do campo de aplicação[editar | editar código-fonte]

O campo de aplicação da análise criminal pode ser descrito a partir de duas dimensões principais:

  1. Orientar os gestores quanto ao planejamento, execução e redirecionamento das ações do sistema de segurança pública, contribuindo para a melhoria na distribuição dos recursos materiais e humanos; e
  1. Dar conhecimento à população e a outros órgãos governamentais e não governamentais quanto à situação da segurança pública, auxiliando suas participações efetivas na gestão e execução das ações.

Nova perspectiva[editar | editar código-fonte]

A nova perspectiva de policiamento requer que:

  • A polícia examine de modo detalhado cada um dos problemas a serem abordados, identifica do suas causas;
  • Leve em consideração um conjunto bastante amplo de opções para intervir sobre essas causas; e
  • Escolha a opção a ser utilizada com base em uma relação de custo e benefício, pautada no alcance de resultados.

Observa-se uma mudança na lógica de gestão, pois o objetivo prioritário deixa de ser apenas a solução dos crimes que já ocorreram e passa a ser a manutenção de um ambiente social onde não ocorra nenhum crime, as pessoas possam andar nas ruas tranquilamente e a sensação de segurança seja compartilhada por todos e todas, independentemente de suas características culturais, econômicas e naturais.

Análise criminal X Alocação de Recusos[editar | editar código-fonte]

No âmbito nacional, uma constatação científica de Cerqueira e Lobão (2003)[1] expôs que que a efetiva solução dos problemas de segurança pública nunca resultará apenas do aumento dos recursos gastos pelos órgãos de segurança pública. Baseados em informações sobre os fatores associados à incidência de homicídios em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, entre 1980 e 2003, eles concluíram que o aumento das despesas com segurança pública não está relacionado estatisticamente à redução da incidência de homicídios.

Dos fatores considerados por Cerqueira e Lobão (2003), a redução da desigualdade social foi o único relacionado diretamente à redução da incidência de homicídios.

Vertentes da produção de conhecimento para segurança pública[editar | editar código-fonte]

Magalhães (2007)[2] destaca três grandes vertentes básicas do trabalho de produção de conhecimento voltadas para a gestão em segurança pública:

  1. Análise criminal estratégica;
  2. Análise criminal tática; e
  3. Análise criminal administrativa.

Análise criminal estratégica (ACE)[editar | editar código-fonte]

Trata da atividade de produção do conhecimento voltado para o estudo dos fenômenos e suas influências a longo prazo. Entre seus principais focos estão:

  • Formulação de políticas públicas;
  • Produção de conhecimento para redução da criminalidade;
  • Planejamento e desenvolvimento de soluções;
  • Interação com outras secretarias na construção de ações de segurança pública;
  • Direcionamento de investimentos;
  • Formulação do plano orçamentário;
  • Controle e acompanhamento de ações e projetos; e
  • Formulação de indicadores de desempenho.

Seu principal objetivo é: Trabalhar na identificação das tendências da criminalidade.

Análise criminal tática (ACT)[editar | editar código-fonte]

Trata da atividade de produção do conhecimento voltado para o estudo dos fenômenos e suas influências em médio prazo. Essa vertente estuda o fenômeno criminal visando fornecer subsídios para os operadores de segurança pública que atuam diretamente “nas ruas”. Nesse sentido, o conhecimento é utilizado pelas polícias ostensivas e investigativas.

No caso da Análise Criminal Tática, a produção de conhecimento serve para:

  • Orientar as atividades de policiamento ostensivo nas atividades preventivas e repressivas. Exemplo: Identificação de pontos quentes, correlacionando dia e horários críticos; e
  • Subsidiar a polícia investigativa nas soluções das ocorrências criminais, principalmente na busca da autoria e materialidade dos delitos.

Seu principal objetivo é: Trabalhar na identificação de padrões das atividades criminais.

Análise criminal administrativa (ACA)[editar | editar código-fonte]

Trata da atividade de produção do conhecimento voltada para o público-alvo. A atividade nessa vertente se assemelha à de um editor-chefe, pois tem o objetivo de selecionar os assuntos divulgados para cada cliente. Entre seus principais focos estão:

  • Fornecimento de informações sumarizadas para seus diversos públicos – cidadãos, gestores públicos, instituições públicas, organismos internacionais, organizações não-governamentais etc.;
  • Elaboração de estatísticas descritivas;
  • Elaboração de informações gerais sobre tendências criminais;
  • Comparações com períodos similares passados; e
  • Comparações com outras cidades similares.

Seu principal objetivo é: Trabalhar as estatísticas criminais de forma descritiva.

Referências

  1. CERQUEIRA, D. e LOBÃO W. Criminalidade: social versus polícia. Texto para discussão IPEA, Rio de Janeiro: n. 958, junho. 2003.
  2. MAGALHÃES , L. C. Análise criminal e mapeamento da criminalidade – GIS. Anais do Fórum Internacional de Gabinetes de Gestão Integrada. São Luís, Maranhão, novembro 2007.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Categoria:Análise