António José Guião
António José Guião (Lisboa – Roma, Outubro de 1836) foi um padre católico[1], jurista, procurador régio[2] que exerceu as funções de chefe do governo português como Ministro Assistente ao Despacho ou Ministro do Reino (4 de agosto de 1833 - 26 de maio de 1834)[3], o equivalente a primeiro-ministro, durante a última fase da governação de D. Miguel I de Portugal.
Foi membro de três juntas régias (de 18 de Junho de 1823, 5 de Junho de 1824 e 13 de Março de 1828), esteve presente na reunião alargada do Conselho de Estado de 2 de Maio de 1828, decisivo para a tomada de decisão de reunião de cortes tradicionais. Desempenhou as funções de Chanceler das Ordens (1828), sendo ainda Regedor das Justiças da Casa da Suplicação em 1831 e Ministro do Reino e da Fazenda entre 1833 e 1834[4].
Biografia
[editar | editar código]Desde cedo, em 1802, foi juiz desembargador dos Agravos da Casa da Suplicação[5].
Por carta de 5 de Abril de 1814, do rei D. João VI de Portugal, o Dr. António José Guião, teve a mercê de conselheiro da Fazenda, gozando de todas as honras e privilégios que lhe competiam e continuando no exercício de desembargador dos Agravos e da Casa da Suplicação.
Em 1817, foi juiz suplente ou “auxiliar no processo de Gomes Freire de Andrade”[6].
Membro da junta criada em 18 de Junho de 1823 para a reforma da lei fundamental[2].
Membro da Junta de 13 de Julho de 1826 que organiza as instruções para a eleição de deputados[2].
Membro da Junta que prepara as Cortes de 1828[2].
Ministro e secretário de Estado dos Negócios do Reino e da marinha de D. Miguel, desde 22 de Setembro de 1833[2]. Terá também a responsabilidade do Ministério da Fazenda em 23 de Dezembro do mesmo ano[7],
Depois da Convenção de Évora-Monte acompanhou D. Miguel a caminho do exílio[2], embarcando com ele, pelo porto de Sines, na fragata inglesa HMS Stag.
No estrangeiro, sempre se manterá do lado miguelista, assumindo o seu papel de ministro principal na clandestinidade, sendo substituído pelo frei Fortunato de São Boaventura no ano da sua morte[8].
Notas
- ↑ Os algozes de Gomes Freire: análise prosopográfica e ideológica de alguns dos decisores do seu processo, por Daniel Estudante Protásio, Revista Militar, volume 71, nº 2/3, Maio de 2019, p. 2
- ↑ a b c d e f Guião, António José, Polipédia, 2012
- ↑ Chefes do Governo desde 1821, © 2025 Governo da República Portuguesa
- ↑ Os algozes de Gomes Freire: análise prosopográfica e ideológica de alguns dos decisores do seu processo, por Daniel Estudante Protásio, Revista Militar, volume 71, nº 2/3, Maio de 2019, p. 12
- ↑ Os algozes de Gomes Freire: análise prosopográfica e ideológica de alguns dos decisores do seu processo, por Daniel Estudante Protásio, Revista Militar, volume 71, nº 2/3, Maio de 2019, p. 6
- ↑ Os algozes de Gomes Freire: análise prosopográfica e ideológica de alguns dos decisores do seu processo, por Daniel Estudante Protásio, Revista Militar, volume 71, nº 2/3, Maio de 2019, p. 6
- ↑ Ofício do conde de Bourmont para António José Guião, ministro e secretário de Estado dos Negócios do Reino e da Fazenda, informando sobre as más condições em que partiu a força do seu comando de Santarém, Código de referência PT/AHM/DIV/1/20/186/11, 23 de Dezembro de 1833, Arquivo Histórico Militar
- ↑ S. BOAVENTURA, Frei Fortunato de, Dicionário dos Historiadores Portugueses da Academia Real das Ciências ao Final do Estado Novo