Apocynaceae

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Como ler uma caixa taxonómicaApocynaceae
Cerbera tanghin

Cerbera tanghin
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Gentianales
Família: Apocynaceae
Gêneros
Ver texto.
Wikispecies
O Wikispecies tem informações sobre: Apocynaceae
Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Apocynaceae

Apocynaceae é uma família botânica da ordem Gentianales que inclui cerca de 5 000 espécies, classificadas em 450 gêneros divididos em cinco subfamílias. Ocorrem principalmente em climas tropicais e subtropicais nos quatro continentes, excetuando-se a Antártica. Algumas apocináceas comuns são oleandro, rosa-do-deserto e janaúba. No Brasil, ocorrem cerca de 750 espécies, distribuídas por 60 gêneros, habitando diversas formações vegetais.[1]

Características gerais[editar | editar código-fonte]

Catharanthus roseus da subfamília Rauvolfioideae.
Cryptolepis buchananii da subfamília Periplocoideae.
Secamone elliptica da subfamília Secamonoideae.

As plantas da família Apocynaceae podem ter a fisiologia de uma erva, uma árvore ou uma trepadeira e caracterizam-se pela presença de látex, estípulas geralmente ausentes, folhas geralmente opostas e inteiras, inflorescência raramente com flores solitárias, flores pentâmeras (exceto o gineceu), estiletes unidos no ápice formando uma cabeça ampliada e por frutos usualmente bifoliculares com sementes geralmente comosas.[2]

Subfamílias[editar | editar código-fonte]

A família Apocynaceae inclui cinco subfamílias: Rauvolfioideae, Apocynoideae, Periplocoideae, Secamonoideae e Asclepiadoideae.

Rauvolfioideae[editar | editar código-fonte]

A subfamília Rauvolfioideae inclui mais de dez tribos e 850 espécies.[3] As plantas têm anteras completamente férteis separadas entre si e do gineceu. O desenvolvimento de variados tipos de frutos diferencia esta subfamília das demais da família Apocynaceae, onde quase sempre são produzidos frutos foliculários.[2]

Apocynoideae[editar | editar código-fonte]

A subfamília Apocynoideae contêm cerca de 78 gêneros com aproximadamente 860 espécies. As diversas espécies desta subfamília têm propriedades farmacológicos. As anteras são parcialmente férteis fundidas ao gineceu da flor.[2]

Periplocoideae[editar | editar código-fonte]

Esta subfamília cerca de 17 gêneros e 85 espécies.[4] As flores são bissexuais e produzem pólen em tétrades, frequentemente arranjadas em polínios, e translador espatuliforme, com disco adesivo.[2]

Secamonoideae[editar | editar código-fonte]

Têm por característica, assim como as Periplocoideae, pólen em tétrades arranjadas em polínios, e transladores com retináculo, mas sem caudículos.[2] São em sua maioria plantas trepadeiras.[5]

Asclepiadoideae[editar | editar código-fonte]

Inclui mais de 214 gêneros e aproximadamente 2 400 espécies do tipo erva sendo raramente arbusto ou árvore.[6] Diferencia-se pelas anteras bisporangiadas, o pólen em polínios, envolvidos externamente por uma membrana, e translador composto por um retináculo e dois caudículos.[2]

Taxonomia[editar | editar código-fonte]

A família é constituída por cerca de 5 100 espécies.[7] Apocynoideae , Asclepiadoideae , Periplocoideae , Rauvolfioideae e Secamonoideae são as cinco subfamílias da família Apocynaceae desde 2012. [7] A antiga família Asclepiadaceae foi incluída nas subfamílias da Apocynaceae de acordo com o sistema APG III.[8] Uma classificação atualizada, incluindo 366 gêneros, 25 famílias e 49 subfamílias, foi publicado em 2014 (Endress 2014).[9]

Distribuição e habitat[editar | editar código-fonte]

As Apocynaceae estão representadas em todos os continentes, excepto na Antártica. A maioria das espécies ocorre nas regiões tropicais e subtropicais de todo o mundo. A família compreende espécies de ampla distribuição, como a erva pantropical Asclepias curassavica L. e espécies endémicas de áreas restritas, como a Ditassa diamantinensis, exclusiva da região de Diamantina, no estado de Minas Gerais, Brasil.

As Apocynaceae ocorrem desde o nível do mar até elevadas altitudes, principalmente em solos secos.

Polinização[editar | editar código-fonte]

A polinização das Apocynaceae é realizada por vários insectos (raramente pássaros, em plantas paleotropicais), o que explica a grande diversidade e complexidade das estruturas florais. Os principais polinizadores são himenópteros, lepidópteros e dípteros.

As sementes são predominantemente dispersadas pelo vento, mas, no caso dos frutos indeiscentes ou de sementes ariladas, a zoocoria parece estar presente.

Importância ecológica[editar | editar código-fonte]

Com relação a sua importância ecológica, podem-se destacar funções como hospedeiro para pouso; forrageamento da avifauna; e fornecedor de nicho ecológico para muitas espécies de insectos.

Em zonas litorais costeiras, algumas Apocynaceae integram as formações vegetais fixadoras das dunas.

Usos económicos[editar | editar código-fonte]

São inúmeros os usos económicos das espécies pertencentes a esta família, entre as quais podemos destacar:

  • Fonte de fibras para cordas e fios utilizados em artesanato.
  • Ramos fortes e flexíveis usados como vara de pescar.
  • Venenos para flechas de caça são extraídos de algumas de suas espécies.
  • Fornece madeira para a construção civil e produção de móveis e ferramentas (peroba).
  • Borracha e goma de marcar são produzidas a partir do látex e a coma das sementes é utilizada no enchimento de travesseiros e almofadas.
  • Importantes fontes de compostos bioactivos.
  • Cultivadas e comercializadas como plantas ornamentais.

Gêneros[editar | editar código-fonte]

A Apocynaceae está entre as dez maiores famílias de angiospermas, possuind 410 gêneros reconhecidos atualmente.[10]

Referências

  1. Giulietti, Ana Maria (2009). Plantas raras do Brasil (Belo Horizonte: Conservação Internacional). p. 54. ISBN 978-85-98830-12-4. 
  2. a b c d e f Alessandro Rapini (: ). «Sistemática Vegetal: Embriófitas» (PDF). Universidade Estadual de Feira de Santana. p. 181. Consultado em 5 de fevereiro de 2015. 
  3. Vilalba-Ferreira, Carla (5 de agosto de 2012). Morfoanatomia de espécies de frutos neotropicais da tribo Tabernaemontaneae (Apocynaceae, Rauvolfioideae) (Tese). Campinas: Universidade Estadual de Campinas. Consultado em 5 de fevereiro de 2015. 
  4. «Apocynaceae subfamília Periplocoideae». Zimbabweflora. Consultado em 5 de fevereiro de 2015. 
  5. Renaud Lahaye, Laure Civeyrel, Thomas Speck e Nick P. Rowe (: ). «Evolution of shrub-like growth forms in the lianoid subfamily Secamonoideae (Apocynaceae s.l.) of Madagascar: phylogeny, biomechanics, and development» (em inglês). American Journal of Botany. Consultado em 5 de fevereiro de 2015. 
  6. Encyclopedia Britannica, : (2013). «Asclepiadoideae». Consultado em 5 de fevereiro de 2015. 
  7. a b The taxonomy and systematics of Apocynaceae: where we stand in 2012; Nazia Nazar, David J. Goyder, James J. Clarkson, Tariq Mahmood and Mark W. Chase; Botanical Journal of the Linnean Society, Volume 171, Issue 3, pages 482–490, March 2013, [1]
  8. Angiosperm Phylogeny Group. (2009). "An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG III" (em inglês). Botanical Journal of the Linnean Society 161: 105–121. DOI:10.1111/j.1095-8339.2009.00996.x.
  9. Endress M.E., Liede-Schumann S. & Meve U.. (2014). "An updated classification for Apocynaceae" (PDF) (em inglês). Phytotaxa 159: 175–194. DOI:10.11646/phytotaxa.159.3.2.
  10. «A» (em inglês). The Plant List. 2010. Consultado em 16/7/2016. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Commons Imagens e media no Commons
Wikispecies Diretório no Wikispecies