Ares Borghese

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O Ares Borghese

O Ares Borghese é uma das mais afamadas representações antigas do deus grego Ares.[1] A estátua, de mármore branco e tamanho ligeiramente acima do natural, faz parte da coleção do Museu do Louvre, em Paris, França.[2] Não foi citada na literatura senão em 1607, quando Lelio Ceoli a vendeu para o cardeal Scipione Borghese, de onde a estátua tirou seu nome, sendo instalada em sua villa em Roma. Em 1807 foi adquirida pelo Louvre.[3]

Sua autoria é difícil de estabelecer. Trata-se possivelmente de uma cópia romana da era imperial (séculos I a II d.C.), de um original grego em bronze, hoje perdido, do fim do século V a.C.[2] Pesquisas revelaram a forte semelhança do cânone anatômico e do perfil do rosto do Ares com o célebre Doríforo, de Policleto, um dos fundadores do Classicismo na escultura.[4] Adolf Furtwängler sugeriu uma autoria de Alcamenes, ou talvez proviesse da oficina de Fídias, mas não há prova documental.[5] Também é possível que seja uma original e bem sucedida releitura romana de modelos classicistas genéricos, que recebeu larga circulação em cópias e variações, sem ser uma cópia literal de outra estátua mais antiga. A grande quantidade de cópias sobreviventes, 24, indica que o modelo era muito apreciado.[2] [4]

De qualquer forma, suas linhas são claramente uma recuperação do ideal do Alto Classicismo, recuperação explicada pelo amor que os romanos devotavam à tradição artística grega, especialmente à do período clássico, cujas obras eram tidas como insuperáveis em dignidade, equilíbrio e beleza. Augusto especialmente foi um grande mecenas e apreciador desse estilo, e sob seu reinado a escultura romana iniciou sua fase de apogeu.[4] [6] Segundo Hartswick, é possível que a criação do Ares Borghese esteja ligada a um programa de Augusto de estabelecimento de seu neto Calígula como um "Novo Ares" em Atenas.[4] [7]

A identificação do sujeito como Ares, contudo, não é livre de controvérsias e variou ao longo do tempo. Winckelmann em 1767 a fortaleceu dizendo que o anel que a figura traz em seu tornozelo direito era um sinal comum em estátuas de culto, significando o vínculo entre o deus e seus devotos. Em 1782, porém, Ennio Visconti supôs que representaria Aquiles, opinião repetida no catálogo das coleções da Villa Borghese publicado em 1796. Furtwängler em 1893 sugeriu novamente Ares, pois para ele a tornozeleira teria sido um presente de Afrodite, ou um símbolo da armadilha armada pelo Hefesto traído. A ligação com o universo marciano foi reivindicada também por Freyer em 1962, que identificou o mesmo adorno em vasos pintados, e que seria um presente dado costumeiramente pelas mulheres para os guerreiros. Recentemente Hartwick retomou a identificação proposta por Winckelmann.[3]

Referências

  1. Cavendish, Marshall. Ancient Greece: An Illustrated History. Marshall Cavendish, 2010, p. 84
  2. a b c Arès dit "Arès Borghèse". Département des Antiquités grecques, étrusques et romaines, Musée du Louvre
  3. a b Papini, Massimiliano. Palazzo Braschi. L'Erma di Bretschneider, 2000, pp. 186-187
  4. a b c d Hartswick, K.J. Head Types of the Doryphoros. IN Moon, Warren G. Polykleitos, the Doryphoros, and tradition. University of Wisconsin Press, 1995. pp. 168-169
  5. Furtwängler, Adolf. Masterpieces of Greek Sculpture: A Series of Essays on the History of Art. Cambridge University Press, 2010. p. 95
  6. Strong, Eugénie Sellers. Roman sculpture from Augustus to Constantine. Ayer Publishing, 1969. pp. 26-29
  7. Rehak, Paul. Younger, John G. Imperium and Cosmos: Augustus and the Northern Campus Martius. University of Wisconsin Press, 2009, p. 114

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