Ato falho

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Um ato falho, por vezes também chamado de ato falhado[1][2] ou ainda conhecido como lapso freudiano, deslize freudiano e parapráxis, (em latim lapsus linguae), é um ato que difere do seu significado do qual a intenção consciente do sujeito desejaria expressar (algumas vezes, podendo ser de significado contrário).

Origem do termo[editar | editar código-fonte]

Sigmund Freud descreveu pela primeira vez o fenômeno em seu livro A psicopatologia da vida cotidiana, de 1901, denominando-o, na língua alemã Fehlleistung (acto falhado ou ainda ato falho em português, em inglês usa-se a expressão Freudian slip). O significado do termo tem origem na língua grega: parapraxis, composto por: παρά (para, quase/próximo), e πρᾶξις (praxis, ato, ação, atitude).

Aparições[editar | editar código-fonte]

Uma parapraxis, pode ocorrer tanto na fala, na memória, na escrita ou numa acção física. É causado em razão de desejos existentes no inconsciente que acabam por interferir no próprio consciente, mas que não é percebido pela consciência do próprio sujeito durante o momento em que ocorre. Faz parte dos estudos da psicanálise.[3] São exemplos comuns: o marido que acidentalmente troca o nome da própria esposa pelo da amante, os quais representam prováveis casos de parapraxis.

Exemplos e consequências[editar | editar código-fonte]

Olhe nossa cama, amor, você gostou da colcha rosa?

— Da coxa grossa?


Percebe-se que no diálogo supradito que o indivíduo não declarou nenhuma intenção sexual reprimida por sua parte. Portanto, pode-se compreender que ele possua algum sentimento ou intenção sexual que ele preferisse que permanecesse oculta (que ele não a expressasse conscientemente).

A intenção do sujeito no exemplo acima, portanto, pode ser sido secreta mas não subconsciente, portanto a parapráxis está conectada (literalmente, por denotação) à ideia de que ele inconscientemente desejava expressar essa intenção, mas não que o tenha ocorrido por causa de um sentido sexual de conotação (figuradamente).

Parapráxis são diferentes do erro comum, fazendo que Freud e Breuer os denominassem de pré-conscientes, definindo-os como sendo pensamentos que não são conscientes no momento, mas tem tudo a se tornarem conscientes sem que haja qualquer barreira ou resistencia contrária a isto.

Freud chegou a imaginar o que estaria causando esse curto-circuito entre o que surge do comportamento interno versus a conduta externa, concluindo que de alguma forma isso entrava em conflito ou interferia com desejos internos e com pensamentos inconscientes. Dessa maneira, a pessoa que chega a realizar uma parapráxis apenas confirma (de modo surpreso) que está fazendo, dizendo e/ou realizando algo contrário ao que ela própria preferiria, porém essa pessoa ignora o real motivo ou razão desse ato.

Encontrar uma explicação para isso pode ser uma tarefa analítica árdua, pois as parapráxis escapam à consciência e, para sua compreensão, é necessário colocá-las em relação a outros materiais que fornecem informações ao inconsciente, por meio de técnicas de psicanálise, tais como: como a associação livre e a interpretação dos sonhos .

Referências

  1. Sá, Samuel Maria de Amorim (setembro de 2000). «O imaginário social sobre a Amazônia: antropologia dos conhecedores». História, Ciências, Saúde-Manguinhos: 889–900. ISSN 0104-5970. doi:10.1590/S0104-59702000000500007. Consultado em 22 de março de 2021 
  2. Gonçalves, Victor (2009). «ANOTAÇÕES SOBRE O ETERNO RETORNO: Para além do cristianismo». TRÁGICA: Estudos de Filosofia da Imanência (2). ISSN 1982-5870. Consultado em 22 de março de 2021 
  3. [1]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • FREUD, Sigmund (1901) - Psicopatología da vida cotidiana.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre psicologia é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.