Batalha de Misiche

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Batalha de Misiche
Gordian III - Palazzo dei Conservatori - Musei Capitolini - Rome 2016 (3).jpg
Gordiano III, pode ter sido ferido na batalha, e depois morto por seu sucessor Filipe, o Árabe
Data entre 13 de janeiro e 14 de março de 244
Local Misiche (atual Faluja ou An-Anbar,
a 40 km a oeste de Bagdá).
Desfecho incerto
Beligerantes
Império Romano Império Sassânida
Comandantes
Gordiano III
Timesiteu
Caio Júlio Prisco
Sapor I

A Batalha de Misiche foi combatida no início de 244 (entre 13 de janeiro e 14 de março), entre o exército romano do imperador Gordiano III e o exército sassânida de Sapor I. Segundo as fontes antigas, não é claro o resultado da batalha. As fontes romanas atribuem a vitória aos romanos, enquanto as fontes persas a atribuem aos sassânidas.

Contexto histórico[editar | editar código-fonte]

O jovem imperador Gordiano III, depois de ter aberto as portas do Templo de Jano (em 242) e depois de ter mobilizado o exército, marchou pessoalmente em direção à fronteira oriental, com o comando efetivo da campanha confiado a Timesiteu e a outro prefeito do pretório, Caio Júlio Prisco. Junto a Antioquia (atual Antáquia), talvez no final do ano, que parece ter reconquistado depois de ter caído em mãos de Sapor I, cruzou o Eufrates, derrotou repetidamente os persas, tomando Carras (atual Harã) e Nísibis (atual Nusaybin) e derrotando-os na Batalha de Resena.

O mesmo imperador, novamente invernando na província da Síria, estava projetando uma nova campanha para o ano seguinte, com o objetivo de atingir e ocupar a capital inimiga Ctesifonte. Sem a experiência militar e o carisma do sogro Timesiteu, a campanha em território sassânida e a própria segurança do imperador estavam agora em risco.

Batalha[editar | editar código-fonte]

Durante o outono e o início do inverno de 243, as tropas romanas avançaram ao longo do Eufrates e parece que ao início de 244, persas e romanos tornaram a encontrar-se junto a Misiche (atual Faluja) ou An-Anbar, a 40 km a oeste de Bagdá). Segundo os persas, conclui-se que houve uma pesada derrota dos romanos, em seguida a qual Sapor I mudou o nome da cidade para Perisapora (Peroz-Shapur; lit. "Sapor, o Vitorioso") e celebrou a vitória com uma inscrição em Naqsh-i Rustam na qual afirmava ter matado Gordiano.

As fontes romanas, ao contrário, não mencionam a batalha e sugerem que Gordiano teria sido morto em Circésio, em Osroena, a 300 km ao norte de Perisapora, suspeitando que tenha sido morto pelo prefeito do pretório Filipe, o Árabe. A inscrição do cenotáfio de Circésio era, segundo a Historia Augusta, escrita em grego, latim, persa, hebraico e copta, de modo que todos podiam ler:

Historia Augusta, Gordiani tres, 34, 3.

Uma última versão cita que Gordiano tenha sido morto na estrada de Circésio, depois de uma batalha combatida contra os persas (talvez em Mesiche), em consequência de una ferida devido a uma queda de cavalo. Sorte idêntica tivera, dois séculos antes, o filho adotivo de Augusto, Druso, o Maior, por idêntica queda de cavalo e consequente gangrena na perna ferida. Também naquele caso, foi erigido no local um cenotáfio (em Moguntiaco) em memória ao empreendimento militar do general romano.

Consequências[editar | editar código-fonte]

A morte imprevista do imperador Gordiano III, a quem os soldados construíram um cenotáfio junto a Circésio (na margem do Eufrates, na localidade de Zaita, não sabiam se em batalha ou pelas mãos do sucessor, o prefeito do pretório, Filipe, o Árabe, determinaram a retirada do exército romano, uma paz que Zósimo julgou desonrosa, e provavelmente a perda de parte da Mesopotâmia e da Armênia, se bem que Filipe se sentisse autorizado a usar o título de Pérsico Máximo. O Res Gestae Divi Saporis, primeiro documento não "da parte" romana, contam:

O césar Gordiano foi morto e os exércitos romanos foram destruídos. Os romanos então tornaram césar em certo Filipe. Então o césar Filipe veio a nós para tratar os termos de paz, e para resgatar a vida dos prisioneiros, dando-nos 500 000 denários, e tornando-se assim nosso tributário. Por este motivo, renomeamos a localidade de Misiche, Perisapora (ou seja "Vitória de Sapor")
Res Gestae Divi Saporis, linhas 8-9.

A possibilidade, portanto, que Gordiano tenha sido morto em consequência da batalha de Misiche, por uma ferida devido a queda de cavalo, não está eliminada. A morte do imperador romano não negaria, portanto, nem a versão romana que a apresentou como vitoriosa, nem aquela dos sassânidas que viu na morte de Gordiano uma consequência da batalha, e assim a retirada romana dos territórios persas da Mesopotâmia centro-meridional. Isso poderia significar que Gordiano não morreu na batalha, derrotado por Sapor I, porém em consequência de ferimento da batalha: uma queda de cavalo. De fato, os sassânidas não conquistaram outra cidade além de Hatra, e Sapor não empreendeu outras iniciativas militares nos oito anos seguintes, até 252. Em síntese, retornou-se à situação antecedente à guerra de 239-241.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Fontes primárias
Fontes historiográficas modernas
  • J.M.Carriè, Eserciti e strategie, La Roma tardo-antica, per una preistoria dell'idea di Europa, vol.18, in "Storia Einaudi dei Greci e dei Romani", Milano, Einaudi, 2008.
  • Farrokh, Kaveh. Sassanian Elite Cavalry AD 224–642. Osprey, 2005. ISBN 978-1841767130.
  • J.R.Gonzales, Historia de las legiones romanas, Madrid 2003.
  • Y.Le Bohec, L'esercito romano, Roma 2008.
  • X.Loriot, Chronologie du règne de Philippe l'Arabe, in. ANRW, II.2, 1975, pp. 788–797.
  • Potter, David S. The Roman Empire at Bay AD 180–395. New York: Routledge, 2004. ISBN 0-415-10058-5
  • Rostovtzeff, Michael I. "Res Gestae Divi Saporis and Dura." Berytus 8:1 (1943): 17–60.
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