Bibliografia

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Bibliografia é um ramo da bibliologia – ciência do livro – especializado na pesquisa de textos impressos ou multigrafados para indicá-los, descrevê-lo e classifica-los com a finalidade de estabelecer instrumentos (de busca) e organizar serviços apropriados a facilitar o trabalho intelectual.[1] A bibliografia pode ser ainda distinguida entre "descritiva" (ou "analítica") e "enumerativa".[2]

Num sentido mais restrito, bibliografia pode se referir ao produto da atividade descrita acima, isto é, uma lista estruturada de referências a livros ou outros documentos, designadamente artigos de periódicos, com características comuns, como o mesmo autor ou o mesmo assunto[3]. É constituída por referências bibliográficas, ou seja, pela identificação de cada uma das obras que constitui a bibliografia, mediante elementos como o autor, o título, o local de edição, a editora e outros.

História[editar | editar código-fonte]

Embora a palavra "bibliografia" só tenha surgido em 1633, a atividade que ela designa remonta à Antiguidade: catálogo, repertório, índice, inventário, e todas as formas pelas quais os eruditos têm procurado reunir, sobre um assunto ou dentro de uma disciplina, à informação mais completa.

A primeira bibliografia publicada data de 1494 (Liber de scriptoribus ecclesiasticis)[4]. Já a primeira bibliografia universal é de 1545 (Biblioteca universalis, de Conrad Gesner)[5]. A primeira bibliografia nacional é inglesa e foi consagrada aos escrivãos (John Bale, 1549)[6].

A partir do século XVIII, a bibliografia se diversificou, tornando-se uma "ciência do livro", apurada no século XX com as técnicas de documentação.

Mais recentemente, com a invenção do meio virtual, a palavra "bibliografia" pôde englobar não só seus sentidos com livros e documentos impressos ou manuscritos, mas também com os ditos e-books (livros eletrônicos) e outros meios de publicação digital, entre eles a internet.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

Em perspectiva histórica, a publicação de levantamentos das obras editadas no Brasil é relativamente descontínua.[7]

A Biblioteca Nacional (BN) desde 1847, mesmo ano em lhe foi concedido o privilégio do "depósito legal", foi encarregada de realizar uma bibliografia nacional. No entanto, a execução desta foi intermitente. De 1886 a 1888, saiu o Boletim das acquisições mais importantes feitas pela Bibliotheca Nacional. Mais tarde, foi publicado o Boletim bibliográfico (1918–1982), depois rebatizado de Bibliografia brasileira (1983–1995).[8][9] Hoje, a BN possui catálogos disponíveis na internet.[10]

Em 1938, o Instituto Nacional do Livro (INL) também foi encarregado da mesma atividade: publicou uma Bibliografia brasileira, anual, de 1938 a 1955, e de 1962 a 1967. No período intermediário (1956–1964), publicou a seção "Bibliografia brasileira corrente", na Revista do livro (de publicação irregular: 1956–1970, 2002, 2006–2011, 2015–). O INL publicaria ainda a Bibliografia brasileira mensal, de 1968 até 1972, quando foi descoberta esta sobreposição de funções entre o INL e a BN.[11][12]

Entre 1952 a 1967, o setor editorial privado (na verdade, sob comando de Áureo Ottoni, do próprio INL) publicou o Boletim bibliográfico brasileiro (BBB, também chamada Revista dos editores), a única bibliografia nacional regular impressa pelo setor no Brasil na segunda metade do século XX.[13]

No final da primeira metade do século XX, surgem as primeiras bibliografias acadêmicas abrangentes de estudos sobre o Brasil, com O que se deve ler para conhecer o Brasil (1945), livro de Nelson Werneck Sodré, e Manual bibliográfico de estudos brasileiros (1949), de R. B. de Moraes e W. Berrier.[14]

Em 1939, por iniciativa particular, Antônio Simões dos Reis lança o periódico Euclydes, uma biblografia quinzenal.[15] Mais tarde, faria outras tentativas.[16]

Entre 1968 e 1969, o setor editorial – o Centro de Investigação e Divulgação (CID), junto à Editora Vozes, de Petrópolis – publica a Bibliografia classificada, bimestral.[17]

Em 1969, o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) lança a primeira bibliografia atualizada de livros didáticos e livros técnicos.[18]

José Heydecker, livreiro exportador da Atlantis Livros, começou a publicar, em 1972, o periódico mensal Livros Novos, que durou quase dez anos. Em 1974, é publicada também a efêmera Presença do Livro, com a seção "Roteiro bibliográfico".[19]

A Editora Brasiliense publicaria, entre 1978 e 1984, a revista de crítica Leia livros, a qual continha listas regulares de lançamentos de livros.[20][21]

Em 1980, a Livraria Nobel de São Paulo elaborou o Catálogo brasileiro de publicações (CBP), atualizado regularmente. Inicialmente constituído de microfilmes, contou, mais tarde, com dados computadorizados. Em 2000, o CBP passou para a Superpedido.[22]

A propósito da computação, no início (1978), fez-se pouco uso do sistema International Standard Book Number (ISBN) no Brasil, que remonta à editora britânica Whitaker nos anos 1960, talvez pelo fato de a agência brasileira do ISBN ser administrada pela BN, em vez de associações da classe editorial (Snel ou Câmara Brasileira do Livro – CBL).[23]

Fora do setor de livros literários e afins, o levantamento de publicações governamentais é ainda mais fragmentado. Em 1981, a Biblioteca da Câmara Federal de Deputados iniciou a publicação da Bibliografia de publicações oficiais brasileiras, área federal, porém, esta foi suspensa no governo de Collor.[24]

Referências

  1. LIMA, João Alberto de Oliveira; CUNHA, Murilo Bastos da. Tratamento da Informação legislativa e Jurídica: Uma perspetiva histórica.
  2. DARNTON, Robert. A questão dos livros: presente, passado e futuro. Tradução: Daniel Pellizari. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, 231 p. link.
  3. iDicionário Aulete, s.v. «Bibliografia».
  4. Trithemius, Johannes. [Schaff,_EN.pdf] Gennadius Massiliensis – Liber De Scriptoribus Ecclesiasticis.
  5. Bibliotheca universalis sive catalogus omnium scriptorum locupletissimus in tribus linguis Latina, Graeca et Hebraica: extantium & non extantium, veterum & recentiorum.
  6. Cf. John Bale na Encyclopedia Britannica.
  7. HALLEWELL, Laurence (2005). O livro no Brasil: sua história. São Paulo: EdUSP, [1].
  8. HALLEWELL (2005), p. 392.
  9. GRINGS, Luciana; PACHECO, Stela. A Biblioteca Nacional e o Controle Bibliográfico Nacional: situação atual e perspectivas futuras. InCID: Revista de Ciência da Informação e Documentação, Ribeirão Preto, v. 1, n. 2, p. 77-88, nov. 2010. ISSN 2178-2075. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/incid/article/view/42321/45992>. Acesso em: 18 may 2017. doi:http://dx.doi.org/10.11606/issn.2178-2075.v1i2p77-88.
  10. BN – Biblioteca Nacional. Catálogos. http://catcrd.bn.br/.
  11. PETRY, Fernando Floriani. Revista do livro: um projeto político, literário e cultural. Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Comunicação e Expressão, Programa de Pós-Graduação em Literatura, Florianópolis, 2015, [2].
  12. HALLEWELL (2005), p. 392.
  13. HALLEWELL (2005), p. 534, 392.
  14. HALLEWELL (2005), p. 500.
  15. HALLEWELL (2005), p. 371, 528.
  16. FONSECA, E. N. Bibliografia brasileira corrente: evolução e estado atual do problema. Ciência da Informação, v. 1, n. 1, p. 9-14, 1972, link.
  17. HALLEWELL (2005), p. 681.
  18. HALLEWELL (2005), p. 558.
  19. HALLEWELL (2005), p. 621.
  20. HALLEWELL (2005), p. 621.
  21. Cedap/Unesp. Catálogo de periódicos. link.
  22. HALLEWELL (2005), p. 621.
  23. HALLEWELL (2005), p. 621.
  24. HALLEWELL (2005), p. 625.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BESTERMAN, Theodore. A world bibliography of bibliographies and of bibliographical catalogues, calendars, abstracts, digests, indexes, and the like. 4. ed. Rowan & Littlefield, Totwan, N.J. 1980 (5 vol.)
  • IOS – International Organization for Standardization. Norma ISO 690
  • IPT – Instituto Politécnico de Leiria. Serviços de Documentação. Como Elaborar Bibliografias.
  • MALCLÈS, Louise-Noëlle. La Bibliographie. Paris: Presses Universitaires de France, 1977.
  • NORONHA, Daisy Pires; FERREIRA, Sueli Mara S. P. "Bibliografia especializada". In: Recursos informacionais II - CBD201 (disciplina de graduação). São Paulo: ECA/USP, 1999. Disponível em: <http://www2.eca.usp.br/prof/sueli/cbd201/>.
  • WALRAVENS, Hartmut (Hrsg.): Internationale Bibliographie der Bibliographien 1959–1988. IBB. Saur, München 1998–2007, ISBN 3-598-33734-5 (13 Bde; Paralleltitel: International bibliography of bibliographies). link.

Ver também[editar | editar código-fonte]