Biliões

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Biliões (em grego: Βυλλίονες; transl.: Byllíones) eram uma tribo ilíria semi-helenizada[1] que habitou a porção sul da Ilíria, na região da atual Albânia.[2] Foram atestados pela primeira vez em meados do século IV a,C, a.C. na descrição do geógrafo Pseudo-Cílax.[3] Desde 385 a.C., a região dos biliões foi governada pelo rei dardânio Bárdilis I (r. 393–358 a.C.). Em 314 a.C., durante o reinado do rei Cassandro (r. 317–305), foi conquistada pela Macedônia e após a morte dele foi tomada pelo rei taulâncio Gláucias (r. 335–302 a.C.). Continuou em controle dos ilírios até durante o reinado de Monúnio (r. 290–270 a.C.), que estabeleceu sua residência em Gurazeza, nas proximidades da cidade de Búlis. Depois disso, foi brevemente controlada por Pirro (r. 306–302; 297–272)[4] e talvez por seu filho Alexandre II do Épiro (r. 272–242 a.C.). Após 270 a.C., a cidade e região podem ter sido governadas pelo rei ilírio Mitilo (r. 270–231 a.C.).[5]

A partir de 270 a.C., os biliões formaram uma liga bilíngue,[6] composta pela coalizão das poleis Búlis e Niceia.[2][7][8] Ela é atestada em epigrafias de Dodona datáveis do último terço do século III a.C.,[a][9] bem como numa inscrição de Esparta do século II a.C..[10] Existiu até 167 a.C.,[11] quando os romanos a dissolveram e incorporaram sua região à província de Ilírico.[12] Era um sistema político e organizacional com uma cunhagem própria, uma eclésia, na qual cidadãos livres participavam, e um senado composto por representantes das tribos e diferentes líderes: o prítane (chefe do poder executivo), o estratego (comandante do exército), o hiparco (comandante da cavalaria), o peripolarco (comandante da guarda fronteiriça), o gramateu (secretário do concílio), o ginasiarco (encarregado da educação) e o tâmias (coletor chefe dos impostos).[5] A principal estampa das moedas mostrava Zeus no anverso e um corno cheio de frutas e entrelaçado a uma cobra no reverso. Além desta, há moedas que portam a cabeça de Neoptólemo com uma maça, um símbolo de Héracles ou uma águia e trovão, ambos símbolos de Zeus, e outras com a cabeça duma ninfa no anverso e o fogo do Ninfeu no reverso.[11]

Notas[editar | editar código-fonte]

[a] ^ Dentre as epigrafias disponíveis em Dodona há uma na qual se afirma que os biliões erigiram no santuário uma estátua de bronze para certo Criso, filho de Sibírcio,[13] e outra na qual é dito que eles realizaram uma consulta para saberem para qual deus deveriam realizar sacrifícios de modo a garantir a segurança de seus domínios.[14] Na inscrição de Esparta, que consiste no início duma carta dos demos de Bílis, é citado o prítane dos biliões.[10]

Referências

  1. Hammond 1994, p. 423.
  2. a b Wilkes 1995, p. 97.
  3. Pseudo-Cílax século IV a.C., 27.
  4. Garouphalias 1979, p. 213.
  5. a b «Ancient City of Byllis» (em inglês). Consultado em 15 de fevereiro de 2015 
  6. Kos 2005, p. 226.
  7. Charles 1990, p. 14.
  8. Hansen 2004, p. 346.
  9. Pleket 1989.
  10. a b Sakellariou 1997, p. 121.
  11. a b «Coins» (em inglês). Consultado em 15 de fevereiro de 2015 
  12. «Roman Period» (em inglês). Consultado em 15 de fevereiro de 2015 
  13. Ma 2013, p. 95.
  14. Centre d'étude de la religion grecque antique 1997, p. 266.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Centre d'étude de la religion grecque antique (1997). «Kernos». Centre d'étude de la religion grecque antique. 10 
  • Garouphalias, Petros (1979). Pyrrhus King of Epirus. Londres: Stacey International. ISBN 090574313X 
  • Hansen, Mogens Herman; Nielsen, Thomas Heine (2004). An Inventory of Archaic and Classical Poleis. Oxford: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-814099-3 
  • Kos, Marjeta Šašel (2005). Appian and Illyricum. Liubliana, Eslovênia: Narodni muzej Slovenije 
  • Hammond, N. G. L. (1994). «Illyrians and North-west Greeks». In: Lewis, D. M.; Boardman, John; Hornblower, Simon; Ostwald, M. The Cambridge Ancient History, Volume 6: The Fourth Century BC. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 0-521-23348-8 
  • Ma, John (2013). Statues and Cities: Honorific Portraits and Civic Identity in the Hellenistic World. Oxford: Oxford University Press. ISBN 0199668914 
  • Pseudo-Cílax (século IV a.C.). Périplo. [S.l.: s.n.] 
  • Charles, Delvoye (1990). «L' Illyrie méridionale et L'Épire dans l'Antiquité». L'antiquité classique. 59 
  • Sakellariou, M. V. (1997). Epirus, 4000 years of Greek history and civilization. Atenas: Ekdotikē Athēnōn. ISBN 9602133716 
  • Wilkes, John (1995). The Illyrians. Oxford, Reino Unido: Blackwell Publishing. ISBN 0-631-19807-5