Bill Aberdeen

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O Slave Trade Suppression Act ou Aberdeen Act, mais conhecido no Brasil como Bill Aberdeen, foi um Ato do Parlamento do Reino Unido promulgado em 9 de agosto de 1845 durante o reinado da rainha Vitória do Reino Unido que autorizava os britânicos a prender qualquer navio suspeito de transportar escravos no oceano Atlântico.

História[editar | editar código-fonte]

Após a Revolução Industrial, surgiu no Reino Unido um forte movimento abolicionista, amparado, sobretudo, pelos habitantes das grandes cidades portuárias britânicas e motivado por razões de ordem ética e religiosa.

Proposta pelo Parlamento do Reino Unido, a lei, de autoria do ministro da relações exteriores George Hamilton-Gordon (Lord Aberdeen), visava ao combate ao tráfico de escravos no Atlântico Sul, atribuindo às embarcações da Marinha Real Britânica o direito de apreender quaisquer navios negreiros que porventura se dirigissem ao Império do Brasil, buscando com isto efetivar na prática o cumprimento, mais uma vez, de tratados internacionais assinados desde a década de 1810, que colocavam o tráfico de escravos como pirataria e, nessa condição, sujeito à repressão[1].

Durante a década de 1840, a marinha britânica aprisionou centenas de embarcações, cada qual carregando centenas de escravos. Eles eram conduzidos de volta à África, a cidades portuárias como Freetown, na Serra Leoa, ou Monróvia, na Libéria, onde era tentado um repatriamento, ou adaptação àquelas localidades.[2]

Para os escravagistas brasileiros, restava o argumento que esta lei derradeira feriria o Direito Internacional, já que seria uma imposição de um país a outros. No entanto, este era uma falácia, visto que a mesma apenas utilizava a força para valer este mesmo direito internacional, que o próprio Império Brasileiro desconsiderava, já que desde a década de 1820 descumpria sistematicamente não apenas os tratados internacionais contra o tráfico de escravos, que havia assinado[1], como também a própria legislação interna referente à escravidão, como, por exemplo, uma lei federal de 1831, que estabelecia que todos os africanos trazidos para o país, a partir daquela data, fossem libertados e embarcados de volta à África[1].

Assim, a aplicação da lei Aberdeen criou vários incidentes diplomáticos com o recalcitrante Império Brasileiro: entre agosto de 1845 e maio de 1851, foram abordadas, apreendidas e destruídas, pela Marinha Real Britânica, 368 embarcações brasileiras que faziam tráfico de escravos para o Brasil, muitas em águas territoriais do país.[3]

Tais fatos conduziram à inviabilidade econômica de tal prática há muito condenada internacionalmente, forçando o Brasil a abandoná-la. No entanto, em vez de fazê-lo, fazendo valer suas próprias leis já existentes _ para simbolicamente manter uma fachada de autonomia _ adotou uma nova lei referente ao tema, aprovada em 1850, que, uma vez mais, aboliu legalmente o tráfico negreiro para o Brasil. Entretanto, como se viu pelas apreensões executadas pela Marinha Britânica ainda em 1851, por si só, em nada teria acrescentado.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Almeida, Paulo Roberto de "Formação da diplomacia econômica no Brasil" Ed. SENAC / São Paulo 2001 ISBN 8573592109 Pág. 322Visualização Google Livros
  2. J. F. Ade Aja Yi "História Geral da África – Vol. VI – África do século XIX à década de 1880" UNESCO 2010 ISBN 9788576521280 Pág.94
  3. Alfredo Carlos Teixeira Leite "O tráfico negreiro e a diplomacia britânica" EDUCS 1998 ISBN 857061196 Página 178

Ligações externas[editar | editar código-fonte]