Boaz Pash

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Boaz Pash (n. Jerusalém, Israel, a 21 de Av de 5726 / 7 de agosto de 1966 da Era Comum ) é um judeu ortodoxo e rabino ortodoxo israelita, que foi rabino da Comunidade Israelita de Lisboa, Portugal, entre os fins de Janeiro de 2004 e os fins de Setembro de 2005 (cerca de 1 ano e 8 meses), na Sinagoga Shaaré Tikva.[1] Desde Agosto de 2006, é rabino de Cracóvia, Polónia [2].

Breve Biografia do rabi Boaz Pash[editar | editar código-fonte]

Nascido e criado na Cidade Velha de Jerusalém no seio de uma família judia, Boaz Pash graduou-se na Academia Rabínica Joseph Straus, tendo recebido ordenação rabínica ortodoxa na Yeshiva Heichal HaTorah, de Jerusalém - uma academica de Altos Estudos na Torá e no Talmud[3]. Foi co-fundador e professor da yeshiva de Maaleh Amos. Em 1992, foi para Kiev, na Ucrânia, onde fundou uma yeshiva. De 1994 a 1998, trabalhou como professor em São Paulo, no Brasil, e, depois, no Centro da Shavei Israel, em Aizawl, no Estado de Mizoram, no norte da Índia. Foi rabino da Comunidade Israelita de Lisboa, Portugal, entre os fins de Janeiro de 2004 e os fins de Setembro de 2005, na Sinagoga Shaaré Tikva. Desde Agosto de 2006, é rabino de Cracóvia, Polónia.

É fluente em várias línguas, para além do hebraico natal: português, polaco, russo e inglês.

O rabino Boaz Pash é casado com Sarah, professora de Matemática, crescida em Bnei Brak, com quem tem cinco filhos e uma filha: David, Uri, Noam, Mal'achi, Hilel e Libi[4]. Vive, na actualidade, entre Cracóvia, na Polónia, e Jerusalém, Israel, que é a sua cidade natal, residindo no bairro de 'Har Homá' (Hebraico: הר חומה, que significa‎ 'Montanha Amuralhada'). O bairro de 'Har Homá' tem o nome oficial de 'Homat Shmuel' e está localizado na parte Este de Jerusalém, perto de 'Beit Sahour'.

É um rabino ortodoxo 'sabra' (em hebraico צבר, pronuncia-se tsabar), que é um nome que é dado aos judeus ortodoxos nascidos na Terra de Israel, que geraram uma cultura, um modo de vida e uma maneira de se relacionar com o mundo e consigo mesmos, nova, diferente da dos judeus vindos da Diáspora. Tal como descreve: "Eu nasci realmente em Jerusalém, na cidade onde se situam as mais profundas raízes do povo Judeu, na cidade mais sagrada e mais bonita do mundo, para mim. O meu pai nasceu em Berlim, tendo a minha mãe fugido com ele no último momento antes do rebentar da guerra, quando ele tinha só quatro anos. Acabou por ficar sozinho, durante os anos da Guerra, abrigado num orfanato cristão, tendo sido depois levado para Eretz Israel. A família da minha mãe, pelo contrário, já estava há várias gerações em Israel, apesar das suas raízes serem da Polónia. Eu vim a nascer em Jerusalém, e cresci entre as muralhas da Cidade Velha. A minha vivência naquela cidade contribui de forma decisiva para a minha forma de ver o Mundo. Desde que saí de Jerusalém, percebo que vejo e encaro o resto do mundo de forma muito diferente; vejo o mundo através dos olhos daquela cidade."[5]

Bnei Anusim[editar | editar código-fonte]

Durante a sua estadia em Portugal o rabino Boaz Pash procurou integrar portugueses descendentes de familias judaicas que praticavam judaismo (Bnei Anusim) no seio da comunidade judaica. Foi na casa do rabino Boaz Pash que o grão-rabino Shlomo Moshe Amar recebeu, pela primeira vez em cinco séculos, descendentes de familias judaicas perseguidas pela Inquisição, aquando da sua deslocação a Lisboa para a celebração do Centenário da Sinagoga Share Tikvah. Infelizmente os esforços do rabino Boaz Pash não foram bem recebidos pela Comunidade Israelita de Lisboa, o que levou à formação de uma segunda comunidade judaica em Lisboa, a Comunidade Judaica Masorti Beit Israel.

Casherização de vinho da Estremadura, que adoptou o nome de "Ben Rosh" (Artur Carlos de Barros Basto)[editar | editar código-fonte]

O rabi Boaz Pash casherizou vinho da região da Estremadura, que obteve o certificado de "Kasher" do Grão Rabinato de Israel e da "Triangle K" dos EUA. O vinho adoptou o nome de "Ben Rosh" (nome judaico do capitão Artur Carlos de Barros Basto, fundador da Comunidade Israelita do Porto), tendo sido produzido, em Alenquer, no ano de 2004, pela Sociedade Agrícola Félix Rocha: trata-se de um vinho jovem, mas com carácter forte e vincado, características próprias da sua casta de origem - a Castelão (Periquita).

Escritos em português do rabi Boaz Pash[editar | editar código-fonte]

O rabi Boaz Pash, durante a sua permanência na Comunidade Israelita de Lisboa, elaborou vários textos em português, de grande qualidade haláquica, que descrevem o sentido originário da prática do Judaísmo Ortodoxo, publicados no Boletim «Tikvá» - Boletim da Comunidade Israelita de Lisboa:

Estudar [[1]];

“Machloket” [[2]];

"Derech Eretz" "24mil" [[3]];

UM MINUTO DE HISTÓRIA [[4]];

“O que é antigo renova-se e o que é novo tornar-se-á sagrado” [[5]];

“O toque de Shofár – alguns motivos e mais um” [[6]];

O segredo da Menorá [[7]];

A Mikvhá em Lisboa. A importância de uma Mikvhá para uma Comunidade Judaica [[8]];

A lição do "Chafetz Chayim" [[9]]

"Um povo que não protege a sua história, não merece que a historia o proteja"/MENSAGEM DO RABINO [[10]];

UM PONTO DE COMPREENSÃO - ROSH HASHANÁ [[11]]

Um dos textos emblemáticos do rabi Boaz Pash[editar | editar código-fonte]

Eu devo estar, na Sinagoga, para Cabalát Shabat. Na entrada do Shabat, o momento inicial deste dia sagrado, o meu lugar é na minha casa espiritual - a sinagoga. O Judaísmo é uma fonte da vida. Tenho de beber desta fonte, às vezes. Senão o meu judaísmo secar-se-á. Quem sou eu? Um cidadão português da rua? O que me faz merecer este titulo de judeu? É só porque os anti-semitas me odeiam? Quero que os meus filhos continuem a linhagem do Judaísmo. Qual é o esforço e o tempo que pretendo dedicar a este fim? Três horas semanais? Duas? Uma?... Algo tem que ser! No final da semana de trabalho, quando começa o "meu tempo", aquele "cantinho meu", que o meu 'boss' não domina mais, é o tempo para me dedicar à minha alma judia. Se este tempo é "meu", merece que seja "eu" próprio. Quem sou eu? Uma coisa marcada na agenda semanalmente. Uma coisa que faço regularmente, automaticamente, que estou habituado a fazer. A minha visita semanal à sinagoga. O meu encontro marcado com o meu Deus, com o meu povo. Uma hora significante entre os meus hábitos do dia-a-dia. O esforço é grande, «lefum tzara agara». O Judaísmo é uma idéia elevada, abstracta, celestial, ideal, divina. Não, o Judaísmo não é nada disso. O Judaísmo é uma prática banal, real, terrestre, um hábito humano. Não, o Judaísmo não é nada disso. O Judaísmo é uma "idéia praticada", uma "prática celestial", uma idéia que eu tenho, e realizo, uma prática que sou eu a fazer com que se torne uma idéia. E com um passo muito simples. Rabino Boaz Pash

Referências

http://www.masortiworld.org/molami/kehilla/por1

http://www.masorti.eu/partner-organizations/beit-israel-lisbon-portugal.html