Bom-Crioulo

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Bom-Crioulo
Autor(es) Adolfo Caminha
Idioma Português
País Rio de Janeiro, Brasil
Gênero Romance homoerótico, Ficção erótica
Editora diversas; primeira edição pela Domingos de Magalhães[1]
Lançamento 1895

Bom-Crioulo é um romance de Adolfo Caminha publicado em 1895, considerado por alguns como um dos primeiros romances sobre homossexualidade da história de toda a literatura ocidental.[2]

Bom-Crioulo foi recebido com escândalo pela crítica literária[3] da época e com silêncio pelo público,[4] devido à ousadia de abordagem de temas tabu, como o sexo inter-racial e a homossexualidade em ambiente militar,[5] com uma frontalidade e erotismo pouco usuais para a época,além de ser conceituada como uma narrativa contemporânea de seu tempo. No total a obra é composta por doze capítulos e discorre sobre uma temática homo erótica, no qual são abordados temas como a diferença de raça, a vida problemática dos marinheiros daquela época e o triângulo amoroso que havia entre Bom- Crioulo, Aleixo e Dona Carolina. O romance perpassa em dois locais: no navio (também chamado de Corveta) que muitas vezes está em alto mar, e em partes no Rio de Janeiro, na Rua da Misericórdia, localizada na periferia do Rio de Janeiro, por volta do século XIX.

Contextualização histórica[6]

A obra O Bom Crioulo pertence ao movimento estético naturalista, marcada por uma contraposição ao romantismo mediante o repúdio ao sentimentalismo e aos conteúdos mais impactantes da época. A obra gira em torno de um casal constituído por dois homens e um amor sentimental, para a época, isso seria inacreditável. Na obra apresentam-se claramente as ideologias naturalistas. O modo como as concepções da estética romântica orientou os escritores em meados do século XIX por uma literatura marcada pela verdade, do modo direto com as relações humanas. O bom crioulo foi escrito após a escravidão, mas aborda no enredo literário o período da escravidão.

Foco narrativo

A obra é narrada em 3ª pessoa por um narrador onsiciente e possui um discurso indireto livre.

Espaço

O romance se passa em dois espaços:no mar, a bordo de uma corveta, e na Rua da Misericórdia, localizada nos subúrbios do Rio de Janeiro. Os dois lugares são descritos em seus aspectos mais degradantes e negativos, ressaltando a miséria daqueles que aí vivem.

Num segundo momento, a história se desloca para a terra, mais precisamente para um quarto na Rua da Misericórdia, onde Amaro e Aleixo, após terem se conhecido no navio, vivem o ápice e o declínio de seu relacionamento.

Ao retratar o espaço urbano, Adolfo Caminha fala a respeito de um tipo de moradia muito comum no Rio de Janeiro, durante o final do século XIX, que eram as habitações coletivas. Os habitantes dessas moradias eram brancos, mulatos e mestiços, sempre pessoas exploradas. Ao redor dessas habitações, há a presença de negociantes portugueses em ascensão, como o açougueiro que sustenta D. Carolina, e que se aproveitam de algum modo, da miséria dessas pessoas.

Tempo

Apresenta um tempo indeterminado. Pode estipular uma data aproximada devido aos acontecimentos do enredo, como escravidão, marinheiro sofrendo castigos físicos que remetem ao período do final do século XIX.

Personagens

·        AMARO: ex-escravo, marinheiro extremamente forte e tem 30 anos.

·        ALEIXO: jovem de apenas 15 anos.

·        D. CAROLINA: portuguesa, ex-prostituta e dona de uma pensão.

·        HERCULANO: marinheiro, desleixado e tímido.

·        AGOSTINHO: guardião da proa. Especialista com as chibatadas.

·        SANT’ANA: marinheiro gago, indisciplinado e mentiroso.

Resumo da obra[editar | editar código-fonte]

Amaro, o personagem principal, é um escravo foragido que anseia ser dono de seu próprio destino. É aceito como marinheiro, o que lhe permite realizar o seu sonho de liberdade e que, associado ao seu físico imponentemente muscular, "sem um osso à vista", claramente mais possante que o dos outros marujos, o transforma em alguém voluntarioso e benevolente, de tal forma que recebe a alcunha "Bom Crioulo".

A disciplina da Marinha de Guerra parece-lhe suave quando comparada com a das fazendas de café, onde era escravo, e o Bom Crioulo só vai senti-la duramente quando conhece Aleixo, um belo grumete adolescente louro, de olhos azuis, por quem se apaixona. Amaro deixa de ser o marinheiro submisso. Envolve-se em brigas para defender o seu amado, embebeda-se, é castigado. Mas o que obtêm em troca de Aleixo é mais gratidão que amor.

No Rio de Janeiro, após a reforma da corveta em que viajavam, Amaro arranja um quarto para si e para Aleixo na pensão de uma portuguesa, D. Carolina, antiga prostituta que ele tinha salvado de uma tentativa de assalto. A vida com Aleixo é quase marital, e o Bom Crioulo, enfrentando alguma impaciência do rapaz, deleita-se mais com apreciar longamente o seu lindo corpo alvo do que com a obtenção do prazer sexual.

Mas esta vida quase matrimonial é efémera pois o capitão do navio para onde Amaro é transferido é extremamente rígido, dando-lhe folga apenas uma vez por mês, o que dificulta o encontro dos amantes, que deixam de se ver. Para piorar, D. Carolina, num capricho muito feminino, decide seduzir o adolescente, que se apaixona lubricamente por ela.

Amaro abandona-se à aguardente, desequilibrado, arranja confusão e é repetidamente castigado. É transferido para um hospital-prisão, em que mergulha no tédio da recuperação e do abandono. Solitário e frustrado, Amaro fica inquieto ao saber que Aleixo o teria traído com uma mulher. Foge da prisão e, já perto da pensão, encontra Aleixo e mata-o tragicamente à navalhada no meio de uma multidão quase indiferente.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?id=139147
  2. http://www.edtl.com.pt/index.php?option=com_mtree&task=viewlink&link_id=254&Itemid=2
  3. VALENTIN, Leandro Henrique Aparecido. A recepção crítica e a representação da homossexualidade no romance Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha. Mafuá, Florianópolis, ano 11, n. 20, out. 2013. Disponível em: [1]
  4. FRESSIA, Alfredo "Agulha, revista de cultura", nº. 25 de Junho de 2002, São Paulo [2]
  5. RODRIGUES, João Carlos "Verbo 21, cultura e literatura"
  6. Marcílio, Fernando. «Bom-Crioulo». Fernando Marcílio. Consultado em 28 de julho de 2019 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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