Cadência

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Disambig grey.svg Nota: Para cadência harmônica, veja Cadência (desambiguação).

Cadência ou progressão de acordes na teoria musical é uma sequência padrão de acordes que produz efeito de harmônia peculiar.[1] Várias músicas contém a mesma sequência de acordes ou cadência, tocadas de acordo com o campo harmônico e as funções harmônicas das notas e acordes.[1]

Cadência também é uma sequência particular de acordes que finalizam frase, seção ou obra musical de modo particular.[2] Considerado os dois últimos acordes. Podendo ser de dois modos, pode sugerir ao ouvinte uma pausa ou uma conclusão, isto é, se a peça continuará ou se foi finalizada. Uma analogia semelhante a pontuação, com algumas cadências mais fracas funcionando como vírgulas, indicando uma pausa, enquanto que uma cadência mais forte irá atuar como o ponto final de uma frase ou sentença musical.

História[editar | editar código-fonte]

No cantochão, a cadência era o nome do movimento que a melodia fazia para terminar. Ela indicava em qual modo a peça estava, ao atingir sua nota final (fundamental) por grau conjunto.

Na música medieval, cadências são baseadas em díades ao invés de acordes. A primeira menção teórica de cadência vem da descrição de Guido D'Arezzo no Micrologus. Utilizava essa expressão para designar o final de uma frase numa polifonia a duas vozes, na qual as duas frases convergem para um uníssono.

A alteração ascendente em um semitom da última nota do modo na chamada música ficta enfatiza ainda mais sua fundamental, criando para aquela a função de sensível. Assim, no chamado modo dórico, por exemplo, o dó sustenizado no final da melodia enfatizará ainda mais a fundamental do modo, que é . Com a invenção da polifonia, as cadências finais ficam ainda mais veementes ao assinalar a conclusão das peças. Este será o começo da transição do idioma modal para o tonal.

Classificação[editar | editar código-fonte]

Força da cadência[editar | editar código-fonte]

Na teoria harmônica tonal cadências são consideradas “fortes” ou “fracas” de acordo com a sensação de finalização que elas criam de acordo com acorde específico ou progressões melódicas específicas usadas. O ritmo harmônico tem um papel essencial na determinação de onde uma cadência ocorre. Geralmente há uma diminuição no valor das figuras rítmicas, sendo mais longa o acorde ou nota final. Mesmo em peças como moto perpétuos possuem cadências.

Tipos de cadência[editar | editar código-fonte]

A progressão segue o conceito: suspende (lV subdominante) – prepara (V dominante) – conclui (I tônica). Assim são divididas em quatro tipos comuns de cadência de acorde primários:[1][2]

  • Cadência perfeita;
  • Cadência interrompida ou de engano;
  • Cadência imperfeita e
  • Cadencia de Picarda.

Para se familiarizar com os tipos de cadências é necessário compreender os graus das escalas tonais. Estes são referidos por algarismos romanos:

Cadências conclusivas[editar | editar código-fonte]

Cadência Perfeita[editar | editar código-fonte]

Também conhecida como ponto final ou cadência autêntica. É a cadência normal de conclusão de uma peça musical, dando, a quem ouve, a sensação de finalização da frase. É formada pelos acordes de dominante (V) e tônica (I). Exemplo na tonalidade de Dó Maior: Sol - Dó

Cadência Plagal[editar | editar código-fonte]

Também utilizada nas finalizações das obras musicais, a cadência plagal é conhecida como a cadência do amém, por ser utilizada para harmonizar esta palavra no final dos hinos. É formada pelos acordes de subdominante (IV) e tônica (I). Exemplo na tonalidade de Lá menor: Ré - Lá

Cadência Imperfeita[editar | editar código-fonte]

A única diferença entre a cadência imperfeita e a perfeita está no estado dos acordes, ou seja, na voz inferior do acorde final soará a terça ou a quinta da tônica. Na cadência Autêntica imperfeita CAI,o acorde final tem como característica o soprano indo para outro grau diferente da tônica. Por exemplo, na tonalidade de Dó Maior (C E G C), a cadência do quinto grau (G B D G)tem como resolução I (C E G), sendo o soprano na terça do acorde e não na tônica (C), como seria na cadência perfeita.

Cadência Picarda[editar | editar código-fonte]

A Cadência Picarda ou Cadência de Picardia é característica das tonalidades menores. A resolução é feita dominante - tónica, sendo o acorde da tónica Maior. Exemplo: Algumas obras do período clássico e posteriores começam tipicamente em tom menor e terminam em maior, ou pelo menos num acorde maior. Se o tema musical está na tonalidade de Ré menor, seu acorde final, isto é, sua "resolução final", será feita pelo acorde tônico da tonalidade homônima maior, logo, esse acorde final será o acorde de Ré maior.

Desta cadência provém o termo "Terceira Picarda" "Terça Picarda" ou "Terça de Picardia", que é a prática de terminar os temas com a terça maior (acorde maior) ao invés de menor (no modo menor). A palavra "Picardia", neste sentido, significa travessura, pelo fato de substituirem a terça menor do acorde tônico da tonalidade (menor) por uma terça maior. Por exemplo, se a Peça é em "Am", finalizamos a frase final da música (normalmente com 5-1) com "A".

Cadências não conclusivas[editar | editar código-fonte]

Cadência à Dominante ou Cadência Suspensiva[editar | editar código-fonte]

Também chamada de meia cadência ou ponto de continuação ou cadência suspensiva. Com o efeito similar ao de uma vírgula, ela é construída ao se colocar praticamente qualquer acorde diatónico, mas, mais frequentemente o de tônica (I), supertônica (II) ou subdominante (IV), concluindo no acorde de Dominante (V).

Cadência Interrompida[editar | editar código-fonte]

A cadência interrompida ou de engano deixa a sensação de que a música está sendo interrompida, pois o compositor cria a expectativa de resolver a frase em uma cadência perfeita (V - I), no entanto, finaliza não com o acorde de tônica, mas sim com o de superdominante (VI).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]