Carlo Giovanni Battista Fossati

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Carlo Fossati

Carlo Giovanni Battista Fossati (Turim, 3 de julho de 1844Porto Alegre, 23 de agosto de 1927) foi um escultor marmorista ítalo-brasileiro.

Estudou a arte do desenho no famoso Liceu de Turim.[1] Após a conclusão deste curso, dedicou-se à escultura, arte que aprendeu com seu pai, Bartholomeu Fossati. Trabalhou em seu atelier até os vinte e cinco anos de idade. Nesta época, conhecido por seu talento e competência, foi convidado pelo governo italiano para realizar vários trabalhos em escultura no Palácio Real de Turim. Por este trabalho recebeu o título de Cavaleiro da Coroa Real, concedido pelo rei Vittorio Emanuele II e a medalha de Honra ao Mérito.[2]

Este reconhecimento ao seu talento projetou seu nome internacionalmente. Recebeu convite do governo grego para estabelecer-se em Atenas e ali exercer sua profissão, mas já havia decidido ir para o Brasil. Chegou ao Rio de Janeiro em 1869. Permaneceu pouco tempo na corte e, contratado pelo governo, em 1871 viajou para a província do Rio Grande do Sul, para orientar tecnicamente os trabalhos de extração de mármore nas jazidas de Encruzilhada do Sul e Caçapava do Sul.[2]

Fossati conhecia bem a tarefa, no entanto, logo percebeu que devido à falta de estrutura material e de operários qualificados, não seria possível dar continuidade à empresa. Acordou a rescisão do contrato e permaneceu na província, encaminhado-se para a capital, Porto Alegre, onde residiria até seu falecimento, aos 83 anos de idade. Foi casado com Maria Weingärtner, com quem teve 15 filhos. Artur e Bernardo seguiram a carreira de escultor. Formou diversos discípulos, destacando-se João Vicente Friedrichs.[2]

Obras[editar | editar código-fonte]

A estátua do Conde de Porto Alegre, toda em mármore, inaugurada pela Princesa Isabel em 1885, foi o primeiro monumento erguido em praça pública em Porto Alegre. Localizava-se, inicialmente, na Praça da Matriz. Em 1912, foi transferida para a Praça Conde de Porto Alegre. A estátua foi encomendada ao atelier Adriano Pittanti & Cia. De acordo com depoimento de Paschoal Fossati, filho do escultor Carlo Fossati, dado em 1956 para Athos Damasceno Ferreira, o autor da estátua foi seu pai:

"Afirma o depoente que, sendo à época Carlo Fossati sócio de Pittanti, a ele fora confiada a difícil empreitada para a qual fez a maqueta - hoje conservada pela família Câmara - o modelo de barro, e, em grande parte, a transferência para o mármore. Admite Paschoal que, nessa última fase da obra, haja seu pai recebido a colaboração de Domênico Pittanti, irmão de Adriano. Mas reitera que a autoria da obra é de Carlo Fossati, a cuja modéstia extrema atribui o silêncio que sempre manteve em torno do assunto." [2]

Segundo Damasceno, é difícil atualmente localizar e relacionar muitos dos numerosos trabalhos de Carlo Fossati, destinados à ornamentação de prédios da cidade, especialmente edifícios públicos. Entre estes, pode-se mencionar os quatro leões de mármore que guarnecem as escadarias laterais do Paço Municipal de Porto Alegre.

"Fossati trabalhava silenciosamente em seu atelier, raramente expondo ou procurando por qualquer meio chamar a atenção para obras de sua autoria. Sócio, em certa fase de sua vida, dos irmãos Pittanti, deu a ambos valiosa ajuda artística, contribuindo grandemente para a formação e consolidação do prestígio profissional da firma, sem a menor preocupação de pôr em relevo ali os talentos de que era dotado e as aptidões que, aliás, todos lhe reconheciam. Em várias oportunidades revelou esses talentos e essas aptidões, assumindo a responsabilidade de lavores importantes. Sabe-se que, se não foi o primeiro, foi dos primeiros escultores marmoristas a executar obras de porte para o cemitério local." [2]

Referências

  1. Cultura arquitetônica italiana na construção de residências em Porto Alegre: 1892-1930 (página 54)
  2. a b c d e Damasceno, Athos. Artes Plásticas no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Editora Globo, 1970, pp. 167-170

Ver também[editar | editar código-fonte]