Clã Abe

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O clã Abe (安倍氏, Abe-shi?) foi um dos mais antigos entre os maiores clãs do Japão (uji); e o clã manteve sua proeminência durante o Período Sengoku e o Período Edo.[1] Acredita-se que a origem do clã remete ao povo Yamato; eles conseguiram destaque a partir do Período Heian (794-1185), e experimentou um ressurgimento no século XVIII. Abe é também um sobrenome muito comum no Japão atual, embora nem todos sejam necessariamente descendentes desse clã.

Origens e história[editar | editar código-fonte]

De acordo com o Nihon Shoki, os Abe descenderam de um filho do Imperador Kōgen.[2] Eles surgiram na Província de Iga (atual prefeitura de Mie); algumas famílias dessa região, reclamando o nome Abe, também alegam descendência de uma figura chamada Abi, que teria enfrentado o próprio Imperador Jinmu, o lendário primeiro Imperador do Japão, em seu plano para conquistar a planície Yamato. Assim as várias famílias Abe se organizaram ao norte da ilha de Honshū, onde obtiveram grande influência no Período Heian. Apesar de originalmente o nome do clã ser escrito 阿倍, mudou para 安倍 por volta do século VIII.

Essa Região setentrional, que viria a ser conhecida como Mutsu e Dewa, foi conquistada pelos japoneses durante o século IX, e os Ainu da região foram subjugados. Enquanto muitas províncias tinham um governador, Mutsu viu a independência de uma série de famílias chamadas gozoku, que administravam as questões locais. Os Abe foram apontados como "Superintendentes dos Aborígines" para controlar o povo local que eram uma mistura de imigrantes japoneses e antigas tribos Emishi, a serviço do governo central, mas na realidade o governo de Kyoto simplesmente não tinha controle sobre a região, e reconhecia esse fato ao apontar os Abe. O clã Abe usou sua posição para deter o controle sobre os seis distritos roku-oku-gun localizados no centro da atual prefeitura de Iwate em volta do rio Kitakami. Então eles começaram a ter disputas com o governador de Mutsu, um oficial de um ramo da família Fujiwara, que apelou para a violência em 1051.

A principal razão para o ataque contra os Abe foi o fato de que eles deixaram de pagar impostos a Kyoto, e pararam de contribuir ao governo local. O governo de Mutsu e o comandante do forte de Dewa combinaram suas forças para atacar os Abe, mas foram derrotados. Desesperada para suprimir essa afronta ao governo central, a capital Kyoto apontou Minamoto Yoriyoshi como Chinjufu-shogun. A posição conhecida como Chinjufu-shogun, ou "Comandante-em-chefe da Defesa do Norte", era tradicionalmente concedida pela Corte temporariamente a um nobre (geralmente de alto escalão) designado como general nacional para combater revoltas entre os bárbaros Emishi ou Ebisu do norte de Honshū. Como o poder militar se tornou cada vez mais privatizado, essa posição era ocupada por poucos clãs.

No que viria a ser denominada "Guerra dos primeiros nove anos" (前九年合戦, Zenkunen kassen), Abe Yoritoki foi assassinado, e seu filho Abe no Sadato derrotado por Minamoto no Yoriyoshi e seu filho, Minamoto no Yoshiie. Essa guerra quebrou o poder da família Abe, mas na prolongada luta ocorrida os Minamoto não teriam prevalecido sem a ajuda de outra família poderosa, os Kiyowara. O clã Kiyohara da vizinha província de Dewa ajudou os Minamoto a derrotar os Abe.

Outras famílias Abe[editar | editar código-fonte]

Apesar de outras figuras históricas terem pertencido a uma família Abe, é difícil saber se foram parentes do clã Abe de Iga e Mutsu. Abe no Nakamaro, um grande nobre da Corte do século VIII, por exemplo, era da cidade de Abe, próxima a Nara, de lá derivando seu nome.

Uma família de nome Abe também teve destaque durante o Período Edo, servindo sucessivamente no posto de Rōjū, ou Anciões, que aconselhavam o xogun Tokugawa. Novamente é difícil saber se essa linhagem se relaciona com o antigo clã Abe. Abe Tadaaki foi o primeiro a servir como Rōjū, ocupando o posto de 1633 a 1671. Ele foi muito provavelmente um filho de outra relação de Abe Masatsugu (1569-1647) que serviu a Tokugawa Ieyasu e lutou ao seu lado na decisiva Batalha de Sekigahara. Outros membros da família Abe sucederiam Tadaaki no posto em boa parte do Período Edo (1603-1867), encerrando com Abe Masahiro, que era o chefe do conselho dos Rōjū à época da chegada do Comodoro Perry.

Membros notáveis do clã[editar | editar código-fonte]

Notas e referências

  1. Meyer, Eva-Maria. "Gouverneure von Kyôto in der Edo-Zeit." Universität Tübingen (in German).
  2. Asakawa, Kan'ichi. (1903). The Early Institutional Life of Japan, p.140.

Referências[editar | editar código-fonte]