Cneu Calpúrnio Pisão (cônsul em 23 a.C.)

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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Cneu Calpúrnio Pisão.
Cneu Calpúrnio Pisão
Nacionalidade
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República Romana
Ocupação Senador
Religião Politeísmo romano

Cneu Calpúrnio Pisão[nt 1] (em latim: Gnaeus Calpurnius Piso) foi um senador romano ativo durante o século I a.C.. Partidário dos optimates, foi contrário ao Primeiro Triunvirato e perseguiu Pompeu e seus partidários. Durante a guerra civil subsequente, Pisão esteve presente em alguns dos conflitos. Em 44 a.C., com a morte de Júlio César, aliou-se aos liberatores e juntou-se aos exércitos de Caio Cássio Longino e Marco Júnio Bruto. Com a derrota deles em Filipos, foi perdoado e afastou-se da vida pública até 23 a.C., quando foi nomeado pelo imperador Augusto (r. 27 a.C.14 d.C.) como cônsul.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Começo da carreira[editar | editar código-fonte]

Denário do verão de 48 a.C., cunhado por Pompeu com a efígie de Numa Pompílio.
Denário de 44 a.C., mostrando Júlio César no anverso e a deusa Vênus no reverso

Calpúrnio Pisão foi o filho de Cneu Calpúrnio Pisão, um legado e proquestor de Pompeu.[3] Calpúrnio casou-se com uma filha de um Marco Popílio e eles tiveram ao menos dois filhos: Cneu Calpúrnio Pisão e Lúcio Calpúrnio Pisão.[4] Um defensor da tradicional elite senatorial e um oponente do Primeiro Triunvirato, ele aparece pela primeira vez em algum momento durante os anos 50 a.C., quando perseguiu Caio Manílio Crispo, um tribuno da plebe que estava a serviço de Pompeu. Embora Crispo foi obviamente culpado, a influência de Pompeu fez a absolvição cada vez mais provável. Calpúrnio Pisão, frustrado, começou a acusar Pompeu duma série de acusações graves durante o decorrer do julgamento. Quando Pompeu perguntou a Calpúrnio Pisão porquê ele não processou-o também, Pisão retorquiu:

Dê-me uma garantia que você não empreenderá uma guerra civil contra a República se vocês estão processados, e eu vou, de uma só vez, enviar o jurista para convidá-lo e enviá-lo em exílio ao invés de Manílio.[5]

Com Pompeu se juntando aos senadores conservadores e a eclosão da guerra civil contra Júlio César, Calpúrnio Pisão foi enviado para a Hispânia Ulterior em 49 a.C., quando serviu como um proquestor sob os legados de Pompeu.[1][6] A derrota das forças de Pompeu fez Calpúrnio Pisão partir para o Norte da África. Em 46 a.C., serviu sob Quinto Cecílio Metelo Pio Cipião Násica e a ele foi dado o comando da cavalaria moura.[7] Com a derrota republicana na batalha de Tapso, ele parece ter chegado a um acordo com a vitória de César, mas com o assassinato do ditador em 44 a.C., ele aliou-se com os liberatores, juntando-se aos exércitos de Caio Cássio Longino e Marco Júnio Bruto. Após a derrota deles na batalha de Filipos em 42 a.C., Pisão foi eventualmente perdoado. Contudo, em seu retorno para Roma, recusou participar na arena política sob a dominância do herdeiro de César, Otaviano (o futuro Augusto). Ele, portanto, retirou-se da vida política ativa.[3][8]

Crise sucessória de 23 a.C.[editar | editar código-fonte]

Em 23 a.C., a dominância de Augusto começou a causar algumas dificuldades políticas ao imperador, que foram aumentadas por seu desejo aparente de preparar seu sobrinho Marco Cláudio Marcelo como seu herdeiro político. Problemas na aliança política entre Augusto, Lívia Drusa, Caio Cílnio Mecenas e Marco Vipsânio Agripa sobre seus planos de sucessão permitiu Augusto procurar em volta por apoio potencial dentro do senado.[9] Com a morte do cônsul eleito Aulo Terêncio Varrão Murena antes de assumir o ofício, Augusto ofereceu o consulado para o notório republicano e oponente imperial, Calpúrnio Pisão.[10]

Embora Augusto claramente esperava ganhar mais de Pisão, e no processo não apenas desviar a atenção de Marcelo, mas também reforçar a ficção que a república ainda funcionada, é incerto porquê Pisão aceitou o papel após tantos anos de rejeição da legitimidade do principado. As explicações variam de um senso de dever público, à ressurreição de suas ambições políticas, ou à ressurreição do dignitas de sua família após um longo período de obscuridade, com a esperança do consulado ser oferecido para seus dois filhos.[8]

Contudo, no decorrer do ano, Augusto ficou seriamente doente. Ele desistiu do consulado, e como sua condição piorou, começou a fazer planos para a estabilidade do Estado caso morresse. Augusto, portanto, entregou para seu co-cônsul Pisão todos os seus documentos oficiais, um registro das finanças públicas, e autoridade sobre tropas listadas nas províncias, declarando sua intenção de que Pisão, como cônsul, deveria tomar conta da funcionalidade do Estado pela duração de seu consulado. Porém, o anel de sinete de Augusto foi entregue para Agripa, uma indicação clara que as legiões seguiriam-o e não Pisão.[11][12]

Notas

  1. Thomas Broughton postula que ele pode ter se chamado "Cneu Calpúrnio Pisão Frugi",[1] mas Ronald Syme rejeita a possibilidade.[2]

Referências

  1. a b Broughton 1952, p. 261.
  2. Syme 1986, p. 330.
  3. a b Smith 1870, p. 375.
  4. Syme 1986, p. 330; 368.
  5. Valério Máximo 2004, 2:4.
  6. Syme 1986, p. 368.
  7. Syme 1986, p. 300.
  8. a b Syme 1986, p. 368.
  9. Holland 2005, p. 294.
  10. Swan 1967, p. 240.
  11. Syme 1986, p. 384.
  12. Holland 2005, p. 294-295.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Broughton, T. Robert S. (1952). The Magistrates of the Roman Republic. II. Atlanta: Scholar Press 
  • Holland, Richard (2005). Augustus, Godfather of Europe. [S.l.]: Sutton Publishing 
  • Smith, William (1870). Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology. III. [S.l.: s.n.] 
  • Syme, Ronald (1986). The Augustan Aristocracy. [S.l.]: Clarendon Press. ISBN 0-19-280320-4 
  • Swan, Michael (1967). «The Consular Fasti of 23 B.C. and the Conspiracy of Varro Murena». Harvard University Press. Harvard Studies in Classical Philology. 71 
  • Valério Máximo (2004). Henry J. Walker, ed. Memorable Deeds and Sayings: One Thousand Tales from Ancient Rome. [S.l.]: Hackett Publishing. ISBN 0872206742