Conde de Avranches

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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados de Abranches, veja Abranches (desambiguação).
Armas dos Almada - Livro Grandes de Portugal
Brasão dos Almadas e Avranches ou Abranches.

O título de conde de Avranches, ou Abranches (referente a Avranches, comuna francesa, é um título nobiliárquico criado pelo rei britânico Henrique VI em Westminster a 4 de Agosto de 1445[1], em favor de D. Álvaro Vaz de Almada e seus descendentes. Esse rei inglês tentava ocupar permanentemente a Normandia, da qual essa região fazia parte, obtendo a ajuda para isso deste bravo cavaleiro, quando decorria a Guerra dos Cem Anos contra a França para obtenção desse direito e que na altura chegou a consegui-lo.

O título viria a ser usado em Portugal e em França pelo seu filho mais velho, do segundo casamento deste, muito depois da morte do pai na batalha de Alfarrobeira e já quando os reis ingleses tinham deixado de tentar conquistar pela força a Normandia.

Apontamentos históricos[editar | editar código-fonte]

Segundo Fernando Mendes no "Portugal Histórico - Dinastia de Aviz" pg. 82, D. Álvaro Vaz de Almada "de tal maneira se bateu pelos Britânicos contra os Franceses, que Henrique VI de Inglaterra o nomeou Cavaleiro da Ordem da Jarreteira e Conde de Avranches na Normandia".

No manuscrito 620 da Biblioteca da Universidade de Coimbra, fl. 283, lê-se o seguinte: "Álvaro Vaz de Almada assinalou-se tanto em heroicidade no serviço de El-Rei de França, que alcançou dele a justa mercê do titulo de Conde de Avranches". Esta transcrição não podia estar mais errada pois decorria na altura a guerra dos cem anos entre os franceses e os ingleses, nomeadamente pela posse da Normandia cuja localidade de Avranches fazia parte, e que foi-lhe dado precisamente pelo auxilio prestado aos segundos.

Para tirar essa dúvida e para atender ao importante teor, com as razões da nomeação de D. Álvaro para a dignidade de cavaleiro de Jarreteira e simultaneamente o título de conde de Avranches, dado por Henrique VI (rei de Inglaterra e com pretensões ao de França), apresentamos aqui parcialmente a carta, em pergaminho e em latim no original no Arquivo da Torre de Londres, que assinala esse momento e facto:

"Henrique por Graça de Deus Rei de Inglaterra e de França e Senhor da Irlanda ~ Aos Arcebispos, Bispos e C. Saúde.

Dignos de grandes valores são, e com especial glória devém ser exaltados aqueles que se esforçam em, ferverosa e indefesamente consagrar ao Bem do Estado o seu tempo e sua vida; aqueles que arrastam perigos por amor do próximo, põem acima de todas as humanas coisas a sua egrégia fama e o seu imortal nome e se enchem de ufania quando julgam, que com os seus esforços e dedicação podem concorrer para a felicidade pública. ~ Ditosos são os varões, sem os quais não podem gozar de tranquilidade nem cidade, nem fortalezas, nem reinos, nem domínios, nem os grandes e até mesmo o mundo! Ilustres e justos são os varões, cuja prudência faz que todas as virtudes verdejam e floresçam, os maus felizmente sejam esfriados, abatidos os perversos! Não há por certo quem possa, nem por escrito, nem por palavras compor o elogio de tão ilustres caracteres. ~ É no número destes homens que merece ser reputado e proclamado D. Álvaro Vaz de Almada, ilustre e nobre varão, extremo e proclamo cavaleiro, que desde a sua tenra idade, logo que passou a sua idade puerícia, sonhando com a glória das armas anelando o prémio das virtudes, se votou ao bem-estar comum e se entregou ao exercício das armas com todo o entusiásmo e paixão, e apenas atingiu a idade para nelas exercitar, o seu valor aumentou com a idade, cresceu a sua ardente e primorosa dedicação à pública felicidade, e não via outro objecto mais amado e agradável que o bem-estar da Sociedade. E tanto concorreu com o seu impertérito ânimo nos lances mais críticos da peleja, e com os seus conselhos nos tempos de paz, que conquistou pelo seu trabalho, direito ao galardão. - Pelo que Nós, tomando consideração a nobreza e as egrécias qualidades do mesmo varão, as quais juntas aos seus feitos ainda maior brilho tomam, e considerando mais não só os grandes serviços prestados assim no tempo do reinado do Nosso Cristianíssimo Progenitor de muito feliz memória, como na grandeza da sua dedicação, dos serviços e dos méritos de que deu provas a Nós e aos nossos reinos, Nós o nomeamos cavaleiro, sócio e irmão da Jarreteira, com o voto unânime da mesma Sociedade, e no cargo realmente o investimos. ~ Outrossim e em penhor do nosso afeto e como testemunho vivo das suas virtudes o nomeamos Conde de Avranches no Nosso Ducado da Normandia, e pela presente o nomeamos e para todos os efeitos o consideramos, investindo-o do mesmo nome, honra e título, cingindo-o com a espada; devendo o mesmo os seus herdeiros masculinos nascidos legítimamente do seu corpo possuir e conservar o dito nome e honra. ....

Dada por Nossas mãos em Westminter aos 4 dias de Agosto"

Lista de Condes de Avranches ou Abranches[editar | editar código-fonte]

  1. Álvaro Vaz de Almada (1390-1448)
  2. Fernando de Almada (1430-1496), 2.º Conde de Avranches[2].

Segundo "Famílias Titulares e Grandes do Reino" pg. 37, vol. 1.º, D. Antão Soares de Almada "foi o último se encartou no título de Conde de Avranches". Há, no entanto, quem considere não ser verdadeiro. Não se encontram papéis em que tivesse usado mais esse título, assim como em nenhum dos seus descendentes seguintes, apesar de ser um título de juro e herdade razão pela qual se considera que, mesmo nunca se encartando no título, a sucessão era automática, conforme sucedia em França. Apenas, muito mais tarde e passadas várias gerações de linha sucessória directa, em escrituras relativas aos foros do "Praso de Margaride", encontramos o 3.º Conde de Almada usando dos títulos de "Conde de Almada e Abranches".

Referências

  1. Catalogo dos manuscriptos portuguezes existentes no Museu Britannico: Em que tambem se dá noticia dos manuscriptos estrangeiros relativos á historia civil, politica e litteraria de Portugal e seus dominios, e se transcrevem na integra alguns documentos importantes e curiosos, Frederico F. de La Figanière, Imprensa Nacional, 1853, pág.s 259 e 260
  2. Decreto de 1 de Janeiro de 1478 e Carta de 7 de Maio do mesmo ano (D. Afonso V. — Regist. no Arch. da T. do T., Liv., 3 dos Místicos fl. 188.) - Albano da Silveira Pinto, Resenha das famílias titulares Grandes de Portugal, Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva, Lisboa, 1883. Pág. 38

Dados bibliográficos e documentais[editar | editar código-fonte]

  • Arquivo particular da Casa Almada.
  • Conde de Almada, Lourenço de Almada, «Relação dos Feitos de D. Antão Dalmada», Lisboa, 1940
  • Affonso de Dornellas, «Os Almadas na História de Portugal», revista "Independência, tomo II, Lisboa, 1942

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]