Convento de Santa Clara (Santarém)

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A Igreja de Santa Clara constitui um dos monumentos mais emblemáticos do gótico mendicante da cidade de Santarém, situando-se na proximidade do Convento de S. Francisco, outro exemplar marcante deste estilo arquitectónico. A igreja é a parte remanescente do antigo convento das clarissas, aqui estabelecido em 1264. Actualmente, encontra-se rodeada por um amplo espaço, onde antes se encontravam as dependências conventuais, demolidas no início do século XX, e nas quais se incluía um claustro maneirista. O edifício está classificado como Monumento Nacional desde 1917.

História[editar | editar código-fonte]

A fundação do convento remonta a 1259, no reinado de D. Afonso III, quando as clarissas, provenientes de Lamego, se decidem fixar em Santarém. O edifício conventual estava já pronto em 1264, tendo a igreja sido sagrada no ano seguinte. D. Branca Lourenço de Avelar, ca 1338-1371, Senhora da Quintã de Oeiras foi Dona de S. Clara de Santarém. Filha do Conde D. Lourenço Martins de Avelar, o Velho e de D. Brites Anes de Castela

As obras prosseguiram muito para além da inauguração, prolongando-se durante todo o século XIII e na primeira metade do século XIV. Durante o reinado de D. Dinis, foram realizados importantes benefícios patrocinados quer pela Rainha D. Isabel, quer pelo próprio rei. Particularmente importante durante a primeira fase de edificação da obra parece ter sido D. Leonor Afonso, filha de D. Afonso III e que foi freira nesta casa. Esta infanta foi mais tarde, em 1325, sepultada na igreja do convento. Do início do século XIV, data o túmulo de Martim Afonso Chichorro, filho bastardo do mesmo rei, e que actualmente se encontra na Igreja de São João de Alporão.


Vista geral da fachada sudeste.

Ao longo dos séculos, muitas foram as campanhas artísticas que se sucederam no espaço conventual. Em 1564, é executado um retábulo por Diogo de Contreiras e, no início do século seguinte, é concluído o cadeiral do coro. Na segunda metade do século XVII, em consequência de dois graves incêndios (em 1668 e no ano seguinte), a parte conventual foi inteiramente modificada, tendo a igreja sido significativamente alterada. De entre as obras então levadas a cabo, são de salientar a supressão do transepto, a divisão do amplo corpo da igreja, a execução de um novo tecto em caixotões e a aplicação de revestimento azulejar maneirista.

Já nos séculos XVIII e XIX, a igreja é alvo de inúmeras alterações, que passaram designadamente pela substituição da abóbada da capela-mor, pelo entaipamento dos seus lumes, pela demolição dos absíolos, pela alteração dos braços do transepto, pelo entaipamento da rosácea e pela elevação do nível do pavimento. Em 1817, o órgão é executado por António Xavier Machado e Cerveira. Este órgão seria em 1902 transferido para a Igreja de Santa Maria de Marvila, onde ainda hoje se encontra.

O convento seria encerrado em 1902, ano em que faleceu a última freira. O edifício entra então definitivamente em ruína, sendo os seus bens vendidos e o seu recheio desbaratado por particulares. Os edifícios conventuais, incluindo o claustro maneirista, são demolidos em 1906, tendo apenas sido poupada a igreja. Nas décadas de 30 e de 40 do século XX, foi levada a cabo uma intervenção que pretendeu restituir o monumento à sua pureza original, o que determinou a supressão de todos os elementos não góticos que subsistiam na igreja. Do valiosíssimo espólio perdido, há a salientar o retábulo quinhentista de Contreiras, o cadeiral do coro, os tectos em caixotões, os painéis de azulejos e os restantes elementos barrocos.

Arquitectura e Arte[editar | editar código-fonte]

Actualmente, a igreja pouco conserva da sua primitiva traça. O edifício é muito longo, apresentando um transepto saliente. A fachada da velha basílica gótica merece destaque pelo seu contrafortado topo poente, enriquecido pela rosácea raiada, com arquivoltas ornamentadas de besantes ou pérolas, sobre a qual se releva uma moldura de pedraria esmaltada com as armas reais. Neste topo, ergue-se a torre sineira, que é rematada por uma bordadura de cachorrada de singular efeito decorativo. O topo oposto é amparado nas quinas por contrafortes e corrido no cimo por uma cachorrada golpeada.

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