Afonso III de Portugal

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de D. Afonso III)
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Esta página ou secção cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde maio de 2014). Por favor, adicione mais referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Afonso III
Rei de Portugal
Reinado 4 de fevereiro de 1248
a 16 de fevereiro de 1279
Predecessor Sancho II
Sucessor Dinis I
Rei de Algarve
Reinado 1249 a 16 de fevereiro de 1279
Sucessor Dinis I
Conde de Bolonha
Reinado 1238 a 1253
Predecessora Matilde II (sozinha)
Sucessora Matilde II (sozinha)
Co-monarca Matilde II
Esposas Matilde II, Condessa de Bolonha
Beatriz de Castela
Descendência
Ver descendência
Casa Borgonha
Pai Afonso II de Portugal
Mãe Urraca de Castela
Nascimento 5 de maio de 1210
Coimbra, Portugal
Morte 16 de fevereiro de 1279 (68 anos)
Alcobaça, Portugal
Enterro Mosteiro de Alcobaça, Alcobaça, Leiria, Portugal
Religião Catolicismo

Afonso III (Coimbra, 5 de maio de 1210[1]Alcobaça, 16 de fevereiro de 1279), apelidado de "o Bolonhês" por seu casamento com Matilde II, Condessa de Bolonha, foi o Rei de Portugal de 1249 até sua morte, e também o primeiro monarca português a utilizar o título de Rei de Algarve. Além disso, ele foi Conde de Bolonha de 1238 até 1253 em direito de sua esposa. Era o segundo filho do rei Afonso II e sua esposa Urraca de Castela, tendo ascendido ao trono depois de depôr seu irmão mais velho Sancho II.

Guerra civil[editar | editar código-fonte]

Como segundo filho, Afonso não deveria herdar o trono destinado a Sancho e por isso viveu em França, onde se casou com Matilde II, Condessa de Bolonha em 1235,[1] tornando-se assim conde jure uxoris de Bolonha, onde servia como um dirigente militar, combatendo em nome do Rei Luís IX de França e seu primo.

Todavia, em 1246, os conflitos entre Sancho II e a Igreja tornaram-se insustentáveis e o Papa Inocêncio IV nesse mesmo ano despacha a Bula Inter alia desiderabilia que prepara a deposição de facto do monarca.

D. Afonso III, Rei de Portugal

O papado, através de duas Breves, ainda aconselha Afonso, Conde de Bolonha, a partir para a Terra Santa em Cruzada e também que passe a estar na Hispânia, fazendo aí guerra ao Islão. Mas a 24 de julho, a Bula Grandi non immerito depõe oficialmente Sancho II do governo do reino, e Afonso torna-se regente.

Os fidalgos levantam-se contra Sancho, e Afonso cede a todas as pretensões do clero no "Juramento de Paris", uma assembleia de prelados e nobres portugueses, jurando que guardaria todos os privilégios, foros e costumes dos municípios, cavaleiros, peões, religiosos e clérigos seculares do reino[2] . Abdicou imediatamente das suas terras francesas e marchou sobre Portugal, chegando a Lisboa nos últimos dias do ano, onde se fez coroar rei em janerio do 1248 após o exílio e morte de Sancho II em Toledo.[3]

Até à morte de D. Sancho e a sua consequente coroação, D. Afonso apenas usou os títulos de Visitador, Curador e Defensor do Reino.

Para aceder ao trono, Afonso abdicou de Bolonha e repudiou Matilde para casar com Beatriz de Castela. Decidido a não cometer os mesmos erros do irmão, o novo rei prestou especial atenção à classe média de mercadores e pequenos proprietários, ouvindo suas queixas. Por este procedimento, Afonso III ficou conhecido também como o pai do "Estado Português", distribuindo alcaides pelos castelos e juízes pelas diferentes vilas e terras. O objectivo era a implantação de um poder legal com o qual todos os habitantes do Reino português mantivessem uma relação de igualdade.

Em 1254, na cidade de Leiria convocou a primeira reunião das Cortes, a assembleia geral do reino, com representantes de todos os espectros da sociedade. Afonso preparou legislação que restringia a possibilidade das classes altas cometerem abusos sobre a população menos favorecida e concedeu inúmeros privilégios à Igreja. Recordado como excelente administrador, Afonso III organizou a administração pública, fundou várias vilas e concedeu o privilégio de cidade através do édito de várias cartas de foral.

Em 1255, transferiu a capital do Reino de Portugal de Coimbra para Lisboa.

Foram por sua ordem feitas as Inquirições Gerais, iniciadas em 1258, como forma do rei controlar, não só o grande poder da Nobreza, mas também para saber se lhe estavam a ser usurpados bens que, por direito, pertenciam à Coroa.

Reconquista[editar | editar código-fonte]

Moedas cunhadas com a éfige do Rei Afonso III de Portugal.

Com o trono seguro e a situação interna pacificada, Afonso voltou sua atenção para os propósitos da Reconquista do Sul da Península Ibérica às comunidades muçulmanas. Durante o seu reinado, Faro foi tomada com sucesso em 1249 e o Algarve incorporado no reino de Portugal.[4]

Após esta campanha de sucesso, Afonso teve de enfrentar um conflito diplomático com Castela, que considerava que o Algarve lhe pertencia. Seguiu-se um período de guerra entre os dois países, até que, em 1267, foi assinado um tratado em Badajoz que determina a fronteira no Guadiana desde a confluência do Caia até à foz, a fronteira luso-castelhana.

Segundas núpcias[editar | editar código-fonte]

Em 1253, o rei desposou D. Beatriz, popularmente conhecida por D. Brites, filha de D. Afonso X de Castela, O Sábio. Desde logo isto constituiu polémica pois D. Afonso era já casado com Matilde II de Bolonha.

O Papa Alexandre IV respondeu a uma queixa de D. Matilde, ordenando ao rei D. Afonso que abandone D. Beatriz em respeito ao seu matrimónio com D. Matilde. O rei não obedeceu, mas procurou ganhar tempo neste assunto delicado, e o problema ficou resolvido com a morte de D. Matilde em 1258. O infante, D. Dinis, nascido durante a situação irregular dos pais, foi então legitimado em 1263.

O casamento funcionou como uma aliança que pôs termo à luta entre Portugal e Castela pelo Reino do Algarve. Também resultou em mais riqueza para Portugal quando D. Beatriz, já após a morte do rei, recebe do seu pai, Afonso X, uma bela região a Este do Rio Guadiana, onde se incluíam as vilas de Moura, Serpa, Noudar, Mourão e Niebla. Tamanha dádiva deveu-se ao apoio que D. Brites lhe prestou durante o seu exílio na cidade de Sevilha.

Excomunhão do rei e do reino[editar | editar código-fonte]

No final da sua vida, viu-se envolvido em conflitos com a Igreja, tendo sido excomungado em 1268 pelo arcebispo de Braga e pelos bispos de Coimbra e Porto, para além do próprio Papa Clemente IV, à semelhança dos reis que o precederam. O clero havia aprovado um libelo contendo quarenta e três queixas contra o monarca, entre as quais se achavam o impedimento aos bispos de cobrarem os dízimos, utilização dos fundos destinados à construção dos templos, obrigação dos clérigos a trabalhar nas obras das muralhas das vilas, prisão e execução de clérigos sem autorização dos bispos, ameaças de morte ao arcebispo e aos bispos e, ainda, a nomeação de judeus para cargos de grande importância. A agravar ainda mais as coisas, este rei favoreceu monetariamente ordens religiosas mendicantes, como franciscanos e dominicanos, sendo acusado pelo clero de apoiar espiritualidades estrangeiradas. O grande conflito com o clero também se deve ao facto do rei ter legislado no sentido de equilibrar o poder municipal em prejuízo do poder do clero e da nobreza.

O rei, que era muito querido pelos portugueses por decisões como a da abolição da anúduva (imposto do trabalho braçal gratuito, que obrigava as gentes a trabalhar na construção e reparação de castelos e palácios, muros, fossos e outras obras militares), recebeu apoio das cortes de Santarém em Janeiro de 1274, onde foi nomeada uma comissão para fazer um inquérito às acusações que os bispos faziam ao rei. A comissão, composta maioritariamente por adeptos do rei, absolveu-o. O Papa Gregório X, porém, não aceitou a resolução tomada nas cortes de Santarém e mandou que se excomungasse o rei e fosse lançado interdito sobre o reino em 1277.

À sua morte, em 1279,[5] D. Afonso III jurou obediência à Igreja e a restituição de tudo o que lhe tinha tirado. Face a esta atitude do rei, o abade de Alcobaça levantou-lhe a excomunhão e o rei foi sepultado no Mosteiro de Alcobaça.[6]

Títulos, estilos, e honrarias[editar | editar código-fonte]

Estilo real de tratamento de
Afonso III de Portugal
Shield of the Kingdom of Portugal (1248-1385).png

Brasão de armas do Reino de Portugal (1248-1385)

Estilo real Sua Mercê
Tratamento directo Vossa Mercê
Estilo alternativo Senhor

Títulos e estilos[editar | editar código-fonte]

O estilo oficial de D. Afonso III enquanto Rei de Portugal:

Pela Graça de Deus, Afonso III, Rei de Portugal e Conde de Bolonha

Em 1253, por suspeitar da sua esterilidade, D. Afonso repudia a esposa, D. Matilde, e abandona o título de Conde de Bolonha:

Pela Graça de Deus, Afonso III, Rei de Portugal

Após a conquista definitiva do Algarve e a disputa quanto ao domínio algarvio com Castela, o Tratado de Badajoz reconhece a D. Afonso III o senhorio do Algarve, evoluindo a sua titulatura régia para:

Pela Graça de Deus, Afonso III, Rei de Portugal e do Algarve

Descendencia[editar | editar código-fonte]

Primeira esposa, Matilde II de Bolonha, sem descendência.

Segunda mulher, infanta Beatriz de Castela (1242-1303)

  • Maria de Portugal (1265-c. 1266), que faleceu antes de um ano;[12]
  • Vicente de Portugal (22 de janeiro de 1268–1268),[11] faleceu no mesmo ano de seu nascimento, segundo a inscrição no seu túmulo no Mosteiro de Alcobaça.[12]
  • Maria de Portugal

Em algumas crónicas antigas, menciona-se outra filha, Constança, no entanto, não há provas da sua existência segundo Figanière. Esta suposta filha, segundo outros historiadores, morreu muito nova em Sevilha e foi sepultada no Mosteiro de Alcobaça. No entanto, "esta referência deve (...) aplicar-se à infanta Sancha (que deve), embora com diferentes nomes, ter sido uma única infanta".[16]

Filhos naturais

Havidos de Madragana Ben Aloandro, depois chamada Mor Afonso, filha do último alcaide do período mouro de Faro, o moçárabe Aloandro Ben Bakr:

Havidos de Maria Peres de Enxara:

Havida em Elvira Esteves:

  • Leonor Afonso (m. 1259), freira no mosteiro de Santa Clara em Santarém,[22]

De outras senhoras:

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Afonso III de Portugal


Afonso III de Portugal
Casa de Borgonha
Ramo da Casa de Capeto
5 de maio de 1210 – 16 de fevereiro de 1279
Precedido por
Sancho II
Shield of the Kingdom of Portugal (1248-1385).png
Rei de Portugal
4 de fevereiro de 1248 – 16 de fevereiro de 1279
Sucedido por
Dinis I
Novo título Royal Arms of Algarves.svg
Rei de Algarve
1249 – 16 de fevereiro de 1279
Precedido por
Matilde II
(sozinha)
CourtenayArms.png
Conde de Bolonha
1238 a 1253
(com Matilde II)
Sucedido por
Matilde II
(sozinha)