Afonso de Portugal, Senhor de Portalegre

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Afonso de Portugal
Infante de Portugal, Senhor de Portalegre, Castelo de Vide, Arronches, Marvão e Lourinhã
Arms of Infante Afonso of Portugal, Lord of Portalegre.svg
Senhor de Portalegre, Castelo de Vide, Arronches, Marvão e Lourinhã
Reinado 1271-1312
Tenente régio
Reinado
Predecessor
Sucessor Fim do governo representativoː extinção das tenências
Cônjuge Violante Manuel de Castela
Casa Casa de Borgonha
Nascimento 8 de fevereiro de 1263
  Santarém, Reino de Portugal
Morte 2 de novembro de 1312 (49 anos)
  Lisboa, Reino de Portugal
Enterro Igreja de São Domingos, Lisboa, Reino de Portugal
Pai Afonso III
Mãe Beatriz de Castela
Brasão do Infante Afonso, senhor de Portalegre

D. Afonso de Portugal (8 de fevereiro de 1263 - Lisboa, 2 de novembro de 1312)[1] foi um infante português, intitulado Senhor de Portalegre, Castelo de Vide, Arronches, Marvão e Lourinhã[2].

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Quarto filho de Afonso III de Portugal e da sua segunda esposa, D. Beatriz de Castela, surge na documentação logo em março de 1263[3].

Com cerca de nove anos, a 11 de outubro de 1271, o seu pai doa-lhe as vilas e castelos de Marvão, Portalegre e Arronches, com todos os direitos, com a condição de passarem ao filho legítimo mais velho. Em caso de extinção da sua linhagem, os bens deveriam reverter para o rei de Portugal [3][4]. Parece que Afonso III pretendia dar a este seu filho alguma independência, concedendo-lha através de um feudo[5]. Talvez devido à sua juventude, o aristocrata Rui Garcia de Paiva foi incumbido de os governar para o pequeno infante, na qualidade de tenente[3].

O rei presenteou ainda este infante com 20 000 libras, que coloca à guarda da esposa. Beatriz, à morte do marido, devia dá-los ao infante. Caso o infante falecesse antes do pai, ou o irmão, Dinis, falecesse antes dele, o dinheiro reverteria para a coroa.

A década de 70 do século viu largas concessões e expansão de domínio senhorial deste infanteː a 25 de maio de 1273, Afonso III autoriza o filho, por pedido expresso do próprio, a tomar Castelo de Vide; a 28 de janeiro de 1278 é o rei que toma a iniciativa de conceder-lhe Lourinhã e a 5 de julho desse ano Vila Pouca[3].

O reinado de Dinis I[editar | editar código-fonte]

A morte do pai não significou propriamente o fim das suas benessesː Dinis I concede-lhe que mantenha as suas tenências (que para além do senhorio, estendera para Lamego, Viseu e Seia), mesmo após tê-las extinguido oficialmente em 1287. Porém muitos conflitos estavam por vir.

É neste mesmo ano que contrai matrimónio com Violante Manuel, filha do Infante D. Manuel de Castela, segundo filho de Fernando III de Castela, e de Constança de Aragão. Violante era por isso meia-irmã de D. João Manuel de Castela, célebre escritor e magnate castelhano, e ainda sobrinha do não menos célebre Afonso X de Castela. Porém o infante Afonso era neto materno deste mesmo rei, fazendo este casamento inválido aos olhos da Igreja, uma vez que os nubentes eram parentes próximos. O casamento nunca foi oficialmente legitimado[2], e por isso o património de Afonso corria sérios riscos de reverter para a Coroa, segundo o que o pai acordara em vida e revalidara em testamento.

Afonso tentou legitimar o seu casamento, por forma a que os seus filhos pudessem herdar as suas posses,[6] pedindo inclusive à cunhada, Isabel de Aragão. Afonso e Dinis debateram-se em vários conflitos (1281, 1287 e 1291), e a rainha, tentando harmonizar as relações entre os dois irmãos, apoiava os propósitos do infante.[6] Porém, neste caso, aquela teve de negar o seu apoio, pois significava prejudicar, a longo prazo, os seus filhos; Isabel acabaria por se opor firmemente a este pedido, num protesto em Coimbra a 6 de fevereiro de 1297.[7] Dinis concordaria com a esposa numa primeira fase, mas acabaria por ceder, uma vez que, dois dias depois, estava a legitimar os seus sobrinhos[8], tornando-os aptos à sucessão do pai.

Os vários conflitos com Dinis teriam uma componente territorial, pois o antagonismo de Afonso face à coroa implicava a perda de um importante senhorio fronteiriço que constituíam os domínios do infante, e que Dinis tenta recuperar por várias trocasː Afonso recebe, em 1288, Armamar, mas prescinde de Arronches; em 1300 entrega Marvão e Portalegre em troca de Ourém e Sintra[2]. Desta forma, O seu irmão tentava relocalizar os seus domínios para evitar pôr em perigo uma parte tão importante do território como era a fronteiriça. Recorde-se que o Tratado de Alcanizes fora assinado em 1297 e Dinis não pensava perder nada do que havia disposto neste mesmo tratado. Afonso parece ter percebido essa perda de importância, pois exila-se em Castela, estando documentado na corte de Sancho IV de Castela entre 1302 e 1306.[2]

A morte de Violante e respetivas implicações[editar | editar código-fonte]

Violante faleceu em 1306 em Castelo de Vide, tendo-se suspeitado na altura de que fora assassinada pelo seu esposo[9]. Deveria ter vindo para Portugal sozinha, uma vez que o seu esposo só regressaria no ano seguinte[10].

Em novembro de 1306 o rumor espalhara-se na corte castelhana, ao ponto de o próprio cunhado desconfiar dele.[11]. Jaime II de Aragão soube-o pelo seu agente nessa corte. Guillén Palacín, e desta feita pediu por carta a Dinis I que castigasse o seu irmão.[11] Ao mesmo tempo, João Manuel de Castela chegou mesmo a dirigir-se à corte de Fernando IV de Castela para acusar o infante e cunhado, que como já dito, lá residia desde 1302, de costas voltadas para o irmão[2]. A 4 de dezembro de 1306, Dinis envia ao cunhado, Jaime de Aragão, o testemunho de Afonsoː

Encontrando-se [Violante Manuel] gravemente doente em Medellín, confessara-se e ordenara o seu testamento, mas a doença persistia e desta feita, pensando numa mudança de ares, levou-a para a fronteira portuguesa, onde voltou a dispor dos seus bens ao ver que a doença se agravava ainda mais; passados uns dias morreu.[11]

O infante João de Castela, o de Tarifa tio da falecida, ordenou ao infante, a 6 de dezembro (desconhecendo o testemunho) que respondesse perante a acusação de assassinato.[11]. Afonso voltou a testemunhar a sua inocência, desta vez perante Fernando IV, esposo da sua sobrinha, dizendo praticamente o mesmoː Violante falecera de morte natural em Castelo de Vide, para onde ele a levara para recuperar-se, embora não o tivesse logrado.

O assunto acabou esquecido, e Afonso regressou a Portugal no ano seguinte, fixando-se em Castelo de Vide. Com a herança assegurada para os filhos, faleceu a 2 de novembro de 1312, em Lisboa, sendo sepultado na Igreja de São Domingos, nessa cidade, assim como a sua esposa. As sepulturas ter-se-ão destruído no decurso do Terramoto de 1755[2].

Casamento e descendência[editar | editar código-fonte]

Realeza Portuguesa
Casa de Borgonha
Descendência
PortugueseFlag1185.svg

Afonso casou com Violante Manuel, filha do Infante D. Manuel de Castela, segundo varão do rei Fernando III de Castela. D. Violante era meia-irmã de D. João Manuel de Castela, célebre escritor e magnate medieval. Teve dela cinco filhos:

  1. Afonso de Portugal, Senhor de Leiria;
  2. Maria de Portugal, Senhora de Menezes e Orduña por casamento;
  3. Isabel de Portugal, Senhora de Penela;
  4. Constança de Portugal;
  5. Beatriz de Portugal (1300 -?), senhora de Lemos por casamento com Pedro Fernandes de Castro.

Referências

  1. «Afonso.». Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico. p. 69. Consultado em 6 de outubro de 2011 
  2. a b c d e f Sottomayor-Pizarro 1997.
  3. a b c d Ventura 1992, p. 531.
  4. Pero-Sans Elorza 2011.
  5. Barros 1950.
  6. a b Pero-Sanz Elorza 2011, p. 79.
  7. Pero-Sanz Elorza 2011, pp. 79-80.
  8. Sotto Mayor Pizarro 1997, p. 171.
  9. Pero-Sanz Elorza 2011, p. 85.
  10. Uma outra hipótese, embora mais remota, sugere que sobreviveu ao marido e faleceu em 1314. Ficha genealógica de Violante Manuel, neta de Fernando III, o Santo - Fundación Casa ducal de Medinaceli
  11. a b c d Giménez Soler 1932, p. 35.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Barros, Henrique da Gama (1950). História da Administração Pública em Portugal nos séculos XII a XV. VIII. Lisboa: Livraria Sá da Costa Editora 
  • Gímenez Soler, Andrés (1932). Don Juan Manuel. Biografía y estudio crítico. Zaragoza: Tip. La Académica. OCLC 1124212 
  • Nobreza de Portugal e do Brasil. I. Lisboa: Representações Zairol Lda. 1780. OCLC 433804701 
  • Pero-Sanz Elorza, José Miguel (2011). Santa Isabel: reina de Portugal 1ª ed. Madrid: Ediciones Palabra, S.A. ISBN 978-84-9840-546-0 
  • Sottomayor-Pizarro, José Augusto (1997). Linhagens Medievais Portuguesas: Genealogias e Estratégias (1279-1325). I. Porto: Universidade do Porto 
  • Ventura, Leontina (1992). A nobreza de corte de Afonso III. II. Coimbra: Universidade de Coimbra 
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