Determinação sexual cromossômica em mamíferos

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Esquema da determinação sexual masculina
Esquema da determinação sexual feminina

A determinação sexual biológica em mamíferos é estritamente cromossômica (isto é, não possui nenhuma influência do ambiente). Indivíduos com genótipo XX possuem o sexo biológico feminino e indivíduos com o genótipo XY possuem o sexo biológico masculino.

Determinação sexual primária[editar | editar código-fonte]

Determinação sexual primária é a determinação das gônadas, que acontece durante a embriogênese a partir da expressão de certos genes. O cromossomo Y carrega um gene que produz um fator determinante de testículos, por isso esse cromossomo é determinante na formação das gônadas. [1] Aproximadamente na quarta semana de desenvolvimento embrionário, se forma uma gônada indiferenciada no mesoderma, a qual permanece indiferenciada até a sétima semana. A diferenciação das células germinativas não está envolvida na determinação sexual primária, e depende do ambiente em que essas células estão inseridas.[2]

Desenvolvimento de Testículos[editar | editar código-fonte]

Acontece a partir de genes do cromossomo Y, entre eles:

SRY

É um fator de transcrição, necessário para formação de testículos. Na ausência dele, a gônada primordial se diferenciará em ovários. Logo, pessoas com genótipo XX contendo esse gene (o que podem acontecer a partir de uma recombinação entre os cromossomos X e Y nas células germinativas parentais), possuirão testículos e um fenótipo masculino, enquanto pessoas com genótipo XY sem esse gene possuirão ovários e um fenótipo feminino).

SOX 9

É um gene autossômico que seria ativado (e portanto passaria a ser transcrito) pelo SRY. É essencial para formação de testículos

Além desses dois genes, acredita-se que a proteína SF1, ativada pelo SRY, tenha importância na formação de testículos. Ela é um fator de transcrição que ativa vários genes envolvidos na síntese de esteroides, e age nas células de Leydig, ativando genes envolvidos na síntese de testosterona.

No desenvolvimento fetal, as células intersticiais mesenquimais se diferenciam em células de Leydig, que irão produzir testosterona, e as células dos cordões testiculares se diferenciam em células de Sertoli, que secretam Hormônio antimülleriano.[3]

Desenvolvimento de ovários[editar | editar código-fonte]

Acontece a partir de genes do cromossomo X, entre eles:

DAX1

É um potencial gene determinante para ovários. Quando duas cópias suas estão presentes no cromossomo X ativo, mesmo que haja um cromossomo Y o sinal SRY é reprimido e são formados ovários.

Wnt4a

Um gene autossômico com papel na formação dos ovários[3]

Determinação sexual secundária[editar | editar código-fonte]

É a determinação do fenótipo do corpo. Geralmente acontece por ação de hormônios produzidos nas gônadas (na ausência de gônadas, o fenótipo é feminino). Os ductos genitais indiferenciados são os ductos de Müller e o ducto de Wolff. Ambos são associados ao mesonefro (um rim embrionário) e descem pelo corpo até se abrirem na cloaca, uma abertura indiferenciada.[4]

Desenvolvimento feminino[editar | editar código-fonte]

Os hormônios estrogênicos produzidos pelos ovários permitem o desenvolvimento do ducto mulleriano em útero, oviducto, cérvix e parte superior da vagina, enquanto o ducto de Wolff se degenera.[3]

Desenvolvimento masculino[editar | editar código-fonte]

Os testículos secretam dois hormônios: o anti-mulleriano (AMH), o qual promove a atrofia do ducto mulleriano, e a testosterona, que promove o desenvolvimento do ducto de Wolff em epidídimo, vaso deferente e vesícula seminal. A testosterona é convertida em di-hidrotestosterona (DHT), a qual promove a masculinização da genitália externa e estimula a formação do pênis e da próstata.

Alguns indivíduos com genótipo XY possuem insensibilidade parcial ou total na proteína receptora para andrógenos como a testosterona e a di-hidrotestosterona, o que é conhecido como síndrome de insensibilidade aos andrógenos. Esses indivíduos possuem testículos, mas são incapazes de responder à testosterona e respondem ao estrógeno, possuem tanto genitália externa como aparência feminina.[3]

Referências

  1. Moody, S. A. (2007). Principles of Developmental Genetics 1st ed. [S.l.]: Academic Press 
  2. http://www.devbio.biology.gatech.edu/?page_id=55
  3. a b c d Gilbert, S. (2011). Developmental Biology 10th ed. Sunderland: Sinauer Assoc. 
  4. Wolpert, S. (2011). Principles of Development 4th ed. [S.l.]: Oxford