Dimorfismo sexual em primatas

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Alouatta caraya, uma espécie de primata sexualmente dimórfica: acima, macho, abaixo, fêmea.

O dimorfismo sexual em primatas é um fenômeno largamente observado e estudado na ordem dos Primatas. Estudos recentes têm usado a técnica de análise comparativa para examinar a variação e a expressão do dimorfismo sexual em primatas e suas causas fundamentais.[1] Primatas apresentam dimorfismo sexual quanto à massa corporal, tamanho e forma dos caninos, pelagem e cor.[1][2][3][4][5][6][7] O dimorfismo sexual em primatas tem sido atribuído a vários fatores:

  • Sistema de acasalamento - espécies poligínicas são mais sexualmente dimórficas do que espécies monogâmicas.[8] Também está associado maior investimento gonadal em machos em espécies promíscuas.[9][10]
  • Tamanho - espécies maiores são mais sexualmente dimórficas do que espécies menores.[8]
  • Habital - espécies terrestres tendem a ser mais sexualmente dimórficas do que espécies arborícolas. É possível que a competição entre machos em espécies terrestres seja mais dependente do tamanho.
  • Dieta - frugívoros, por razões não muito claras, são menos sexualmente dimórficos que folívoros.[10] Provavelmente, a dispersão maior de fêmeas pelo território em espécies frugívoras é causa disso.
  • Tampões copulatórios - a presença de tampões copulatórios é negativamente correlacionada ao grau de dimorfismo sexual em primatas, sugerindo que eles são utilizados como uma alternativa à guarda de cópula, reduzindo a pressão seletiva sobre o tamanho e força dos machos em algumas espécies.[11]

Análises comparativas corroboraram a hipótese de seleção sexual, e geraram um panorama mais completo das relações entre seleção sexual, seleção natural e sistemas de acasalamento em primatas. Alguns estudos mostraram que o dimorfismo provem de mudanças tanto em caracteres masculinos, quanto femininos.[12] A ontogenia dá alguma luz em relação ao surgimento de dimorfismo sexual e padrão de crescimento.[13] Algumas evidências paleontológicas sugerem que houve convergência evolutiva no dimorfismo, e alguns hominídeos extintos tiveram provavelmente um dimorfismo sexual maior do que muitos primatas viventes.[12]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. a b Lindenfors P & Tullberg BS (1998). «Phylogenetic Analyses of Primate Size Evolution: The Consequences of Sexual Selection». Biological Journal of the Linnean Society. 64 (4): 413–447. doi:10.1111/j.1095-8312.1998.tb00342.x 
  2. Ralls, K (1976). «Mammals in Which Females are Larger Than Males». The Quarterly Review of Biology. 51 (2): 245–76. PMID 785524. doi:10.1086/409310 
  3. Lindstedtand & Boyce; Boyce, Mark S. (1985). «Seasonality, Fasting Endurance, and Body Size in Mammals». Am Nat. 125 (6). 873 páginas. doi:10.1086/284385 
  4. Frisch, J. E. (1963). «Sex-differences in the canines of the gibbon (Hylobates lar)». Primates. 4 (2). 1 páginas. doi:10.1007/BF01659148 
  5. Kay, R. F. (1975). «The functional adaptations of primate molar teeth». American Journal of Physical Anthropology. 43 (2): 195–215. PMID 810034. doi:10.1002/ajpa.1330430207 
  6. Thorén, S., Lindenfors, P. & Kappeler, P. M. (2006). «Phylogenetic analyses of dimorphism in primates: Evidence for stronger selection on canine size than on body size». Am J Phys Anthropol. 130 (1): 50–59. PMID 16345072. doi:10.1002/ajpa.20321 
  7. Crook (1972). «Sexual selection, dimorphism, and social organization in the primates». Sexual selection and the descent of man. [S.l.: s.n.] 
  8. a b Cheverud, J.M., Dow, M. M. & Leutenegger, W. (1985). «The quantitative assessment of phylogenetic constraints in comparative analyses: Sexual dimorphism in body weight among primates». Evolution. 39 (6): 1335–1351. JSTOR 2408790. doi:10.2307/2408790 
  9. Luetenegger, W. (1978). «Scaling of sexual dimorphism in body size and breeding system in primates». Nature. 272 (5654): 610–611. PMID 643053. doi:10.1038/272610a0 
  10. a b Leutenegger, W. & Cheverud, J. M. (1982). «Correlates of sexual dimorphism in primates: Ecological and size variables». International Journal of Primatology. 3 (4). 387 páginas. doi:10.1007/BF02693740 
  11. Dunham, A. E. & Rudolf, V. H. W. (2009). «Evolution of sexual size monomorphism: the influence of passive mate guarding». Journal of Evolutionary Biology. 22 (7): 1376–1386. PMID 19486235. doi:10.1111/j.1420-9101.2009.01768.x 
  12. a b Plavcan, J. M. (2001). «Sexual dimorphism in primate evolution». American Journal of Physical Anthropology. 33: 25–53. PMID 11786990. doi:10.1002/ajpa.10011 
  13. O'Higgins, P. & Collard, M. (2002). «Sexual dimorphism and facial growth in papionine monkeys». Journal of Zoology. 257 (2): 255–272. doi:10.1017/S0952836902000857