Dothideomycetes

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Conídios reprodutores de Venturia inaequalis emergindo através da cutícula de uma folha de macieira brava

Conídios reprodutores de Venturia inaequalis emergindo através da cutícula de uma folha de macieira brava
Classificação científica
Reino: Fungi
Filo: Ascomycota
Subfilo: Pezizomycotina
Classe: Dothideomycetes
O. E. Erikss. & Winka
Subclasses/Ordens
Dothideomycetidae
Capnodiales
Dothideales
Myriangiales

Pleosporomycetidae

Hysteriales
Jahnulales
Mytilinidiales
Pleosporales

incertae sedis

Botryosphaeriales
Microthyriales
Patellariales
Trypetheliales

Dothideomycetes é a maior e mais diversa classe de fungos ascomicetes. Compreende 11 ordens, 90 famílias, 1 300 géneros e mais de 19 000 espécies conhecidas.[1][2] Tradicionalmente, a maioria dos seus membros era incluída nos Loculoascomycetes, que não fazem parte da classificação atualmente aceita[3] . Tal indica que várias caraterísticas morfológicas tradicionais desta classe não são únicas e as comparações de sequenciamento de ADN são importantes para definir a classe.[4]

A designação Loculoascomycetes foi inicialmente proposta para todos os fungos com desenvolvimento ascolocular.[5] Este tipo de desenvolvimento refere-se ao modo como a estrutura sexual, portadora de esporos (ascósporos) se forma. Os Dothideomycetes produzem sobretudo estruturas em forma de frasco designadas pseudotécios, apesar de existirem outras variantes de forma (p.e. estruturas encontradas em Hysteriales). Durante o desenvolvimento ascolocular, bolsas (lóculos) formam-se primeiro no interior de células vegetativas do fungo e só depois se formam todas as estruturas subsequentes. Estas incluem os ascos, os quais têm uma camada exterior mais espessa, através da qual uma camada interior mais delgada 'irrompe' para libertar os esporos. Estes ascos são portanto designados como bitunicados ou fissitunicados. Após várias comparações de sequências de ADN tornou-se claro que outro grupo de fungos que partilha destas caraterísticas é remotamente aparentado. Trata-se das "leveduras negras" da subclasse Chaetothyriomycetidae (Eurotiomycetes).[6] Tal significa que os Loculoascomycetes não constituíam um grupo natural.

Os membros mais bem conhecidos nesta classe são vários patógenos vegetais importantes (como Phaeosphaeria nodorum e Venturia inaequalis). Contudo, uma parte significativa das espécies descritas são endófitas ou sapróbicas, crecendo em restos de madeira, folhas em decomposição ou excrementos. Um número menor existe como líquenes[7] e uma única espécie, Cenococcum geophilum, pode formar micorrizas com raízes de plantas.[8]

Referências

  1. Kirk PM, Cannon PF, Minter DW, Stalpers JA. (2008). Dictionary of the Fungi. 10th ed. Wallingford: CABI. p. 221. ISBN 978-085199-826-8 
  2. Schoch CL, Crous PW, Groenewald JZS, Boehm EWA, BurgessTI, Gruyter J De, Hoog GS De, Dixon LJ,Grube M, Gueidan C, Harada Y, Hatakeyama S, Hirayama K, Hosoya T, Huhndorf SM, Hyde KD, Jones EBG, Kohlmeyer J, Kruys Å, Li YM, Lücking R, Lumbsch HT, Marvanová L, Mbatchou JS, McVay AH, Miller AN, Mugambi GK, Muggia L, Nelsen MP, Nelson P, Owensby CA, Phillips AJL, Phongpaichit S, Pointing SB, Pujade-Renaud V, Raja HA, Rivas Plata E, Robbertse B, Ruibal C, Sakayaroj J, Sano T, Selbmann L, Shearer CA, Shirouzu T, Slippers B, Suetrong S, Tanaka K, Volkmann-Kohlmeyer B, Wingfield MJ, Wood AR, Woudenberg JHC, Yonezawa H, Zhang Y, Spatafora JW. (2009). «A class-wide phylogenetic assessment of Dothideomycetes» (PDF). Studies in Mycology. 64: 1–15. PMC 2816964Acessível livremente. PMID 20169021. doi:10.3114/sim.2009.64.01. Consultado em 4 de fevereiro de 2010 
  3. Hibbett DS, Binder M, Bischoff JF, Blackwell M, Cannon PF, Eriksson OE, Huhndorf S, James T, Kirk PM, Lücking R, Lumbsch T, Lutzoni F, Matheny PB, Mclaughlin DJ, Powell MJ, Redhead S, Schoch CL, Spatafora JW, Stalpers JA, Vilgalys R, Aime MC, Aptroot A, Bauer R, Begerow D, Benny GL, Castlebury LA, Crous PW, Dai Y-C, Gams W, Geiser DM, Griffith GW, Gueidan C, Hawksworth DL, Hestmark G, Hosaka K, Humber RA, Hyde K, Ironside JE, Koljalg U, Kurtzman CP, Larsson K-H, Lichtwardt R, Longcore J, Miadlikowska J, Miller A, Moncalvo J-M, Mozley-Standridge S, Oberwinkler F, Parmasto E, Reeb V, Rogers JD, Roux C, Ryvarden L, Sampaio JP, Schüßler A, Sugiyama J, Thorn RG, Tibell L, Untereiner WA, Walker C, Wang Z, Weir A, Weiß M, White MM, Winka K, Yao Y-J, Zhang N. (2007). «A higher-level phylogenetic classification of the Fungi». Mycological Research. 111, (Pt 5): 509–47. PMID 17572334. doi:10.1016/j.mycres.2007.03.004 
  4. Lumbsch HT, Huhndorf S. (2007). «Whatever happened to the pyrenomycetes and loculoascomycetes?». Mycological Research. 6 111 (Pt 9): 1064–1074. PMID 18029164. doi:10.1016/j.mycres.2007.04.004 
  5. Luttrell ES, 1951. Taxonomy of Pyrenomycetes. University of Missouri Studies 24, 1–120.
  6. Geiser DM, Gueidan C, Miadlikowska J, Lutzoni F, Kauff F, Hofstetter V, Fraker E, Schoch CL, Tibell L, Untereiner WA, Aptroot A, 2006. Eurotiomycetes: Eurotiomycetidae and Chaetothyriomycetidae. Mycologia 98, 1053-1064.
  7. Nelsen MP, Lücking R, Grube M, Mbatchou JS, Muggia L, Rivas Plata E, Lumbsch HT. (2009). «Unravelling the phylogenetic relationships of lichenised fungi in Dothideomyceta» (PDF). Studies in Mycology. 64: 135–44. PMC 2816970Acessível livremente. PMID 20169027. doi:10.3114/sim.2009.64.07. Consultado em 4 de fevereiro de 2010 
  8. LoBuglio KF, Berbee ML, Taylor JW. (1996). «Phylogenetic origins of the asexual mycorrhizal symbiont Cenococcum geophilum Fr. and other mycorrhizal fungi among the ascomycetes». Molecular Phylogenetics and Evolution. 6 (2): 287–94. PMID 8899729. doi:10.1006/mpev.1996.0077 

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