Ducaque

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Ducaque
Emir de Damasco
Reinado 1095-1104
Antecessor(a) Tutus I
Sucessor(a) Tutus II
 
Descendência Tutus II
Dinastia Seljúcida
Morte junho de 1104
Pai Tutus I
Religião Islamismo

Abu Nácer Xamece Almuluque Ducaque foi o emir seljúcida de Damasco de 1095 a 1104. Sucedeu seu pai Tutus I em Damasco em 1095, após o último ser derrotado em combate e decapitado.[1] Enquanto foi governante de facto da região, Ducaque legou muitas das suas responsabilidades administrativas ao atabegue Toguetequim.[2] Em 1097, seus vassalos artúquidas, foram expulsos por tropas do Califado Fatímida de Jerusalém e migraram à Mesopotâmia Superior (Jazira).[3]

No verão de 1101, Jabala, entre Tortosa e Lataquia, que estava sob controle do magnata Cádi ibne Sulaia, foi dada a Toguetequim, de quem foi cedida aos Banu Amar.[3] Em 1102, o cruzado Raimundo IV (r. 1102–1105) marchou para Trípoli com o intuito de capturá-la. O irmão de Ducaque, Raduano, enviou um pedido de ajuda, que foi respondido com o envio de 2 000 cavaleiros. Na batalha que se seguiu, as tropas muçulmanas foram severamente derrotadas por pequena força de não mais do que 300 homens.[4] No mesmo ano, Ducaque e Toguetequim sitiaram Arraba, que estava em posse do mameluco Caimaz, mas falharam. Em dezembro, Caimaz morreu e Arraba caiu para Haçane, contra quem novo cerco foi feito.[5]

Dessa vez, Ducaque foi recebido pelos citadinos, forçando Haçane a retirar-se à cidadela. Haçane rendeu-se após receber garantias de salvo-conduto de Ducaque bem como um icta (apanágio) em outro lugar na Síria. Segundo o cronista do século XII ibne Alatir, os habitantes foram tratados bem por Ducaque, que reorganizou a administração da cidade, estabeleceu uma guarnição lá[6] e conferiu-lhe um governador da tribos dos xaibânidas, Maomé ibne Sabaque.[5]

Em 1103, o emir de Homs Janá Daulá foi assassinado, possivelmente por instigação de Raduano, incitando Raimundo a marchar contra a cidade. Com o caos instaurado e a vinda do inimigo, a viúva de Janá pediu ajuda de Raduano em Alepo, enquanto apoiadores de Janá chamaram Ducaque, que marchou para tomar posse de Homs, que foi dada a Toguetequim. [7] Em junho de 1104, Ducaque faleceu e seu domínio foi disputado por Raduano e Toguetequim, que decidiu nomear Tutus II, o filho do falecido, como emir.[8]

Referências

  1. Bosworth 1968, p. 108.
  2. Meri 2005, p. 123.
  3. a b Runciman 1951, p. 11.
  4. Runciman 1951, p. 58-59.
  5. a b Bianquis 1995, p. 394.
  6. ibne Alatir 2010, p. 72–73.
  7. Runciman 1951, p. 59-60.
  8. Runciman 1951, p. 89.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bianquis, Thierry (1995). «Al-Raḥba». In: Bosworth, C. E.; et al. Encyclopedia of Islam, Volume 8 (2nd ed.). Leida: Brill. ISBN 90-04-09834-8 
  • Bosworth, C. E. (1968). «The Political and Dynastic History of the Iranian World (A.D. 1000–1217)». In: Frye, R. N. The Cambridge History of Iran, Volume 5: The Saljuq and Mongol periods. Cambrígia: Imprensa da Universidade de Cambrígia. pp. 1–202. ISBN 0-521-06936-X 
  • ibne Alatir, Ali (2010). Richards, D. S., ed. The Chronicle of Ibn Al-Athir for the Crusading Period from Al-Kamil Fi'L-Ta'Rikh.: The Years 491-541/1097-1146 the Coming of the Franks and the Muslim Response. Farnham, Reino Unido: Ashgate Publishing Limited 
  • Meri, Josef W. (2005). «Burids». Medieval Islamic Civilization: An Encyclopedia. Londres e Nova Iorque: Routledge 
  • Runciman, Steven (1951). A History of the Crusades, Volume 1 The First Crusade and the Foundation of the Kingdom of Jerusalem. Cambrígia: Imprensa da Universidade de Cambrígia