Embolização da próstata

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Embolização da próstata ou Embolização das Artérias da Próstata (EAP) é um tipo de cirurgia onde se realiza a introdução de um cateter na virilha pela técnica do cateterismo. Este catéter tem aproximadamente 2 milímetros de diâmetro e é navegado desde a artéria femoral até as artérias que irrigam a próstata artéria prostática por meio de equipamento (angiógrafo) que emite raios x. Quando o cateter atinge as artérias prostáticas, microesferas de calibres variando entre 100 e 500 (milimicras) são injetadas na próstata com o objetivo de bloquear a irrigação da próstata. Sem o aporte arterial sanguíneo prostático, a próstata reduz de tamanho, alivia a obstrução da uretra e promove a melhora do esvaziamento vesical e consequente melhora dos sintomas urinários inferior.

História[editar | editar código-fonte]

O primeiro caso em que foi reconhecido que a Embolização das Artérias da Próstata poderia ter algum efeito terapêutico sobre a hiperplasia prostática benigna (HPB) foi publicado em 2000 por DeMeritt et al.[1]s autores trataram um paciente com sangramento urinário decorrente da hiperplasia benigna e observaram que, além de controle do sangramento, houve melhora dos sintomas urinários com consequente redução do tamanho da próstata e do PSA (antígeno prostático específico). O primeiro tratamento em humanos com o objetivo de tratar os sintomas obstrutivos urinários decorrentes da HPB usando a técnica da Embolização foi realizado por Carnevale FC et al.[2] em junho de 2008 e publicado em 2010 na revista da Cardiovascular and Interventional Radiology. O trabalho foi realizado por grupo multidisciplinar envolvendo a Disciplina de Urologia e o Departamento de Radiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP). Neste estudo, a Embolização da Próstata foi realizada em pacientes com retenção urinária causada pela HPB, os quais eram refratários ao tratamento com alfa-bloqueadores seletivos e estavam em uso de cateter vesical de demora (sonda de Foley). Os pacientes tiveram a sonda vesical retirada e apresentaram significativa melhora dos sintomas urinários e da qualidade de vida, assim como redução do volume da próstata variando entre 27,8% e 47,8% pela ressonância magnética após seis meses de tratamento. Posteriormente a este estudo, outros trabalhos comprovaram a eficácia e segurança da embolização prostática também em pacientes sem o uso de sonda vesical.[3][4]

Indicações e Contraindicações[editar | editar código-fonte]

A embolização está indicada para os pacientes com sintomas do trato urinário inferior (LUTS) decorrentes do crescimento da próstata pela HPB. A HPB é uma enfermidade de alta incidência na população masculina e está diretamente relacionada com o envelhecimento. Independente do critério utilizado para definir o diagnóstico da doença, seja clínico ou anatomopatológico, sua incidência será tão maior quanto mais avançada a idade média da população, chegando a mais de 80% de prevalência na oitava década de vida.[5] O tratamento de embolização prostática está contraindicado em pacientes com câncer de próstata, divertículo de bexiga, bexiga neurogênica, cálculo vesical e com histórico de reação adversa grave ao meio de contraste iodado.[6]

Vantagens e Desvantagens[editar | editar código-fonte]

As principais vantagens da embolização da próstata são: tratamento minimamente invasivo, realizado sob anestesia local ou sedação leve, não necessita de internação hospitalar (day-hospital), pode ser realizado em próstatas de qualquer tamanho e não interfere na função sexual. Estudos demonstram que a embolização da próstata não causa disfunção erétil, ejaculação retrógrada e incontinência urinária.[7] As principais desvantagens referem-se ao fato de ser um tratamento novo (primeiros casos realizados em 2008) e não apresentam seguimento de grande número de pacientes em longo prazo.

Resultados[editar | editar código-fonte]

Os resultados da embolização da próstata demonstraram melhora significativa dos sintomas urinários e da qualidade de vida em pacientes com diferentes tamanhos de próstata.,[8] Alguns estudos demonstraram que, quanto maior o volume prostático melhor o resultado da embolização, com média de redução de aproximadamente 30%.[9] A avaliação da próstata pode ser feita tanto pela ultrassonografia quanto pela ressonância magnética, sendo esta última mais específica para avaliação das estruturas da pelve. Os exames de imagem após a embolização demonstram o aspecto de infarto com necrose coagulativa da zona de transição da próstata onde ocorrem os nódulos de hiperplasia.[10],[11]Diante disto, a embolização da próstata foi avaliada pelo Conselho Federal de Medicina do Brasil (Resolução RESOLUÇÃO CFM No 2.143/2016 - Publicada no D.O.U. em 24 de março de 2016, Seção I, p.103), o qual aprovou a embolização das artérias da próstata para o tratamento de pacientes com hiperplasia prostática benigna.

Ver também

Referências

  1. 1 DeMeritt JS; Elmasri FF; Esposito MP; et al. Relief of benign prostatic hyperplasia-related bladder outlet obstruction after transarterial polyvinyl alcohol prostate embolization. J Vasc Interv Radiol 2000. 11(6):767–70.
  2. 2 Carnevale FC; Antunes AA; da Motta Leal Filho JM; et al. Prostatic artery embolization as a primary treatment for benign pros- tatic hyperplasia: preliminary results in two patients. Cardiovasc Intervent Radiol. 2010. 33(2):355-61.
  3. 3 Pisco JM; Pinheiro LC; Bilhim T; et al. Prostatic arterial embolization to treat benign prostatic hyperplasia. J Vasc Interv Radiol. 2011;22:11-9.
  4. 5 Gao YA, Huang Y, Zhang R, et al. Benign prostatic hyperplasia: prostatic arterial embolization versus transurethral resection of the prostate—a prospective, randomized, and controlled clinical trial. Radiology. 2014;270:920-8
  5. 6 Lepor H. Pathophysiology, epidemiology, and natural history of benign prostatic hyperplasia. Rev Urol. 2004. 6 Suppl 9:S3-S10.
  6. 7 Carnevale FC, Moreira AM, Harward SH, et al. Recurrence of lower urinary tract symptoms following prostate artery embolization for benign hyperplasia: single center experience comparing two techniques. Cardiovasc Intervent Radiol. 2017 Mar;40:366-74.
  7. 8 Carnevale FC, Iscaife A, Yoshinaga EM, et al. Transurethral resection of the prostate (TURP) versus conventional and PErFecTED prostate artery embolization (PAE) for treatment of bladder outlet obstruction due to benign prostatic hyperplasia (BPH): preliminary results of a single center, prospective, urodynamic-controlled analysis. Cardiovasc Intervent Radiol. 2016;39:44-52.
  8. 10 10. Pisco JM, Bilhim T, Pinheiro LC, et al. Medium- and Long-Term Outcomes of Prostate Artery Embolization for Patietns with Benign Prostatic Hyperplasia: Results in 630 Patients. J Vasc Interv Radiol. 2016;27:1115-22.
  9. 9 de Assis AM, Moreira AM, de Paula Rodrigues VC, et al. Prostatic artery embolization for treatment of benign prostatic hyperplasia in patients with prostates > 90 g: a prospective single-center study. J Vasc Interv Radiol. 2015;26:87-93.
  10. 11 Frenk NE, Baroni RH, Carnevale FC, et al. MRI findings after prostatic artery embolization for treatment of benign hyperplasia. AJR Am J Roentgenol. 2014;203:813-21.
  11. 12 de Assis AM, Maciel MS, Moreira AM, et al. Prostate Zonal Volumetry as a Predictor of Clinical Outcomes for Prostate Artery Embolization. Cardiovasc Intervent Radiol. 2017;40:245-51.

[1] [2] [3] [4] [5] [6] [7] [8] [9] [10] [11] [12]

  1. 1. DeMeritt JS; Elmasri FF; Esposito MP; et al. Relief of benign prostatic hyperplasia-related bladder outlet obstruction after transarterial polyvinyl alcohol prostate embolization. J Vasc Interv Radiol 2000. 11(6):767–70.
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