Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense

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A Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense é uma das escolas formadoras do pensamento econômico mais conceituadas da América Latina. Foi fundada em 1942 e agregada a UFF em 1962 e federalizada em 1963.[1] Sendo uma das mais antigas instituições de ensino superior em Economia do Brasil. O campus da Faculdade de Economia da UFF fica localizado atualmente no Bloco F[2] do Campus do Gragoatá, São Domingos, Niterói, Estado do Rio de Janeiro, Brasil.

História[editar | editar código-fonte]

Fundação da Faculdade[editar | editar código-fonte]

Foi fundada em 22 de dezembro de 1942 na cidade de Niterói, capital do antigo Estado do Rio de Janeiro, com o nome de Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas de Niterói (FCEAN). A Faculdade surge como um empreendimento particular, de iniciativa do Colégio Plínio Leite, sendo este a entidade mantenedora da mesma. O Colégio Plínio Leite, existente até hoje, é um tradicional educandário da cidade e iniciou o novo curso em suas mesmas instalações no centro de Niterói.

Foram seus fundadores Plínio Ribeiro Baptista Leite (primeiro diretor e proprietário da entidade mantenedora), Margarida Waldman Leite, Luiz Gonzaga Jayme e Laércio Caldeira de Andrada. A Congregação se reuniu pela primeira vez em 11 de janeiro de 1943, elegendo Laércio Caldeira Andrada como vice-diretor. Este professor permaneceu durante décadas a frente da Faculdade.

Em 1949 um decreto governamental de nº 26.937 reconheceu o curso, já então com o nome de Faculdade de Ciências Econômicas de Niterói (FCEN), já separada do Colégio Plínio Leite e do curso técnico em Administração (que ficou com o colégio).

Anos após a fundação da Faculdade os membros da congregação e funcionários compraram do professor Plínio Leite essa instituição de ensino, transferindo-o para as instalações do Liceu Nilo Peçanha.

Sua ligação com a UFF[editar | editar código-fonte]

Pela Lei nº 3.848 de 1960 foi agregada à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (antiga denominação da atual UFF) e federalizada nos termos da Lei nº 3.958 de 1961, passando a denominar-se Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (FCE-UFERJ).

Instalações[editar | editar código-fonte]

A Faculdade, após sua separação do Colégio Plínio Leite, passou a funcionar nas instalações do educandário público estadual Liceu Nilo Peçanha.

Em 1963 mudou para a rua Tiradentes n° 17, no bairro do Ingá, onde funcionou até junho de 2013. Foi comprado pela universidade por intermédio do funcionário técnico-administrativo Moacyr de Carvalho Gama. O edifício, conhecido como "casarão", foi construído no século XIX, pelo vice-cônsul da Grécia, Othon Henri Leonardo. Antes de abrigar a Faculdade, o edifício abrigava a unidade da seção feminina do tradicional educandário privado Ginásio Bittencourt Silva - a seção masculina do mesmo colégio passou, em 1966, à Faculdade Fluminense de Filosofia, estabelecimento que também passou a ser unidade da UFF na mesma época da Faculdade de Economia.

No fim da década de 1960 foi construído, em uma área aos fundos do "casarão", um anexo de três andares, com auditório, cafeteria e salas de aulas. Nos anos seguintes residências vizinhas foram incorporadas como prédios do campus da Faculdade.

O campus da Faculdade de Economia da UFF fica localizado atualmente no Bloco F[3] do Campus do Gragoatá, São Domingos, Niterói. O prédio histórico na Rua Tiradentes passou a ser utilizado pelo Departamento de Direito da UFF.

Associação Atlética Acadêmica Thiago Dufrayer[editar | editar código-fonte]

Na Faculdade também existe uma Associação Atlética Acadêmica (AAATD), fundada em 2012 a partir do interesse manifesto pelos alunos Albert Pinho, Eduardo Shalders e Mauro Barcellos em criar um braço esportivo neste âmbito. Seu nome é uma homenagem prestada ao ex-aluno e também atleta da Economia UFF Thiago Dufrayer (in memorian). A AAATD participa anualmente do campeonato interno da UFF (INTERUFF), sendo a atual bicampeã do Torneio. Também sagrou-se vice-campeã do Desafio Universitário e atual campeã da série B do Super 15, ambos disputados em Vassouras. Em 2016, a atlética de Economia da UFF foi a primeira campeã geral dos Jogos Financeiros.

Mudanças Institucionais nos anos 1970 e 80[editar | editar código-fonte]

A Faculdade, ao longo destas décadas, passou por uma série de transformações em sua estrutura curricular e institucional. Houve a criação nos anos 1970 do curso de Administração. A Faculdade passará a se chamar Faculdade de Economia e Administração da Universidade Federal Fluminense (FEA-UFF).

Foi criado na década de 1980 o turno diurno do curso de graduação em Ciências Econômicas e o curso de Mestrado em Economia.

Ainda anos 1980, os Departamentos de Administração e de Contabilidade se separaram da Faculdade para constituir unidade universitária própria, a Faculdade de Administração e Ciências Contábeis (atual Faculdade de Administração, Contabilidade e Turismo da UFF).

Atuais Instalações[editar | editar código-fonte]

A Faculdade de Economia da UFF passou a se instalar em um novo edifício no bairro de São Domingos, no campus da UFF do Gragoatá, o Bloco F.[4] Trata-se de uma edificação com 05 (cinco) pavimentos e cobertura, modulados em eixos de 1,25m, área por pavimento de 970,00m² e área total de 5.130,51m², aproximadamente, contemplando auditório, salas de aula, biblioteca, gabinetes de professores e administração. Com isso, a Faculdade de Economia passou a ser vizinha da Escola de Serviço Social (Bloco E) e dos novos prédios da Faculdade de Turismo e Hotelaria e do Instituto de Matemática e Estatística (Blocos G e H).

Pós-Graduação[editar | editar código-fonte]

Em 1986 criou uma Pós-Graduação de Economia (Mestrado) e seu curso de Doutorado iniciou em 2003, constituindo o atual Programa de Pós-Graduação em Economia da UFF. O Programa reúne professores de diversas formações e caracteriza-se por apresentar uma perspectiva teórico-analítica plural e uma diversidade temática. Essas linhas encontram-se agrupadas em três áreas: Teoria e Política Econômica; História, Desenvolvimento e Instituições e Economia Aplicada.

PET Economia-UFF[editar | editar código-fonte]

A Faculdade de Economia possui um grupo PET (Programa de Educação Tutorial). O PET Economia-UFF é formado por 12 bolsistas estudantes do curso de graduação e é orientado por um professor do Departamento de Economia. O grupo realiza pesquisas sobre diferentes temas da Economia, além de atividades semanais, como resenhas de assuntos da atualidade. O material produzido fica à disposição na Faculdade.

Revista Econômica[editar | editar código-fonte]

A Revista Econômica é uma publicação semestral do Programa de Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal Fluminense, que publica artigos e resenhas em Economia, principalmente de autoria de pesquisadores de outras instituições.

Biblioteca Laércio Caldeira de Andrada[editar | editar código-fonte]

A biblioteca da Faculdade de Economia foi fundada em 1954 e recebeu em 1957 o nome do fundador e ex-diretor da Faculdade, Professor Laércio Caldeira de Andrada. Todo seu catálogo é informatizado. Contém livros de todas as áreas da Economia e períodicos nacionais e estrangeiros, e ainda acervo de multimídia e áudio-visual. A Biblioteca atende estudantes da graduação e pós-graduação em Economia, estudantes de áreas correlatas e pesquisadores.

O layout atual da Biblioteca é de 2003, quando passou melhorias nas instalações com uma reforma da Biblioteca. Ganhando um novo layout, tendo anexada a área do auditório anterior da Faculdade ao seu espaço antigo, o que possibilitou uma ampliação da área útil em 50% e a criação de ambientes para estudo livre, individual e em grupo, com maior conforto para os usuários.

Auditório Moacyr de Carvalho Gama[editar | editar código-fonte]

A Faculdade de Economia da UFF ainda conta com um moderno auditório, reversível em salas de aulas, para mais de 200 pessoas. O Auditório possui o nome em homenagem ao ex-secretário da Faculdade, o técnico-administrativo Moacyr de Carvalho Gama (o "Seu Moacir"). O auditório atual substitui anterior cedido a ampliação da Biblioteca, que ficava no pavimento térreo do edifício novo. O auditório atual fica no primeiro andar do edifício novo e possui instalações e equipamentos para multimídia.

Centro de Estudos sobre Desigualdade e Desenvolvimento (CEDE)[editar | editar código-fonte]

Professores de diversos departamentos da UFF, em especial da Economia, organizaram o Centro de Estudos sobre Desigualdade e Desenvolvimento em 2005. Coordenado pela professora Celia Lessa Kerstenetzky, o centro tem como objetivo desenvolver pesquisas sobre desigualdade social e seu impacto sobre o desenvolvimento brasileiro. As pesquisas têm um enfoque interdisciplinar, reunindo, além dos aspectos econômicos e sociais das questões abordadas, questões de ordem jurídica, ética, cultural, educacional e sócio-psicológica.[5]

Diretório Acadêmico Hermann Júnior[editar | editar código-fonte]

No âmbito dos estudantes dos cursos da Faculdade de Economia da UFF há como entidade representativa o Diretório Acadêmico Hermann Júnior (DAHJ). Fundado em 1944 e recebeu esse nome ao economista brasileiro Frederico Hermann Júnior em um plebiscito entre os estudantes em 1948. O DAHJ conta com estatuto próprio e natureza jurídica e política autônoma à Faculdade e às entidades do movimento estudantil.

O DAHJ participou de várias lutas do movimento estudantil universitário, niteroiense, fluminense e brasileiro, como pode ser verificado em seus arquivos. Desde a campanha pela redemocratização no fim do Estado Novo, passando pelo O Petróleo é Nosso, por Reformas de Base, contra o golpe de 1964 e a ditadura militar, pela Anistia Já, pela Diretas Já, pelo Fora Collor e contra a reforma universitária do governo Fernando Henrique Cardoso.

Durante a ditadura militar o DAHJ foi uma dos poucos diretórios acadêmicos da UFF que não passou por intervenção, tal como apenas os de Direito, Medicina e Engenharia, garantindo o funcionamento do DCE e do movimento estudantil naquela universidade. Foi dessa maneira que o DCE pôde ser reconstruído no fim da década de 1970.

O Diretório Acadêmico Hermann Jr. ainda foi liderança no início da década de 1950 pela reconhecimento e regulamentação profissional dos economistas. Foi dessa maneira que o escudo da época da Faculdade (o globo terrestre circundado por uma roda dentada onde repousam uma folha de louro ou acanto e uma cornucópia) acabou sendo adotado como símbolo brasileiro dos economistas.

Personalidades[editar | editar código-fonte]

Carlos Lessa - Economista e ex-diretor do BNDES. Foi professor de Análise Macroeconômica II e III na Faculdade de Economia

Celso Pitta (1946-2009) - Economista e político. Foi prefeito de São Paulo. Graduado pela Universidade Federal Fluminense.

Cesar Maia - Político e economista. Ex-professor da UFF, ex-prefeito do Rio de Janeiro

Laércio Caldeira de Andrada (1890 - 1971) foi um advogado, professor, literato, jornalista e historiador brasileiro. Fundador e primeiro vice-diretor e por muitos anos professor e diretor.

Ricardo Henriques é um economista e professor da Faculdade de Economia da UFF. Superintendente executivo do Instituto Unibanco, pesquisador especializado em Economia Social, tendo trabalhado com temas como educação, desigualdade, pobreza e distribuição de renda. Ex-secretário nacional e ex-secretário estadual.

Theotonio dos Santos - Economista, professor emérito da UFF. Co-fundador da Teoria da Dependência. Coordenador de Cátedra da ONU e Rede da UNESCO em economia global e desenvolvimento sustentável (a REGGEN) e membro de corpo editorial da jornal Monitor Mercantil.

Wellington Moreira Franco - Político. Ex-prefeito de Niterói, Ex-governador do Rio de Janeiro e ex ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Antes de iniciar a carreira política foi ex-professor de Sociologia da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense

Cláudio Monteiro Considera - Economista, ex aluno e professor da Faculdade de Economia da UFF. Ex-chefe do Departamento de Contas Nacionais do IBGE, ex-diretor de pesquisas do IPEA, ex-secretário de acompanhamento econômico do Ministério da Fazenda. Em 1984 ganhou o prêmio Haramalus Simionides, conferido pela ANPEC. Colunista do jornal Valor Econômico.

André Luiz Gonçalves - Economista pela UFF, Vice-Presidente do Conselho de Administração do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores, Gerente Geral de Relações com Investidores da Fibria Celulose S.A, ocupou posições em RI na Oi e CSN, teve cargos em tesouraria e planejamento financeiro na Ambev e Shell Brasil S.A., e exerceu atividades de pesquisa macroeconômica pelo IPEA.

André Nogueira - CEO da JBS nos EUA e EX-CEO da JBS na Austrália, uma das maiores indústrias de alimentos do mundo. Nogueira possui mais de vinte anos de experiência no setor financeiro e bancário. 

Marcelo Neri - Ex Professor da Faculdade de Economia da UFF. É Ministro Chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE), foi presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) de setembro de 2012 até maio de 2014. 

Nelson Barbosa - Atual Ministro da Fazenda. Foi Secretário Executivo do Ministério da Fazenda entre 2011 a 2013 e professor da Faculdade e Economia da UFF de 1993 a 1994. 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências